No ano passado, os investimentos em infraestrutura no Brasil registraram R$ 280,4 bilhões, o que representou novo recorde da série histórica iniciada em 2010. O crescimento real foi de 3,2% em relação a 2024, com expansão de respectivamente 1,7% e 9,1% dos setores privado e público. Os dados fazem parte da nova edição do Barômetro da Infraestrutura, realizado pela EY-Parthenon em parceria com a Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base).
Mesmo em alta, o investimento está muito atrás de outros países. Isso porque a taxa de investimento, medida pela proporção FBCF/PIB (formação bruta de capital fixo em relação ao PIB), encerrou 2025 em 16,8%, abaixo dos 16,9% observados em 2024. No primeiro trimestre de 2026, o indicador recuou para 16,5% do PIB, sendo que, no mesmo período do ano passado, a taxa foi de 17,8%. Em países como China e Vietnã, por exemplo, os investimentos representam respectivamente 45% e 30% do PIB.
“Apesar do crescimento nos últimos anos, ainda há um hiato de investimento em infraestrutura, especialmente nos setores de transporte/logística e saneamento básico. O país precisa investir anualmente, por um período de dez anos, cerca de R$ 225 bilhões a mais do que investe hoje, e o setor privado não será capaz de suprir sozinho essa necessidade adicional de recursos”, diz Gustavo Gusmão, sócio da EY-Parthenon para Governo e Infraestrutura.
Sendo assim, na avaliação do executivo, é preciso aumentar os investimentos públicos por aplicação direta ou por meio de concessões e PPPs (Parcerias Público-Privadas). “Esse é um dos grandes desafios para a expansão dos investimentos em infraestrutura. A iniciativa privada, que contribuiu com 80% dos investimentos feitos em 2025, continuará sendo a maior responsável por esses esforços, com volume expressivo já contratado e outros bilhões de reais em projetos já em estruturação”, completa.
Desafios econômicos
Há, no entanto, uma série de desafios para esse mercado nos próximos anos causados pelo ambiente econômico. O primeiro semestre deste ano foi marcado pela persistência de um cenário macroeconômico global desafiador, combinando desaceleração da atividade, pressões inflacionárias e incerteza geopolítica.
A economia global voltou a ser testada por choques associados ao conflito no Oriente Médio, à volatilidade nos preços de commodities e à manutenção de tensões comerciais. No Brasil, ao analisar os primeiros três meses do ano, o PIB cresceu 1,1% em relação ao trimestre anterior e 1,8% frente ao mesmo período de 2025, com destaque para o agro, indústrias extrativas, construção civil, consumo das famílias e investimentos.
“O resultado indica resiliência relativa da atividade no início do ano, mas ainda dentro de um quadro de crescimento moderado, impactado por juros elevados, incertezas externas e maior cautela nas decisões de investimento”, observa Gusmão. As projeções para os próximos anos indicam, ainda de acordo com o executivo, ritmo de expansão inferior, sinalizando a necessidade de estímulos ao investimento em infraestrutura.
“O setor de infraestrutura é muito sensível aos juros básicos da economia, motivo pelo qual o ciclo restritivo impõe tantos desafios para a realização dos investimentos. Para que a Selic possa cair, o mercado espera que o governo arrume as contas públicas, controlando o endividamento público que vem crescendo a cada ano”, finaliza.
O Barômetro da Infraestrutura, realizado semestralmente, identifica o ânimo dos empresários e executivos do setor de infraestrutura sobre os temas que impactam a realização de investimentos e o desenvolvimento de projetos. O objetivo é oferecer uma contribuição às autoridades públicas e aos agentes institucionais sobre os caminhos para a promoção do desenvolvimento da infraestrutura. As respostas desta edição foram capturadas entre 8 e 23 de junho.