Empresas precisam de governança para evitar acusação de greenwashing

15 jul. 2026

Estudo da EY destaca relevância de contar com políticas internas que assegurem a revisão constante das alegações ou afirmações de sustentabilidade com base em evidências e na regulação cada vez mais rígida no Brasil e no mundo

O combate às alegações ou afirmações de sustentabilidade falsas ou imprecisas está entre as prioridades dos esforços regulatórios em todo o mundo. Ao recepcionar as normas IFRS S1 e S2, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) com a Resolução 193 foi nesse sentido, obrigando inicialmente que as companhias de capital aberto divulgassem o relatório de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade. No entanto, em maio deste ano, essa obrigatoriedade foi revogada por meio da Resolução CVM 244, deixando em aberto a escolha de divulgar. Para as empresas que optarem pela divulgação, o primeiro reporte será no próximo ano com as informações referentes ao exercício de 2026.

O estudo “O risco de greenwashing está aumentando: você está preparado?”, realizado pela EY, demonstra como a governança pode evitar que as empresas sejam acusadas de greenwashing na medida em que ela institui uma série de políticas internas aplicáveis a todos os departamentos e profissionais. Essas ações asseguram a revisão constante das alegações ou afirmações de sustentabilidade com base em evidências, que possam inclusive ser auditáveis, e em conformidade com a regulação no Brasil e no mundo.

A maioria dos investidores se mostra mais preocupada com greenwashing do que cinco anos atrás, aponta o estudo EY Global Institutional Investor Survey 2024. Quando perguntados sobre como veem a questão do greenwashing, 85% consideram que esse problema ficou maior, sendo que 27% avaliam como “muito maior” e 58% como “um pouco maior”. Participaram do levantamento 350 investidores tomadores de decisão de instituições em todo o mundo, incluindo empresas de gestão de ativos, de gestão de patrimônio, seguradoras e fundos de pensão. Esses índices demonstram a insatisfação dos investidores em relação à qualidade dos reportes não financeiros divulgados pelas organizações, fortalecendo o argumento por uma regulação cada vez mais rígida.

Governança em três passos

O primeiro passo dessas políticas internas deve estar concentrado na revisão de todas as alegações ou afirmações de sustentabilidade. Isso significa analisar toda e qualquer comunicação disponível em redes sociais, rótulos e embalagens, relatórios anuais, licitações e materiais de venda. O estudo “O risco de greenwashing está aumentando: você está preparado?” sugere procurar por termos como net zero, neutro em carbono, 100% reciclável, sustentável, ecologicamente correto, entre outros. “Essas alegações são todas vagas, carecendo de materialidade e do caminho que deve ser adotado para que o objetivo traçado seja alcançado”, destaca Ricardo Assumpção, líder de sustentabilidade e CSO (Chief Sustainability Officer) da EY para a América Latina. “Elas criam riscos justamente por não contarem com evidências sólidas”, completa.

O segundo passo diz respeito à verificação das evidências. A empresa precisa se perguntar a todo momento se conta com dados verificáveis ligados à sua operação e às iniciativas de sustentabilidade; planos confiáveis com metas mensuráveis; dados rastreáveis da cadeia de suprimentos; verificação ou garantia independente; entre outras informações relevantes para comprovar suas alegações ou afirmações de sustentabilidade. “Se a evidência for fraca ou estiver desatualizada, a alegação torna-se arriscada por carecer de credibilidade”, diz Assumpção.

Por fim, como terceiro passo, há necessidade de avaliar o risco regulatório, verificando, por exemplo, se a alegação é permitida pela lei local; se resistiria a um questionamento de uma ONG ou do regulador; e se está alinhada com as expectativas dos investidores. “Caso a resposta seja não para qualquer dessas perguntas, a alegação ou afirmação de sustentabilidade é de alto risco para a organização”, finaliza Assumpção.

Receio de acusação de greenwashing

Há um temor por parte de 55% dos líderes financeiros de que os relatórios de sustentabilidade – inseridos nos setores onde esses executivos atuam – contenham elementos de greenwashing. Para 67% dos executivos de telecomunicações e de varejo, esse risco é alto. Os dados são do estudo "2024 EY Global DNA of the Financial Controller", elaborado pela EY com base em duas mil entrevistas com líderes financeiros e 815 investidores institucionais provenientes de 30 países e de 14 setores econômicos. 

Os entrevistados reportam dificuldade de produzir relatórios precisos de sustentabilidade por causa da complexidade desses assuntos e do volume imenso necessário de dados confiáveis para esse tipo de reporte. Mais da metade dos líderes financeiros entrevistados (55%) avaliam como significativos os custos para responder às novas regulações e padrões dos relatórios de sustentabilidade. Já 44% dizem que esse trabalho se caracteriza pela alta complexidade.

Termos de Uso

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