Se as empresas passassem a investir em talento e inovação, seus recursos intelectuais se expandiriam, criando caminhos renovados para o crescimento. Desde a crise financeira global de 2008-09, as empresas têm desfrutado de custos de financiamento historicamente baixos e forte lucratividade corporativa, ainda que os últimos anos tenham sido diferentes, mas o investimento líquido se mostrou fraco. A análise da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) demonstra que as empresas optaram, em vez do investimento em talento e inovação, por alocar capital significativo para proporcionar retornos financeiros de curto prazo aos acionistas, pagando dividendos ou recomprando ações.
O pipeline tradicional de talentos – contratar, treinar, reter e promover – foi projetado pelas empresas para um mundo em que as habilidades evoluíam lentamente e o trabalho era amplamente previsível. Esse mundo do trabalho desapareceu. Em um sistema capitalista reequilibrado, são necessários investimentos mais contínuos e ágeis em recursos humanos.
O mercado global de treinamento corporativo, atualmente avaliado em US$ 352,66 bilhões e projetado para crescer a um CAGR de 11,7% até 2030, está se expandindo em meio às expectativas dos empregadores de que as principais habilidades dos trabalhadores mudarão até 2030. As empresas que investem em programas abrangentes de treinamento obtêm retornos significativos, com renda por funcionário 218% maior do que aquelas que não têm iniciativas formais de treinamento.
Da mesma forma, estudos mostram que os gastos com pesquisa e desenvolvimento (P&D) podem melhorar a reputação de uma empresa e ajudá-la a obter uma vantagem competitiva, resultando em maior lucratividade e criação consistente de valor. A última edição do estudo EY Top 500 constatou que as 500 maiores empresas em gastos com P&D aumentaram esses investimentos em 6% em 2024. No entanto, esses recursos não são distribuídos de forma uniforme. A intensidade de P&D (porcentagem de gastos com P&D em relação à receita) entre as empresas dos EUA é, em média, de 7,7%, mas é de apenas 5,7% entre as empresas europeias.
Os formuladores de políticas públicas poderiam apoiar esse movimento fortalecendo e aumentando os incentivos fiscais de P&D, apoiando modelos de negócios que incluam inovação de longo prazo e criando incentivos para a requalificação contínua da força de trabalho, especialmente em relação a novas tecnologias como a IA. A reforma das estruturas de governança corporativa para favorecer o reinvestimento em talento e inovação em detrimento da engenharia financeira de curto prazo também pode permitir que essa mudança para investir em recursos intelectuais ocorra a nível sistêmico.
Além disso, a criação de incentivos que ajudem a difundir a inovação, incluindo o apoio a laboratórios universitários e think tanks, bem como incentivos fiscais corporativos para investimentos em P&D, pode ajudar a estabelecer a base para a inovação e o crescimento contínuos em uma economia.
*Este artigo faz parte da série EY Megatrends. As megatendências são rupturas macroeconômicas impulsionadas pela intersecção de duas ou mais forças primárias, como tecnologia, demografia, sustentabilidade e geopolítica.