As ferrovias assumiram a terceira posição no ranking do Barômetro da Infraestrutura de intenção de investimentos do setor nos próximos três anos, recebendo 40,9% das respostas, atrás apenas de rodovias, com 45,7%, e saneamento básico, com 50,4%. As respostas desse estudo realizado pela EY-Parthenon e Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base) foram capturadas entre 8 e 23 de junho, refletindo a opinião dos executivos e empresários do setor.
“Ao comparar com a edição do segundo semestre de 2024, o crescimento é superior a 16 pontos percentuais, o que demonstra que as ferrovias entraram de fato no radar dos investimentos do setor”, diz Gustavo Gusmão, sócio da EY-Parthenon para Governo e Infraestrutura. Ainda segundo o executivo, a ascensão de um modal alternativo às rodovias já passou da hora no Brasil, considerando principalmente momentos como o de agora de elevação da cotação do petróleo, o que aumenta os custos de transporte, contribuindo assim para gerar pressão inflacionária.
O avanço das ferrovias reflete a crescente relevância da agenda logística para a competitividade da economia brasileira. Em um contexto de maior preocupação com eficiência operacional, integração de cadeias produtivas e redução dos custos de transporte, o modal ferroviário tem ganhado espaço no debate sobre ampliação da capacidade logística nacional. “Além disso, a maturação de projetos estruturados ao longo dos últimos anos e a perspectiva de novas oportunidades de investimento em transporte de cargas podem estar contribuindo para o aumento das expectativas em relação ao segmento ferroviário”, observa Gusmão.
Já o saneamento básico, considerando as últimas quatro edições, aparece em primeiro lugar em três. Entre os motivos para isso está a necessidade de elevados investimentos nesses projetos, que, de acordo com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) Hub de Projetos, vão demandar R$ 332 bilhões para viabilizar as metas legais de universalização até 2033. Ainda de acordo com o BNDES, projetos de água e esgoto estruturados ou em estruturação em sete estados somam R$ 83 bilhões em investimentos previstos e devem beneficiar 29,5 milhões de pessoas, reforçando a centralidade do setor na agenda de infraestrutura.
Por fim, as rodovias, que lideraram o ranking no primeiro semestre do ano passado e ficaram em segundo nos últimos seis meses de 2025, voltaram a ficar na vice-colocação. As rodovias têm liderado a agenda de concessões e PPPs (Parcerias Público-Privadas), atraindo investimentos em contratos federais e estaduais que ampliam sua capacidade e melhoram a segurança oferecida aos usuários.
Nesse contexto, têm se destacado as chamadas concessões otimizadas, modelo criado pelo governo federal para o aproveitamento de contratos de rodovias que estavam com algum problema com a concessionária responsável, evitando assim o abandono das obras e disputas na Justiça. Em vez de cancelar o contrato de uma concessionária que não estava conseguindo cumprir suas obrigações contratuais e passar anos em brigas judiciais, o governo, com o aval do TCU (Tribunal de Contas da União), renegocia os termos com a empresa em questão, repactuando e modernizando o contrato anteriormente firmado.
Viabilização dos investimentos
A percepção sobre a efetividade da atuação dos governos como agentes viabilizadores de investimentos em infraestrutura manteve-se estável na nova edição do Barômetro da Infraestrutura. O governo federal registrou nota 6, ante 6,1 na edição anterior, enquanto os governos estaduais permaneceram na liderança, com 6,2, levemente abaixo dos 6,3 observados no segundo semestre de 2025.
“Há, portanto, uma percepção equivalente em relação aos governos estaduais e federal, mantendo o comportamento já observado no segundo semestre do ano passado”, observa Gusmão. Os governos municipais mantiveram nota 4,5, preservando distância relevante na comparação com os demais entes federativos e reforçando a leitura de menor protagonismo municipal nas decisões importantes para promoção de investimentos.