Setor de infraestrutura avalia conflito no Oriente Médio como médio impacto nos negócios

28 set. 2026

Essa é a percepção de 43,9% dos entrevistados na nova edição do Barômetro da Infraestrutura, realizado pela EY-Parthenon em parceria com a Abdib

Mais de quatro em cada dez empresários e executivos (43,9%) do setor de infraestrutura avaliam o conflito no Oriente Médio como médio impacto nos negócios. Eles foram perguntados especificamente sobre os efeitos para suas empresas do forte impacto causado pela guerra na logística e no preço do petróleo. A segunda resposta mais escolhida pelos entrevistados foi alto impacto nos negócios, com 20,3%. Os dados fazem parte da nova edição do Barômetro da Infraestrutura, realizado pela EY-Parthenon e Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base), cujas respostas foram capturadas entre 8 e 23 de junho.

“Somando as duas respostas, 64,2% dos respondentes indicam grau relevante de exposição dos negócios aos efeitos associados ao petróleo e à logística. Por outro lado, 18,2% dos entrevistados classificam o impacto como baixo, enquanto 10,7% relatam que suas empresas não estão inseridas em setores afetados pelos preços do petróleo”, diz Gustavo Gusmão, sócio da EY-Parthenon para Governo e Infraestrutura. Os resultados, ainda de acordo com o executivo, evidenciam que o choque externo não é homogêneo entre os executivos e empresários do setor, reforçando a relevância dos custos logísticos e energéticos como variáveis críticas para a infraestrutura.

Os entrevistados também foram perguntados sobre como as decisões de investimento das suas empresas serão impactadas por causa dos efeitos decorrentes do conflito sobre a inflação, os juros e a atividade econômica no Brasil e no exterior. A resposta que prevaleceu, com 38%, foi a manutenção dos investimentos no nível anteriormente programado. Na sequência, com 24,6%, veio a opção indicando não saber responder, o que espelha o sentimento de incerteza e impasse decisório que a guerra no Oriente Médio produz. Já 23,5% apontam que os investimentos serão mantidos parcialmente.

“A infraestrutura brasileira passa a operar em um ambiente no qual o risco de projeto já não pode ser avaliado apenas pela ótica doméstica. A nova equação inclui fatores externos de maior volatilidade, como preço do petróleo, estabilidade das rotas logísticas, política comercial dos Estados Unidos, reorganização das cadeias produtivas e maior competição por capital em um cenário global mais incerto”, pontua Gusmão.

A percepção sobre os efeitos do maior protecionismo e da guerra comercial, especialmente vindos dos EUA, também foi medida pelo estudo. A porcentagem que prevaleceu, com 38%, aponta para médio impacto sobre os negócios, enquanto 20,9% indicam alto impacto. “Essas respostas somadas demonstram que 58,9% dos executivos e empresários do setor percebem impactos relevantes decorrentes da reorganização das relações comerciais internacionais”, finaliza o executivo.

Avanço do pessimismo

O setor de infraestrutura está menos otimista com o crescimento econômico do Brasil nos próximos seis meses. Do último semestre do ano passado para o primeiro de 2026, ainda segundo o Barômetro da Infraestrutura, o avanço do pessimismo foi superior a quatro pontos percentuais, tendo saído de 22,1% para 26,5%. Entre os otimistas, a queda foi de sete pontos percentuais nesse mesmo período: de 27,1% para 20,1%. A estabilidade predomina, com 53% dos respondentes – alta de 2,2 pontos percentuais.

A consequência disso também é mensurada pelo Barômetro, que aponta recuo relevante da percepção favorável a investimentos em infraestrutura nos próximos seis meses. Após atingir 54,2% no segundo semestre de 2025, a avaliação favorável caiu para 37,8% no primeiro semestre de 2026, interrompendo a trajetória de recuperação da edição anterior. A queda da percepção favorável foi acompanhada pelo avanço das avaliações desfavoráveis (30,9%) e neutras (30,4%).

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