A precificação internacional das commodities agrícolas, aliada às oscilações de câmbio, juros altos e volatilidade de preços, se somam aos choques de produção e consumo, amplificando o risco para produtores e empresas ao longo da cadeia. Diante desse cenário, gestão de riscos financeiros e do mercado de commodities surgem como o sexto principal risco do agronegócio brasileiro.
A informação é do estudo “Top 10 riscos e oportunidades no agro em 2026”, da EY, com recorte exclusivo para o Brasil. O Top 5 é composto por mudanças climáticas; gestão de pessoas; geopolítica e comércio internacional; políticas, reformas e regulações governamentais e tecnologia, transformação digital e inovação.
Depois de precificação internacional das commodities, produtividade, controle de custos e eficiência na gestão de ativos aparecem em sétimo lugar e seguem como pilares da competitividade do agro brasileiro em um cenário de margens pressionadas. Nas últimas três décadas, o aumento de produtividade foi um dos principais motores da expansão do setor: a produção de grãos no Brasil, por exemplo, cresceu 267%.
Últimas preocupações
Logística, infraestrutura de transporte, armazenagem e distribuição aparecem na oitava posição. As principais regiões produtoras de grãos migraram dos polos tradicionais do Sul e Sudeste para o Centro-Oeste, Nordeste e Norte, afastando a produção dos principais mercados consumidores e portos e elevando a dependência de uma infraestrutura de transporte e armazenagem que ainda está em adaptação. Apesar do aumento expressivo da utilização de ferrovias e do transporte aquaviário fluvial, a matriz de transporte brasileira segue predominantemente rodoviária, respondendo por cerca de 65% do total de cargas.
Ainda sobre esse tópico, o déficit de armazenagem segue também como um dos principais gargalos estruturais do agronegócio brasileiro. O país tem capacidade para armazenar apenas 61,7% da safra de grãos prevista para 2026, o menor patamar registrado em cerca de duas décadas. Segundo estimativas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), com base em dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção deve alcançar 353,4 milhões de toneladas, enquanto o déficit de estocagem chegará a 135,4 milhões de toneladas.
“O cenário pressiona toda a cadeia logística, eleva os custos de transporte e reduz o poder de negociação dos produtores, que muitas vezes precisam antecipar vendas por falta de espaço adequado para armazenar a produção”, comenta Otavio Lopes, sócio-líder de agronegócio da EY.
Em nono lugar, aparecem ética, compliance e controles internos. No agronegócio, integridade deixou de ser checklist para se tornar condição de acesso a mercado, crédito e legitimidade. Reguladores ampliam o foco em ESG, compradores globais exigem cadeias livres de desmatamento e trabalho análogo ao escravo, e financiadores incorporam critérios socioambientais aos modelos de concessão de crédito, fazendo com que o tema ganhe contornos mais técnicos e operacionais. “Em 2026, sobressai uma agenda marcada pela expansão das exigências ESG, disciplina na gestão de dados, maior escrutínio sobre terceiros e necessidade de respostas rápidas a riscos socioambientais, fraudes e corrupção”, diz Otavio.
Fechando o ranking em décimo lugar, aparecem os desafios relacionados à estratégia de crescimento e acesso a capital. O movimento reflete a migração de um cenário de maior liquidez e competição entre financiadores para um ambiente de crédito mais caro e seletivo, com reprecificação de risco e maior exigência de garantias, transparência e disciplina financeira. Mais recentemente, observa-se uma normalização parcial do apetite, porém com segmentação mais clara entre perfis de risco e maior rigor na estruturação, especialmente em operações ligadas a cadeias, mercado de capitais e financiamentos com lastro rastreável.
Leia o estudo na íntegra aqui.
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