Comunicado de imprensa
13 ago. 2026 

Nova edição do Barômetro da Infraestrutura indica queda significativa no otimismo para investimentos no setor 

Se antes o otimismo estava presente em 54,2% dos respondentes, agora caiu para 37,8%. Ao mesmo tempo, o ano de 2025 bateu recorde de investimentos em infraestrutura com R$ 280,4 bilhões.

São Paulo, 13 de Agosto de 2026 – A 15ª edição do Barômetro da Infraestrutura, pesquisa semestral realizada pela Associação Brasileira da Infraestrutura e das Indústria de Base — ABDIB em parceria com a EY-Parthenon, braço de estratégia e transações da EY, traz informações importantes para o setor de infraestrutura e suas perspectivas para os próximos meses. A queda significativa do otimismo em novos investimentos é um dos principais destaques. Enquanto na edição anterior, a pesquisa indicou que 54,2% dos respondentes avaliaram o cenário para promoção de investimentos em infraestrutura no país nos próximos seis meses como favorável, nessa, o número caiu para 37,8%.  Com isso, cresceu a avaliação desfavorável de 20,4% para 30,9%.  

“Esse recuo relevante da percepção favorável interrompe a trajetória de recuperação observada na edição anterior. O resultado sugere um ambiente mais cauteloso, em que a expectativa de continuidade dos investimentos permanece presente, mas com menor convicção quanto às condições de promoção de novos projetos no curto prazo. Uma somatória de fatores pode representar essa cautela, como as eleições, os efeitos decorrentes da guerra no Oriente Médio, inflação, juros, preço do petróleo e da logística, além de protecionismo comercial e Reforma Tributária”, explica Gustavo Gusmão, sócio da EY-Parthenon para Governo e Infraestrutura. “Mas vale reforçar também que tivemos um 2025 bastante expressivo para o setor, com uma quantidade relevante de concessões e investimentos”, completa.  

No último ano, os investimentos em infraestrutura alcançaram R$280,4 bilhões, o que representa um novo recorde da série histórica iniciada em 2010. O setor privado foi fundamental para esse desempenho, sendo o grande protagonista dos investimentos com aproximadamente 80% das realizações no último ano.  

 Venilton Tadini, presidente executivo da ABDIB explica que “apesar do crescimento nos últimos anos, ainda há um hiato de investimento em infraestrutura. Para suprir isso, o país precisaria investir, por ano, por um período de 10 anos, cerca de R$225 bilhões a mais do que investe hoje”.  

PPPs e Concessões 

O resultado dessa edição, quanto ao potencial de aproveitamento dos entes federativos em relação a PPPs e concessões, traz um equilíbrio maior em relação ao começo do ano. No aspecto federal, a União teve um pequeno avanço, fazendo com que percepção favorável agregada (sim, parcialmente e sim, totalmente) passasse de 53,2% para 54,6%, impulsionada pelo avanço da avaliação de aproveitamento parcial, que subiu de 46,4% para 48,5%.  

“Ainda assim, o patamar federal permanece inferior ao observado nos Estados, reforçando a leitura de que a esfera estadual continua sendo percebida como a principal referência na atração e estruturação de investimentos privados por meio de concessões e PPPs”, afirma Gusmão. E os municípios continuam como o principal gargalo federativo: 74,0% dos respondentes avaliam que esse potencial é pouco ou nada aproveitado, reforçando a necessidade de maior capacidade de estruturação de projetos em nível local. 

A segurança jurídica segue, em sua maioria, com perspectivas positivas. Segundo o executivo, “o predomínio das avaliações "regular" e "boa" indica um ambiente percebido como relativamente estável para investimentos em concessões e PPPs, embora ainda distante de uma visão amplamente positiva sobre a segurança jurídica do setor”.  

Fatores de risco e maior cautela 

A agenda do setor de infraestrutura vem sofrendo de forma mais explícita os efeitos da instabilidade geopolítica sobre petróleo, logística, inflação, juros, câmbio, cadeias de suprimento e comércio internacional, eleições e reforma tributária. “Essa nova conjuntura internacional e nacional insere fatores de risco que devem ser incorporados às estratégias de investimento, financiamento e execução contratual do setor”, ressalta Gustavo.  

Enquanto a instabilidade no Oriente Médio aumenta a sensibilidade dos projetos à volatilidade do petróleo, com efeitos sobre combustíveis, fretes e cadeias de suprimento, a combinação entre inflação resistente, juros elevados e incerteza externa tende a encarecer o financiamento de longo prazo. “Para infraestrutura, isso significa maior pressão sobre o custo médio de capital, tarifas, contraprestações públicas, outorgas e necessidade de estruturas de funding mais robustas”, aponta Tadini. “Sem contar os aspectos internos, como Reforma Tributária, marcos regulatórios, política fiscal, segurança jurídica, dentre outros fatores que o setor também precisa administrar”, completa.  

Quando questionados sobre o impacto do conflito no Oriente Médio na logística e preço do petróleo, a avaliação de médio impacto foi a mais recorrente, com 43,9% das respostas, seguida por 20,3% que apontaram alto impacto. Assim, 64,2% dos respondentes indicam algum grau relevante de exposição dos negócios aos efeitos associados ao petróleo e à logística. 

Além disso, a percepção sobre os efeitos do maior protecionismo e da guerra comercial, especialmente vindos dos EUA, também indica um ambiente de atenção. 38% avalia que esse movimento gera médio impacto sobre os seus negócios, enquanto 20,9% apontam alto impacto. Somadas, essas respostas indicam que 58,9% dos agentes percebem impactos relevantes decorrentes da reorganização das relações comerciais internacionais. 

Já a Reforma Tributária deixou de ser apenas uma preocupação regulatória futura e passou a integrar a agenda operacional e contratual das empresas. 62% dos entrevistados afirmaram que suas empresas já estão estudando os impactos da reforma em seus contratos. Enquanto isso, 13,4% informaram não terem iniciado essa avaliação, mas pretendem iniciar ainda em 2026. Já 7% indicaram que a análise deve começar somente em 2027 ou posteriormente. Gusmão comenta que “ainda tiveram mais de 17% que não souberam responder, o que reforça a assimetria de maturidade entre os agentes na preparação para os impactos da nova estrutura tributária sobre os contratos de concessão”.  

Outro aspecto importante da agenda interna do país é a eleição. Considerando o cenário de vitória de um candidato de oposição ao atual governo, 43,9% avaliam que esse resultado eleitoral deve impactar positivamente os investimentos. Ainda assim, 26,2% dos participantes indicam expectativa de impacto negativo, enquanto 23% avaliam que não haveria impacto relevante, com manutenção do nível atual de investimentos.  

Já considerando o cenário de continuidade do governo atual, o viés de cautela permanece significativo. Dos participantes, 31% entendem que a reeleição do atual governo poderia impactar negativamente o volume de investimentos. 

Independentemente disso, a Agenda Fiscal e Tributária apareceu como principal tema para o próximo mandato federal, com 44,4% das respostas. Para Gusmão, “isso indica que a previsibilidade macroeconômica, a sustentabilidade fiscal e a clareza tributária permanecem como condições centrais para a expansão dos investimentos no setor de infraestrutura”.  

Já no recorte específico da infraestrutura, a prioridade mais citada foi a ampliação de programas de concessão e PPPs do Governo Federal com 26,2%. Em seguida, aparece a demanda por maior segurança jurídica nos contratos com 24,6%, novas alternativas de financiamento para o setor com 20,9%, tendo 16,6% indicado a ampliação do apoio a programas de concessão e PPPs subnacionais e 11,2% mencionado a celeridade nos processos de licenciamento ambiental. 

Setores para investimentos 

O setor de Saneamento Básico manteve a liderança nas intenções de investimento para os próximos três anos, com 50,4%, seguido por Rodovias que também permaneceu na segunda posição, com 45,7%, apesar de leve recuo frente aos 47,8% registrados na edição anterior. O principal movimento desta edição foi o avanço de Ferrovias, que passou de 32,8% para 40,9%, assumindo a terceira posição e superando Energia Elétrica, que recuou de 38,5% para 35,7%.  

“O avanço de Ferrovias pode refletir a crescente relevância da agenda logística para a competitividade da economia brasileira. Devido a uma maior preocupação com eficiência operacional, integração de cadeias produtivas e redução dos custos de transporte, o modal ferroviário tem ganhado espaço no debate sobre ampliação da capacidade logística nacional”, explica Tadini. O executivo ainda finaliza explicando que “além disso, a maturação de projetos estruturados ao longo dos últimos anos e a perspectiva de novas oportunidades de investimento em transporte de cargas podem estar contribuindo para o aumento das expectativas em relação ao segmento ferroviário”.  

Sobre o estudo 

O Barômetro da Infraestrutura Brasileira é um levantamento semestral realizado pela EY-Parthenon, braço de estratégia e transações da EY, uma das principais consultorias e auditorias do mundo, e a ABDIB, Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base, de forma digital, com o objetivo de captar a opinião de gestores, de investidores e de especialistas que apoiam a estruturação de projetos de infraestrutura e identificar o ânimo dos stakeholders a respeito de temas que impactam a realização de investimentos e o desenvolvimento de projetos. 

O Intervalo de captura das respostas, nesta edição, foi de 08/06/2026 a 23/06/2026 e foram captadas 233 respostas.  

Sobre a EY-Parthenon 

Nossa combinação única de estratégia transformadora, transações e finanças corporativas oferece valor no mundo real: soluções que funcionam na prática, não apenas no papel. Beneficiando-nos do espectro completo de serviços da EY, reimaginamos a consultoria estratégica para trabalhar em um mundo de crescente complexidade. Com uma profunda experiência funcional e setorial, combinada com tecnologia inovadora impulsionada por IA e uma mentalidade de investidor, colaboramos com CEOs, conselhos de administração, private equity e governos em cada passo do caminho, permitindo que você molde seu futuro com confiança. 

A EY-Parthenon é uma marca sob a qual várias firmas-membro da EY em todo o mundo oferecem serviços de consultoria estratégica. Para mais informações, visite ey.com/pt_br/services/strategy/parthenon. 

Sobre a ABDIB 

A Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB) atua há sete décadas como uma das principais representantes do setor de infraestrutura no Brasil, contribuindo para o crescimento econômico e o desenvolvimento social por meio da ampliação dos investimentos e do fortalecimento das indústrias de base. 

Entidade privada e sem fins lucrativos, a ABDIB reúne mais de 100 empresas públicas e privadas que participam da estruturação, do financiamento, da implantação e da operação de projetos de infraestrutura em diversos segmentos, como energia, transportes, saneamento, petróleo e gás, infraestrutura social e recursos hídricos. 

Com forte atuação institucional, a ABDIB colabora com agentes públicos e privados na construção de soluções consistentes para viabilizar investimentos, promover a competitividade das empresas brasileiras e ampliar sua presença no mercado global.  Para mais informações: https://www.abdib.org.br/