A força de trabalho humana demonstra entusiasmo para atuar ao lado de agentes de inteligência artificial, mas as empresas correm o risco de desperdiçar esse potencial. De acordo com o primeiro levantamento da EY sobre o impacto da força de trabalho híbrida, 84% dos funcionários afirmam estar dispostos a abraçar a IA agêntica em seu cotidiano.
Em contrapartida, 56% temem pela segurança dos seus empregos diante dessas ferramentas e 61% relatam sobrecarga devido ao volume de informações em torno do tema. O estudo mapeou o comportamento de 1,1 mil colaboradores nos Estados Unidos, todos atuantes em organizações com faturamento anual superior a US$ 1 bilhão, distribuídas em seis verticais de mercado.
Os dados demonstram que a barreira para o avanço da tecnologia não é a falta de vontade dos colaboradores, mas a forma como as companhias estruturam a transição. Nas organizações onde a estratégia de IA agêntica é transmitida de maneira clara, 92% dos profissionais relatam ganhos de produtividade em suas equipes – 30 pontos percentuais acima do observado em empresas sem essa comunicação. Contudo, há um ruído hierárquico perceptível: 21% dos colaboradores abaixo do nível de vice-presidência apontam que suas empresas não comunicaram o plano com transparência, ante apenas 9% dos líderes do escalão VP ou superior que relatam o mesmo problema.
O gargalo se replica na preparação das equipes. Embora 89% dos trabalhadores considerem o reskilling indispensável para se manterem relevantes no mercado, apenas 52% dos líderes seniores afirmam contar com um programa de capacitação plenamente implementado. Como resultado dessa lacuna, a qualificação tornou-se informal: 85% dos funcionários estão aprendendo a interagir com agentes de IA fora do expediente de trabalho, por conta própria, e 83% declaram que a maior parte do seu conhecimento sobre a tecnologia deriva exclusivamente do autodidatismo.
A insegurança da liderança e o recorte geracional
A incerteza gerada pela chegada dos agentes atinge a gestão de forma severa. Entre os profissionais que gerenciam equipes: 53% duvidam da própria aptidão para supervisionar times híbridos (formados por humanos e sistemas sintéticos); 82% avaliam que comandar agentes tornará as atribuições do cargo mais complexas e difíceis; e 63% dos colaboradores que ainda não ocupam postos de comando relutam em buscar cargos de liderança em decorrência dessa incerteza.
O levantamento também identificou diferenças expressivas na forma como cada geração encara a transformação. Os Baby Boomers apresentam o domínio prático mais consolidado da tecnologia, somando 80%. A Geração X é a que mais aposta em modelos colaborativos, com 93% classificando a supervisão mista de humanos e agentes como “o melhor dos dois mundos”. Os Millennials figuram como a faixa etária mais preocupada, totalizando 72% de apreensão. A Geração Z lidera a expectativa de disrupção, com 88% acreditando que sua função no trabalho mudará por completo com a introdução dos agentes, contra 77% entre os Millennials.
Esta é uma adaptação de conteúdo publicado inicialmente no The Shift. No próximo artigo, mostraremos como as empresas podem lidar com esses desafios de integração da IA ao dia a dia para que sejam bem-sucedidas nesse processo.