CEOs atuantes no Brasil ajustam planos de investimento por causa da geopolítica

05 ago. 2026

Estudo da EY-Parthenon revela que 96% dos executivos entrevistados tomaram essa decisão nos últimos 12 meses como forma de responder ao aumento da instabilidade global, inclusive tarifária

Os desdobramentos geopolíticos têm interferido nas decisões de negócio, revela a nova edição do CEO Outlook, estudo produzido pela EY-Parthenon. Praticamente todos os CEOs atuantes no Brasil entrevistados (96%) ajustaram, nos últimos 12 meses, os planos de investimento das suas companhias por causa da geopolítica e das políticas tarifárias. Quando perguntados de que forma fizeram isso, podendo escolher mais de uma resposta, 40% dos CEOs aceleraram um investimento planejado; 32% postergaram um investimento planejado; 20% entraram em um novo mercado; e 18% saíram de algum mercado.

“Além dessas questões, a taxa de juros restritiva, no patamar de dois dígitos, tem preocupado as empresas, encarecendo o financiamento das suas atividades”, diz Leandro Berbert, sócio de Estratégia e Transações da EY-Parthenon. “O déficit fiscal crescente do governo é um dos motivos que fazem o Banco Central adotar prudência na redução dos juros básicos da economia. A inflação persistente não apenas no Brasil como no mundo todo tem preocupado os Bancos Centrais. Essa situação é agravada pela cotação do barril de petróleo ainda pressionada pelo conflito entre EUA e Irã”, completa.

Apesar das tensões geopolíticas, do crescimento global lento e da instabilidade na cadeia de suprimentos, a maioria dos CEOs prevê crescimento ou crescimento significativo do faturamento e da lucratividade neste ano em comparação com 2025. “Ao somar essas duas porcentagens divulgadas pelo estudo, temos 92% para elevação e elevação significativa do faturamento e 94% para esses dois desempenhos em lucratividade, o que demonstra o otimismo entre esses executivos”, observa Berbert. Ainda segundo Berbert, essa percepção positiva, na visão do estudo, reflete a crença de que, a despeito das pressões externas, as organizações podem tomar medidas decisivas para fortalecer o desempenho interno e navegar com eficácia os desafios externos.

Em um período de elevada incerteza geopolítica, econômica e tecnológica, o levantamento da EY destaca que a transformação se tornou essencial para as empresas que buscam permanecer competitivas e resilientes. Nesse contexto, atender a essas ambições exige uma mentalidade transformadora: reinvenção contínua em vez de mudança pontual. “Em um ambiente estruturalmente incerto, os CEOs precisam agir com base em informações muitas vezes incompletas, realocando capital e talentos de forma dinâmica e aprendendo por meio da experimentação”, diz Berbert.

Criação de valor

Ainda segundo o CEO Outlook, essa mentalidade transformadora nas organizações envolve sair da reatividade para buscar a proatividade nas propostas de valor. O objetivo deve ser desenvolver novas capacidades, fortalecer a diferenciação e gerar crescimento próprio. A criação de valor inclui os seguintes aspectos: incorporação da IA e de ferramentas digitais nas operações para acelerar a produtividade; fomento à inovação em ritmo acelerado; e redesenho das estruturas organizacionais para torná-las mais ágeis e colaborativas. Ao incorporar a IA no planejamento, na gestão de riscos e na execução, os CEOs podem transformar a incerteza em variável estratégica gerenciável, em vez de ameaça existencial.

“O cenário geopolítico é marcado por realinhamentos comerciais, divergências regulatórias e competição estratégica, fatores que podem remodelar o acesso a mercados, cadeias de suprimentos e governança de dados. Conforme o estudo da EY destaca, ao fortalecer as políticas internas, engajar-se com reguladores e realizar testes de estresse em cenários comerciais e tecnológicos, as empresas podem reduzir interrupções e aproveitar oportunidades emergentes”, finaliza Berbert.

Sobre o estudo

Foram entrevistados, em março e abril deste ano, 50 CEOs de empresas de diferentes setores no Brasil, como consumo e saúde; serviços financeiros; indústria e energia; infraestrutura; e tecnologia, mídia e telecomunicações. A amostra do estudo é composta majoritariamente por executivos de empresas de grande porte. Entre os participantes, 28% representam organizações com receita anual entre US$ 5 bilhões e US$ 9,9 bilhões no último ano fiscal.

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