Setor de infraestrutura avalia que governos podem fazer mais por concessões e PPPs

06 out. 2026

Executivos e empresários consideram que há espaço para União e Estados fazerem mais pela promoção de investimentos por meio desses instrumentos de parceria com a iniciativa privada, de acordo com a nova edição do Barômetro da Infraestrutura

Quase seis em cada dez executivos (57,1%) do setor de infraestrutura consideram que há espaço para fazer mais dentro dos limites constitucionais quando perguntados sobre como avaliam o apoio da União para a promoção de investimentos no setor por meio de concessões e PPPs (Parcerias Público-Privadas) em Estados e Municípios. Já 60,2% têm esse mesmo entendimento em relação ao apoio dos Estados para a promoção de investimentos em infraestrutura nos Municípios por meio desses instrumentos de parceria com a iniciativa privada. Esses dados fazem parte da nova edição do Barômetro da Infraestrutura, realizado pela EY-Parthenon em parceria com a Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base).

“Há uma demonstração clara de que o capital privado está disposto a investir no setor de infraestrutura desde que haja uma contribuição mais efetiva por parte dos governos”, diz Gustavo Gusmão, sócio da EY-Parthenon para Governo e Infraestrutura. “Para isso, é preciso que estejam presentes as seguintes condições: previsibilidade, segurança jurídica e projetos bem estruturados que chamem a atenção da iniciativa privada. Os projetos precisam ser viáveis economicamente”, completa.

A percepção, aliás, sobre o grau de segurança jurídica para investimentos em concessões e PPPs no segmento de infraestrutura manteve-se concentrada nas avaliações “regular” e “boa”, que alcançaram, respectivamente, 42,1% e 33,3% das respostas no primeiro semestre de 2026. Em conjunto, essas avaliações somaram 75,4%, o maior patamar desde o primeiro semestre de 2022, indicando maior convergência das percepções em torno de uma visão intermediária a favorável da segurança jurídica no setor.

Há novas ferramentas disponíveis para garantir investimentos, como a modalidade de concorrência chamada “diálogo competitivo”, considerada mais assertiva na atração da iniciativa privada. Embora já prevista em lei desde 2021, ela ainda tem bastante potencial para ser adotada pelos governos, especialmente em casos nos quais a complexidade de um projeto de infraestrutura é muito alta. 

Nessa modalidade, as empresas participam de uma fase de discussão técnica antes das licitações, colaborando com estudos prévios e de estruturação dos projetos. “O objetivo é dar previsibilidade e segurança aos investidores em relação à viabilidade técnica e financeira dessas obras, além de melhorar a qualidade dos projetos colocados em leilão, reduzindo assim os riscos de execução como atraso ou falta de conclusão”, diz Paulo Uebel, sócio da EY Brasil para governo e setor público.

União se aproxima dos Estados

Ainda de acordo com o Barômetro da Infraestrutura, cresceu a parcela que considera que a União aproveita o potencial que existe a nível federativo para a realização de investimentos por meio de concessões e PPPs. A percepção favorável agregada, que reúne aproveitamento total e parcial, passou de 53,2% para 54,6%, impulsionada pelo avanço da avaliação de aproveitamento parcial, que subiu de 46,4% para 48,5%. 

Ainda assim, os Estados permanecem como o ente federativo com maior percepção de aproveitamento do potencial, embora com perda de intensidade em relação à edição anterior. No primeiro semestre de 2026, a soma das respostas “sim, totalmente” e “sim, parcialmente” alcançou 60,8%, ante 64,4% no segundo semestre de 2025. “O resultado aponta para leitura mais equilibrada do que no estudo anterior: os Estados seguem à frente, mas com recuo na percepção positiva, enquanto a União avança. Em ambos os casos, continua relevante o percentual de baixo ou nenhum aproveitamento do potencial, indicando espaço para aprimorar a estruturação e promoção de projetos”, finaliza.

O Barômetro da Infraestrutura, realizado semestralmente, identifica o ânimo dos empresários e executivos do setor de infraestrutura sobre os temas que impactam a realização de investimentos e o desenvolvimento de projetos. O objetivo é oferecer uma contribuição às autoridades públicas e aos agentes institucionais sobre os caminhos para a promoção do desenvolvimento da infraestrutura. As respostas desta edição foram capturadas entre 8 e 23 de junho.

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