Os vinte clubes da série A do Campeonato Brasileiro de futebol somaram uma receita total de R$ 14,9 bilhões em 2025, o que corresponde a um aumento de 33% em relação ao ano anterior. No acumulado entre 2021 e 2025, o crescimento chega a 73%. Os números fazem parte do levantamento anual realizado pela EY, que analisa a saúde financeira dos clubes brasileiros e acaba de divulgar o material com base na análise do cenário econômico e o desempenho financeiro dos clubes brasileiros no ano passado.
“Quando analisamos a receita total, percebemos que ainda temos um pequeno grupo representando grande parte do valor. Nesse levantamento, as receitas de Flamengo, Palmeiras, Botafogo, São Paulo e Fluminense representam 49% desses quase R$15 bilhões”, aponta José Ronaldo Rocha, Sócio de Tecnologia, Mídia & Entretenimento e Telecomunicações (TMT) da EY para América Latina.
A transferência de jogadores foi um dos fatores que mais contribuíram para o aumento da receita dos clubes, com um valor de R$ 3,9 bilhões, o que representa um crescimento de 45% em relação a 2024 e uma fatia de 26% da receita total, a maior desde 2021. Os direitos de transmissão e premiações, por sua vez, representaram R$ 4,9 bilhões.
“A primeira edição da Copa do Mundo de Clubes foi um diferencial nesse aspecto. Essa competição trouxe uma receita relevante para os times que participaram, principalmente para o Fluminense, único clube brasileiro a ir até a semifinal da Copa do Mundo de Clubes, que teve um aumento de aproximadamente 247% em relação a 2024, passando de R$ 167 milhões para R$ 580 milhões em receitas de direitos de transmissão e premiação”, ressalta Rocha.
Chama a atenção no levantamento da EY a queda na representatividade da receita de matchday, proveniente de bilheteria, programas de sócio-torcedor, camarotes, cadeiras cativas, alimentos e bebidas, bem como de outras receitas geradas em dias de jogos. Em 2025, esse item representou 12% do total, enquanto nos últimos três anos a participação era de 16%. Mesmo assim, o Flamengo se consolidou como o clube com maior fonte de receitas de matchday em 2025 entre os clubes da Série A do campeonato, passando de R$244 milhões em 2024 para R$322 milhões em 2025.
O contraponto da dívida
Assim como as receitas alcançaram valores bilionários, as dívidas dos clubes também cresceram exponencialmente nos últimos anos. O endividamento líquido dos 20 clubes da série A de 2025 chega a R$ 14,3 bilhões, um aumento de 15% em relação ao ano anterior. “Além disso, as outras formas de endividamento também cresceram, como o tributário e com empréstimos, seguindo esse movimento de inflação dos valores de mercado e de grandes aportes na indústria”, conta Rocha.
Um dos diferenciais desse levantamento é o índice comparativo entre endividamento líquido e receita total, que mostra quantas vezes a receita total de um clube representa o seu endividamento líquido. Nesse aspecto, o Atlético‑MG apresentou o maior valor do indicador, com endividamento líquido equivalente a 3,44 vezes a sua receita total, seguido por Corinthians e São Paulo, com índices de 2,81 e 2,24, respectivamente. “Esse índice nos dá um panorama mais assertivo da situação financeira de cada clube individualmente”, pontua José Ronaldo.
Apenas seis clubes da série A tiveram o endividamento líquido menor que a receita, são eles: Fluminense (0,99), Ceará (0,84), Palmeiras (0,83), Bahia (0,69), Fortaleza (0,66), Flamengo (0,42). Enquanto isso, Juventude e Mirassol não apresentaram endividamento líquido no período analisado.
Leia o levantamento na íntegra aqui.