Cai otimismo do setor de infraestrutura em relação ao crescimento econômico do país

05 out. 2026

Do último semestre do ano passado para o primeiro de 2026, a queda foi de sete pontos percentuais, de acordo com estudo da EY-Parthenon e da Abdib

O setor de infraestrutura está menos otimista em relação ao crescimento econômico do Brasil nos próximos seis meses. Do último semestre do ano passado para o primeiro de 2026, a queda entre os otimistas foi de sete pontos percentuais: de 27,1% para 20,1%. Já o avanço do pessimismo foi superior a quatro pontos percentuais, tendo saído de 22,1% para 26,5% nesse mesmo período, de acordo com a nova edição do Barômetro da Infraestrutura, realizado pela EY-Parthenon em parceria com a Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base). A estabilidade predomina, com 53% dos respondentes – alta de 2,2 pontos percentuais.

O Barômetro da Infraestrutura, realizado semestralmente, identifica o ânimo dos empresários e executivos do setor sobre os temas que impactam a realização de investimentos e o desenvolvimento de projetos. O objetivo é oferecer uma contribuição às autoridades públicas e aos agentes institucionais sobre os caminhos para a promoção do desenvolvimento da infraestrutura. As respostas foram capturadas entre 8 e 23 de junho.

“Embora a estabilidade siga predominante, os dados apontam para arrefecimento do otimismo e aumento moderado da percepção de risco entre os entrevistados”, diz Gustavo Gusmão, sócio da EY-Parthenon para Governo e Infraestrutura. É determinante para essa percepção, na avaliação dele, o momento de incerteza do mercado em relação à capacidade do governo de controlar o endividamento público. “Isso se reflete na manutenção pelo Banco Central das taxas de juros ainda restritivas, o que desacelera os investimentos em infraestrutura”, completa. 

A economia brasileira encerrou 2025 com crescimento mais moderado do que nos anos anteriores, enquanto a inflação oficial fechou o ano em 4,26%, abaixo do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. Este ano permanece com inflação ainda pressionada por causa, além dos fatores nacionais como o déficit público, da guerra entre Estados Unidos e Irã, o que eleva a cotação do petróleo.

Investimentos

A consequência disso também é mensurada pelo Barômetro, que aponta recuo relevante da percepção favorável a investimentos em infraestrutura nos próximos seis meses. Após atingir 54,2% no segundo semestre de 2025, a avaliação favorável caiu para 37,8% no primeiro semestre de 2026, interrompendo a trajetória de recuperação observada na edição anterior.

A queda da percepção favorável foi acompanhada pelo avanço das avaliações desfavoráveis (30,9%) e neutras (30,4%). As desfavoráveis cresceram mais de dez pontos percentuais. “O resultado sugere ambiente mais cauteloso entre os agentes econômicos, em que a expectativa de continuidade dos investimentos permanece, mas com menor convicção quanto às condições de novos projetos”, finaliza Gusmão.

Termos de Uso

O material publicado pela Agência EY pode ser reproduzido de maneira gratuita desde que sejam colocados os créditos para a Agência EY e respeitados os termos de uso. Mais informações pelo e-mail ey@fsb.com.br.