A inteligência artificial se consolidou entre as principais frentes de investimento corporativo, destaca a nova edição do CEO Outlook, estudo global da EY-Parthenon. Mais de sete em cada dez executivos no Brasil (72%) pretendem elevar investimentos em IA, enquanto 28% planejam mantê-los nos mesmos níveis.
Os resultados já são percebidos nas funções centrais dos negócios. Operações principais ou produção, atendimento e experiência do cliente, além de estratégia e tomada de decisões, aparecem empatados como as áreas em que a tecnologia gera os impactos mais significativos, com 42% das respostas cada. Em seguida, aparecem a cadeia de suprimentos e compras (38%), inovação de produtos ou serviços e vendas e marketing (26% cada), finanças e gestão de riscos (24%) e recursos humanos e gestão da força de trabalho (22%).
À medida que a adoção da IA avança, também aumentam os desafios relacionados à regulamentação. Para 46% dos CEOs, as atuais estruturas regulatórias ampliam os requisitos de conformidade e a complexidade operacional. Outros 30% afirmam que as regras oferecem algum grau de clareza, embora ainda sejam fragmentadas ou estejam em evolução, enquanto 16% consideram que elas fornecem orientações claras para apoiar a estratégia e a inovação. Apenas 6% apontam que a regulamentação limita a inovação ou desacelera o desenvolvimento de produtos, e 2% acreditam que ela é excessivamente restritiva e gera desvantagem competitiva internacional.
Nos próximos três anos, os CEOs esperam que a inteligência artificial transforme suas estratégias de força de trabalho principalmente por meio da qualificação dos profissionais e da adaptação das funções existentes. Entre as prioridades apontadas estão o aumento das contratações para funções ligadas à IA, dados e áreas digitais, com 22%, a requalificação e o aprimoramento em larga escala dos funcionários atuais, com 20%, e o redesenho de funções para combinar capacidades humanas e de IA, também com 20%. A alteração da distribuição geográfica da força de trabalho foi citada por 18% dos entrevistados, enquanto o aumento do uso de talentos temporários ou externos aparece com 16%. Apenas 4% apontam a redução das contratações em determinadas funções como prioridade.
“Observamos uma postura mais cautelosa em relação à infraestrutura tecnológica existente. Embora 76% dos CEOs mantenham uma visão otimista sobre esses investimentos, o percentual é inferior ao registrado para tecnologias emergentes, indicando uma priorização cada vez maior de iniciativas voltadas ao futuro e à geração de valor de longo prazo”, diz Leandro Berbert, sócio de Estratégia e Transações da EY-Parthenon.
Força de trabalho
Apesar do avanço da adoção da IA, as empresas ainda enfrentam desafios relevantes relacionados à gestão de talentos. A principal limitação apontada para a geração de valor por meio da tecnologia é a falta de caminhos de carreira claros em uma organização impulsionada por IA, mencionada por 28% dos respondentes.
Em seguida, aparece a dificuldade de manter a cultura empreendedora durante as transformações impulsionadas pela tecnologia, com 26%. A atração de talentos especializados em IA e as limitações de habilidades em IA e dados na força de trabalho atual foram citadas por 12% cada. Infraestrutura inadequada de treinamento e aprendizado e capacidade insuficiente de liderança para conduzir a mudança aparecem com 8% cada, enquanto a resistência cultural à mudança foi apontada por 6%.
Esta reportagem faz parte da série “IA aplicada aos negócios: Como utilizar essa tecnologia com segurança e governança para gerar inovação”. A inteligência artificial tem sido cada vez mais utilizada pelas empresas para inovar e tornar mais produtivo o dia a dia dos seus negócios. Há, no entanto, diversas dúvidas sobre como desenvolver e operacionalizar esses sistemas evitando os riscos que podem comprometer os resultados financeiros e a reputação das organizações.