Entre os consumidores brasileiros que não pretendem adquirir veículo elétrico, a bateria aparece como principal motivo de preocupação, de acordo com a última edição do Índice de Mobilidade do Consumidor (MCI, na sigla em inglês), elaborado pela EY. A escassez de infraestrutura de recarga – tanto pública quanto residencial – está entre as barreiras para a adoção desse tipo de veículo, com 36% apontando a falta de estrutura em casa ou no trabalho e 33% citando a ausência de estações públicas de carregamento de bateria. Outros 28% destacam a preocupação com a substituição da bateria e 17% com sua autonomia e custos de carregamento.
“Mais uma vez, a exemplo dos anos anteriores, o MCI traz que o consumidor está receoso com a bateria dos veículos elétricos. O desafio das fabricantes é comprovar para o mercado que esse desafio está realmente sendo superado com avanço tecnológico e aumento da capilaridade das estações de carregamento”, diz Marcelo Frateschi, sócio-líder para o setor automotivo da EY Brasil.
Na avaliação de Ricardo Assumpção, líder de sustentabilidade e CSO (Chief Sustainability Officer) da EY para a América Latina, há também uma questão que se aplica ao Brasil. “O elétrico por aqui não compete somente com a gasolina. Ele compete com uma transição que já existe: o etanol. Ao contrário de EUA, Europa e China, o Brasil não parte de uma matriz de transporte leve totalmente fóssil. O país já tem uma solução de transição em escala: frota flex, etanol, infraestrutura de distribuição, produção local e matriz elétrica relativamente limpa”, observa.
Ainda segundo Assumpção, o etanol não elimina a necessidade de eletrificação, mas cria uma ponte competitiva. “É por isso que o híbrido flex pode ser uma rota relevante por combinar eficiência elétrica parcial com biocombustível local. Esse modelo reduz consumo e emissões relativas, usa infraestrutura existente e prepara consumidor e indústria para uma eletrificação mais profunda”, finaliza.
Interesse em queda
A preferência dos consumidores brasileiros por veículos a combustão avançou de 35% para 49%, enquanto o interesse por totalmente elétricos permaneceu estável em 9%, ainda de acordo com a última edição do MCI. Já o interesse por veículos elétricos de alguma forma, o que inclui os híbridos, caiu 17 pontos percentuais em 2025, na comparação com a edição de 2024, registrando 40% da preferência. Sobre os veículos classificados como híbridos, o interesse do consumidor pela aquisição cresceu um ponto percentual na comparação com o levantamento anterior, chegando a 18%.
Os principais motivadores para aquisição dos elétricos são aumento do custo dos combustíveis, citado por 38% dos entrevistados, e preocupações ambientais, resposta que recebeu a mesma porcentagem. Outros motivos são maior autonomia (30%), menor custo total de propriedade (29%), melhor desempenho em relação aos veículos a combustão (28%), facilidade de manutenção (25%) e ampliação da oferta de modelos (16%).