“Ainda assim, o patamar federal permanece inferior ao observado nos Estados, reforçando a leitura de que a esfera estadual continua sendo percebida como a principal referência na atração e estruturação de investimentos privados por meio de concessões e PPPs”, afirma Gusmão. E os municípios continuam como o principal gargalo federativo: 74,0% dos respondentes avaliam que esse potencial é pouco ou nada aproveitado, reforçando a necessidade de maior capacidade de estruturação de projetos em nível local.
A segurança jurídica segue, em sua maioria, com perspectivas positivas. Segundo o executivo, “o predomínio das avaliações "regular" e "boa" indica um ambiente percebido como relativamente estável para investimentos em concessões e PPPs, embora ainda distante de uma visão amplamente positiva sobre a segurança jurídica do setor”.
Fatores de risco e maior cautela
A agenda do setor de infraestrutura vem sofrendo de forma mais explícita os efeitos da instabilidade geopolítica sobre petróleo, logística, inflação, juros, câmbio, cadeias de suprimento e comércio internacional, eleições e reforma tributária. “Essa nova conjuntura internacional e nacional insere fatores de risco que devem ser incorporados às estratégias de investimento, financiamento e execução contratual do setor”, ressalta Gustavo.
Enquanto a instabilidade no Oriente Médio aumenta a sensibilidade dos projetos à volatilidade do petróleo, com efeitos sobre combustíveis, fretes e cadeias de suprimento, a combinação entre inflação resistente, juros elevados e incerteza externa tende a encarecer o financiamento de longo prazo. “Para infraestrutura, isso significa maior pressão sobre o custo médio de capital, tarifas, contraprestações públicas, outorgas e necessidade de estruturas de funding mais robustas”, aponta Tadini. “Sem contar os aspectos internos, como Reforma Tributária, marcos regulatórios, política fiscal, segurança jurídica, dentre outros fatores que o setor também precisa administrar”, completa.
Quando questionados sobre o impacto do conflito no Oriente Médio na logística e preço do petróleo, a avaliação de médio impacto foi a mais recorrente, com 43,9% das respostas, seguida por 20,3% que apontaram alto impacto. Assim, 64,2% dos respondentes indicam algum grau relevante de exposição dos negócios aos efeitos associados ao petróleo e à logística.
Além disso, a percepção sobre os efeitos do maior protecionismo e da guerra comercial, especialmente vindos dos EUA, também indica um ambiente de atenção. 38% avalia que esse movimento gera médio impacto sobre os seus negócios, enquanto 20,9% apontam alto impacto. Somadas, essas respostas indicam que 58,9% dos agentes percebem impactos relevantes decorrentes da reorganização das relações comerciais internacionais.
Já a Reforma Tributária deixou de ser apenas uma preocupação regulatória futura e passou a integrar a agenda operacional e contratual das empresas. 62% dos entrevistados afirmaram que suas empresas já estão estudando os impactos da reforma em seus contratos. Enquanto isso, 13,4% informaram não terem iniciado essa avaliação, mas pretendem iniciar ainda em 2026. Já 7% indicaram que a análise deve começar somente em 2027 ou posteriormente. Gusmão comenta que “ainda tiveram mais de 17% que não souberam responder, o que reforça a assimetria de maturidade entre os agentes na preparação para os impactos da nova estrutura tributária sobre os contratos de concessão”.
Outro aspecto importante da agenda interna do país é a eleição. Considerando o cenário de vitória de um candidato de oposição ao atual governo, 43,9% avaliam que esse resultado eleitoral deve impactar positivamente os investimentos. Ainda assim, 26,2% dos participantes indicam expectativa de impacto negativo, enquanto 23% avaliam que não haveria impacto relevante, com manutenção do nível atual de investimentos.