Alegações ou afirmações de sustentabilidade falsas ou imprecisas, que estão na base do greenwashing, podem causar enormes prejuízos para as empresas. No entanto, as organizações ainda não conhecem seu grau de exposição ao greenwashing, alerta o estudo “O risco de greenwashing está aumentando: você está preparado?”, realizado pela EY. Entre os riscos do greenwashing estão os legais, comerciais e de reputação em um momento de fortalecimento global da regulação.
“O greenwashing sempre começa por aquilo que a empresa diz publicamente. Não se pode dizer por dizer. As alegações ou afirmações de sustentabilidade só se sustentam se estiverem respaldadas por evidências, o que passa por dados confiáveis e de qualidade”, diz Ricardo Assumpção, líder de sustentabilidade e CSO (Chief Sustainability Officer) da EY para a América Latina. “É por meio da governança que as empresas evitam acusações de greenwashing, definindo políticas internas aplicáveis a todos os departamentos. Essas ações asseguram a revisão constante das alegações ou afirmações de sustentabilidade com base em evidências, que possam inclusive ser auditáveis, e em conformidade com a regulação no Brasil e no mundo”, completa.
Ainda segundo o estudo, a revisão dessas alegações ou afirmações de sustentabilidade, por meio de uma política de governança, é muito mais barata do que a defesa da empresa posteriormente em um procedimento acusatório. Faz parte desse processo de verificação a realização de testes frequentes que levem em consideração o material disponibilizado em todos os canais públicos da organização.
“São nesses momentos que as empresas verificam se as afirmações condizem realmente com a realidade, retirando do ar as que não estão em conformidade”, pontua Assumpção. “O ideal é que elas não entrem no ar antes dessa verificação, mas, considerando esse desconhecimento sobre o grau de exposição apontado na pesquisa, as empresas ainda estão falhando bastante nesse trabalho de fazer a checagem prévia”, finaliza o executivo.
Estudo realizado pelo Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, analisou 2,8 mil anúncios de 917 empresas no LinkedIn entre 2023 e 2025 em campanhas publicitárias digitais. Mais da metade dos anúncios (52,7%) apresentaram indícios de greenwashing, ou seja, com alegações ambientais vagas, não verificáveis ou enganosas. Os textos continham termos vagos como transição energética e carbono neutro, sem apontar evidências concretas. As empresas do setor de energia lideraram em volume desse tipo de anúncio, seguidas pelos setores de mineração e agronegócio.
Consequências do greenwashing
Nos últimos anos, ainda segundo o levantamento da EY, mais de duas mil empresas enfrentaram desafios de greenwashing em todo o mundo, com diversos impactos negativos para o negócio. Estão entre eles processos judiciais, multas e acordos; mudanças e remoções obrigatórias das afirmações ou alegações de sustentabilidade; custos mais elevados de conformidade; perda de clientes; exclusão de licitações públicas e de concorrências privadas; retirada de investidores com prejuízo no mercado de capitais; e danos à reputação.
O combate às alegações ou afirmações de sustentabilidade falsas ou imprecisas está entre as prioridades dos esforços regulatórios em todo o mundo. Ao recepcionar as normas IFRS S1 e S2, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) com a Resolução 193 foi nesse sentido, obrigando inicialmente que as companhias de capital aberto divulgassem o relatório de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade. No entanto, em maio deste ano, essa obrigatoriedade foi revogada por meio da Resolução CVM 244, deixando em aberto a escolha de divulgar. Para as empresas que optarem pela divulgação, o primeiro reporte será no próximo ano com as informações referentes ao exercício de 2026.