Inteligência artificial continua atraindo capital
Outro destaque do trimestre é a consolidação da inteligência artificial como um dos principais vetores de investimento do mercado.
Os ativos relacionados à IA continuam atraindo atenção significativa de investidores, seja por seu potencial de transformação operacional, seja pela capacidade de criação de novos modelos de negócio. O interesse crescente por empresas classificadas como AI-Enabled ou AI-First aparece de forma consistente entre as principais rodadas do período.
Entre os maiores investimentos de equity do trimestre estão empresas como Enter, Pax, Jota e CodeJobs, várias delas posicionadas em segmentos altamente impactados pela adoção de inteligência artificial.
A tendência reforça uma mudança de percepção do mercado: a IA deixa de ser vista apenas como diferencial tecnológico e passa a ser considerada infraestrutura estratégica para crescimento, eficiência e competitividade.
Crédito alternativo e infraestrutura financeira ganham relevância
Além da inteligência artificial, o relatório destaca o fortalecimento de soluções ligadas à infraestrutura financeira e crédito alternativo. Como analisado, essas verticais seguem atraindo capital e sustentando parcela relevante da atividade de investimentos no país.
Boa parte do crescimento do trimestre foi impulsionada por operações estruturadas de grande porte, com destaque para a captação de US$ 1,07 bilhão da CloudWalk via FIDC — a maior captação desse tipo já registrada no Brasil. Também se destacaram operações envolvendo Meu Tudo, iCred e Sol Agora, reforçando a importância crescente desse instrumento para financiamento de empresas de tecnologia e serviços financeiros.
O papel estratégico das corporações continua evoluindo
Embora o trimestre tenha apresentado redução na participação corporativa em investimentos, as corporações seguem desempenhando papel relevante na evolução do ecossistema.
A participação corporativa respondeu por aproximadamente US$ 70,1 milhões do volume total investido, equivalente a 4% do mercado no período.
Mais importante do que o volume investido, porém, é a forma como as empresas estão utilizando inovação aberta para acelerar estratégias de crescimento e fortalecimento de ecossistemas.
Observa-se um movimento crescente de consolidação por parte de empresas que buscam ampliar capacidades por meio de aquisições estratégicas e investimentos direcionados. Companhias como Visma, Evertec, Senior, iFood e Sankhya aparecem como exemplos dessa estratégia de fortalecimento de plataformas e expansão de ofertas.
As transações de M&A registradas no trimestre confirmam essa tendência. Foram contabilizadas 31 operações envolvendo startups brasileiras, das quais seis contaram com participação corporativa. Entre os destaques estão as aquisições da Salú pela Senior Sistemas, da BBChain pela Evertec, da Dootax e Pag Útil pela Visma, além da aquisição da Get In pelo iFood.
Open Innovation como mecanismo de geração de valor
Outro indicador relevante é o aumento dos casos de contratação de startups por grandes empresas, evidenciando a maturidade crescente da agenda de inovação aberta.
Durante o trimestre, iniciativas envolvendo Anglo American, ENGIE e Cemig demonstraram como tecnologias desenvolvidas por startups estão sendo aplicadas diretamente em operações corporativas para geração de eficiência, automação de processos e melhoria de tomada de decisão.
Esse movimento reforça uma mudança importante na lógica da inovação corporativa. Mais do que realizar provas de conceito isoladas, as organizações buscam resultados mensuráveis e impacto operacional concreto.
Perspectivas para os próximos trimestres
A leitura do mercado para os próximos meses permanece positiva, embora marcada por disciplina e seletividade.
A expectativa é de continuidade da busca por escala, fortalecimento de ecossistemas e realização de transações estratégicas, especialmente nos segmentos de software, infraestrutura financeira e inteligência artificial.
Nesse contexto, Corporate Venture Capital e Inovação Aberta tendem a assumir papel cada vez mais integrado às estratégias de crescimento das organizações. O foco deixa de ser apenas acompanhar tendências emergentes e passa a ser criar vantagens competitivas sustentáveis por meio da combinação entre tecnologia, capital e capacidade de execução. Em um contexto de mercado volátil e de elevado custo de capital, o crescimento é direcionado com disciplina na decisão de capital e execução à frente da expansão a qualquer custo. O M&A continua na agenda, mas essa passa a ser mais criteriosa, com o foco em valorizar mais a capacidade estratégica que o ativo agrega: sinergias, gestão, tecnologia e escala qualificada.
Em um mercado onde o capital se torna mais seletivo, a diferenciação passa a depender menos do acesso a recursos financeiros e mais da capacidade de transformar inovação em valor tangível para clientes, acionistas e para o negócio como um todo.