Os desdobramentos geopolíticos têm interferido nas decisões de negócio, revela a nova edição do CEO Outlook, estudo produzido pela EY-Parthenon. Praticamente todos os CEOs atuantes no Brasil entrevistados (96%) ajustaram, nos últimos 12 meses, os planos de investimento das suas companhias por causa da geopolítica e das políticas tarifárias. Quando perguntados de que forma fizeram isso, podendo escolher mais de uma resposta, 40% dos CEOs aceleraram um investimento planejado; 32% postergaram um investimento planejado; 20% entraram em um novo mercado; e 18% saíram de algum mercado.
“Além dessas questões, a taxa de juros restritiva, no patamar de dois dígitos, tem preocupado as empresas, encarecendo o financiamento das suas atividades”, diz Leandro Berbert, sócio de Estratégia e Transações da EY-Parthenon. “O déficit fiscal crescente do governo é um dos motivos que fazem o Banco Central adotar prudência na redução dos juros básicos da economia. A inflação persistente não apenas no Brasil como no mundo todo tem preocupado os Bancos Centrais. Essa situação é agravada pela cotação do barril de petróleo ainda pressionada pelo conflito entre EUA e Irã”, completa.
Apesar das tensões geopolíticas, do crescimento global lento e da instabilidade na cadeia de suprimentos, a maioria dos CEOs prevê crescimento ou crescimento significativo do faturamento e da lucratividade neste ano em comparação com 2025. “Ao somar essas duas porcentagens divulgadas pelo estudo, temos 92% para elevação e elevação significativa do faturamento e 94% para esses dois desempenhos em lucratividade, o que demonstra o otimismo entre esses executivos”, observa Berbert. Ainda segundo Berbert, essa percepção positiva, na visão do estudo, reflete a crença de que, a despeito das pressões externas, as organizações podem tomar medidas decisivas para fortalecer o desempenho interno e navegar com eficácia os desafios externos.
Em um período de elevada incerteza geopolítica, econômica e tecnológica, o levantamento da EY destaca que a transformação se tornou essencial para as empresas que buscam permanecer competitivas e resilientes. Nesse contexto, atender a essas ambições exige uma mentalidade transformadora: reinvenção contínua em vez de mudança pontual. “Em um ambiente estruturalmente incerto, os CEOs precisam agir com base em informações muitas vezes incompletas, realocando capital e talentos de forma dinâmica e aprendendo por meio da experimentação”, diz Berbert.
Criação de valor
Ainda segundo o CEO Outlook, essa mentalidade transformadora nas organizações envolve sair da reatividade para buscar a proatividade nas propostas de valor. O objetivo deve ser desenvolver novas capacidades, fortalecer a diferenciação e gerar crescimento próprio. A criação de valor inclui os seguintes aspectos: incorporação da IA e de ferramentas digitais nas operações para acelerar a produtividade; fomento à inovação em ritmo acelerado; e redesenho das estruturas organizacionais para torná-las mais ágeis e colaborativas. Ao incorporar a IA no planejamento, na gestão de riscos e na execução, os CEOs podem transformar a incerteza em variável estratégica gerenciável, em vez de ameaça existencial.
“O cenário geopolítico é marcado por realinhamentos comerciais, divergências regulatórias e competição estratégica, fatores que podem remodelar o acesso a mercados, cadeias de suprimentos e governança de dados. Conforme o estudo da EY destaca, ao fortalecer as políticas internas, engajar-se com reguladores e realizar testes de estresse em cenários comerciais e tecnológicos, as empresas podem reduzir interrupções e aproveitar oportunidades emergentes”, finaliza Berbert.
Sobre o estudo
Foram entrevistados, em março e abril deste ano, 50 CEOs de empresas de diferentes setores no Brasil, como consumo e saúde; serviços financeiros; indústria e energia; infraestrutura; e tecnologia, mídia e telecomunicações. A amostra do estudo é composta majoritariamente por executivos de empresas de grande porte. Entre os participantes, 28% representam organizações com receita anual entre US$ 5 bilhões e US$ 9,9 bilhões no último ano fiscal.