Os empresários e executivos do setor de infraestrutura consideram que o maior potencial para concessões e PPPs (Parcerias Público-Privadas) ocorrerem nos próximos seis meses está nos governos estaduais. Em uma nota de zero, que significa nenhum potencial, e dez, que representa muito potencial, os respondentes deram 5,9, de acordo com a nova edição do Barômetro da Infraestrutura, estudo realizado pela EY-Parthenon em parceria com a Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base). As respostas foram capturadas entre 8 e 23 de junho.
“Ainda que tenha permanecido em primeiro lugar, o que tem sido observado em todas as últimas edições, o desempenho vem caindo. Na última edição, registrou 6,6 pontos, empatando na primeira posição com o governo federal, que também sofreu uma queda – até mais expressiva – de um ponto na nota”, diz Gustavo Gusmão, sócio da EY-Parthenon para Governo e Infraestrutura.
Ainda segundo o executivo, ambas as quedas podem estar relacionadas com a percepção de que o período eleitoral afeta a agenda de concessões e PPPs desses entes federativos nos próximos seis meses. “Em relação aos municípios, que não sofrem o impacto do período eleitoral neste ano, a nota continua em uma média historicamente inferior, ainda que com leve avanço de 5,1 para 5,2”, completa.
Pergunta relacionada a essa feita para os entrevistados foi sobre o quanto cada ente federativo precisa se esforçar nos próximos seis meses para a promoção de investimentos em infraestrutura. O governo federal registrou nota 8,2, ante 8,3 na edição anterior, mantendo-se como a esfera com maior exigência de esforço adicional. Governos municipais e estaduais também recuaram respectivamente para 8,1 e 7,9.
“Apesar da queda, os resultados permanecem em patamares elevados, próximos da nota máxima de dez, indicando que os agentes econômicos ainda percebem ampla necessidade de atuação adicional de todas as esferas de governo. Esse esforço é central para viabilizar o engajamento da iniciativa privada”, finaliza Gusmão.
Investimento em alta, mas ainda insuficiente
No ano passado, ainda de acordo com o Barômetro da Infraestrutura, os investimentos em infraestrutura no Brasil registraram R$ 280,4 bilhões, o que representou novo recorde da série histórica iniciada em 2010. O crescimento real foi de 3,2% em relação a 2024.
Mesmo em alta, o investimento está muito atrás de outros países. Isso porque a taxa de investimento, medida pela proporção FBCF/PIB (Formação Bruta de Capital Fixo em relação ao PIB), encerrou 2025 em 16,8%, abaixo dos 16,9% observados em 2024. No primeiro trimestre de 2026, o indicador recuou para 16,5% do PIB, sendo que, no mesmo período do ano passado, a taxa foi de 17,8%. Em países como China e Vietnã, por exemplo, os investimentos representam respectivamente 45% e 30% do PIB.