Barras de metal em formato de triângulos

CEO Outlook Survey: novos caminhos para navegar as incertezas

Lideranças executivas continuam otimistas, aceleram investimentos em IA e ampliam preocupação com cibersegurança


Em resumo

  • Confiança mais seletiva: o otimismo dos CEOs com o futuro do seu próprio setor recuou para 88% (ante 92% em pesquisas anteriores), enquanto a percepção sobre a economia global subiu de 68% para 70%.
  • Cibersegurança é o principal risco: pela primeira vez, ameaças cibernéticas e de privacidade de dados assumem o primeiro lugar entre as preocupações empresariais (50%), superando incertezas geopolíticas e volatilidade macroeconômica.
  • Aceleração no investimento em IA: 73% das organizações planejam elevar aportes em Inteligência Artificial em 2026 (eram 43% na edição anterior do estudo), focando em ganhos operacionais, qualidade e experiência do cliente.
  • Apetite por M&A em expansão: 36% dos CEOs pretendem buscar ativamente fusões e aquisições nos próximos 12 meses, impulsionados pela busca por alinhamento estratégico de longo prazo.

As turbulências do ambiente de negócios e a aceleração digital exigem que as lideranças executivas combinem visão de longo prazo e adaptabilidade contínua. Elaborado pela EY-Parthenon em colaboração com a FT Longitude, divisão de pesquisa do Financial Times Group, o EY-Parthenon CEO Outlook Survey analisou as perspectivas estratégicas e as prioridades operacionais dos principais CEOs no Brasil e no mundo. Como resultado, ficou claro que os executivos estão equilibrando resiliência financeira e investimentos em inovação e reorganização de ativos.

Nesse sentido, investimentos em tecnologia acontecem com o olhar no futuro e geram confiança, enquanto os desafios relacionados a pessoas, arquitetura de tecnologia atual e o ambiente operacional continuam trazendo preocupações no presente. A tônica entre os CEOs de empresas brasileiras é de otimismo moderado, mas com aumento das avaliações neutras em relação ao início de 2026.

Qual é o seu nível de confiança em relação às perspectivas da sua empresa para as seguintes áreas nos próximos 12 meses?

2608 CEO Outlook Survey - Gráficos

A confiança dos líderes empresariais vem passando por maturação e recalibragem. Os dados da nova rodada do CEO Outlook Survey mostram mais disciplina na alocação de recursos e um otimismo maior em relação às ações relacionadas à operação do negócio. A percepção positiva dos CEOs brasileiros em relação ao seu setor de atuação recuou de 92% para 88%, o que continua sendo bastante favorável, enquanto a confiança na economia global manteve-se em 76%, mas com menos executivos muito otimistas. Esse movimento reflete o aumento do foco dos líderes de negócios em suas prioridades comerciais e nas ações sob controle direto da gestão.

Os executivos demonstram convicção na resiliência dos fundamentos de suas empresas, avaliando de forma positiva sua capacidade de inovação, retenção de talentos e rigor financeiro. Por outro lado, pressões externas, como o custo dos insumos, a volatilidade da inflação e os desafios para repassar aumentos de custos ao cliente final, exigem cautela constante e inibem um otimismo exagerado. Outra consequência é a busca por ações de execução imediata e diferenciação competitiva, em vez de planos de expansão agressivos.

Qual é o seu nível de confiança em relação às perspectivas da sua empresa para as seguintes áreas nos próximos 12 meses?

2608 CEO Outlook Survey - Gráficos

Cibersegurança no topo dos riscos

Em uma reordenação importante da lista de preocupações empresariais, as ameaças à cibersegurança e à privacidade de dados subiram para o topo da matriz de riscos corporativos para os próximos 12 meses, sendo consideradas prioridade máxima por 26% dos CEOs brasileiros. O tema ocupava posições secundárias nas edições anteriores do estudo, mas ganhou prioridade com a digitalização dos processos operacionais e a sofisticação dos ataques à infraestrutura de dados. Conflitos geopolíticos e instabilidades macroeconômicas continuam sendo preocupações relevantes, mas aparecem abaixo da urgência quanto à proteção digital.

Na sua opinião, quais os riscos mais significativos para o seu negócio nos próximos 12 meses?

2608 CEO Outlook Survey - Gráficos

Para lidar com os riscos de segurança digital, as empresas não paralisaram suas agendas de expansão, optando por fortalecer sua estrutura de defesa e produtividade. A adaptação estratégica das companhias concentra-se em aspectos como:

  • Preservação de capital e disciplina financeira: uma parcela considerável das organizações prioriza o fortalecimento da resiliência financeira, com foco no uso de tecnologia para aumentar a produtividade (28%), refinanciamento ou acesso a capital (24%) e preservação/fortalecimento do fluxo de caixa (12%).
  • Expansão de parcerias estratégicas: formação de alianças corporativas e joint ventures para reduzir riscos operacionais e acelerar inovações, item citado por 16% dos CEOs entrevistados.
  • Capacitação da força de trabalho: aceleração da produtividade interna por meio do treinamento contínuo e da adoção de tecnologias emergentes (especialmente a Inteligência Artificial).

Inteligência Artificial no núcleo da estratégia corporativa

A Inteligência Artificial consolidou sua transição de projetos-piloto pontuais para o centro das estratégias corporativas. Segundo o CEO Outlook Survey, 72% dos líderes empresariais confirmam que ampliarão os investimentos em IA em 2026 em comparação com o ano anterior – e 28% manterão o orçamento de 2025. O capital alocado em IA é direcionado a quatro objetivos estratégicos: ganho de eficiência operacional, aumento da qualidade dos serviços, desenvolvimento de novos modelos de negócios e modificação da estrutura de custos da empresa.

Atualmente, os CEOs relatam resultados mensuráveis gerados pela IA, com maior impacto percebido na excelência do atendimento e experiência do cliente (Customer Experience), na otimização de operações produtivas e no suporte à tomada de decisões estratégicas (todas com 42% de respostas positivas). Apesar disso, a principal limitação para extrair valor pleno da IA não é a atração de especialistas externos, mas a prontidão organizacional. O sucesso das iniciativas depende do redesenho de cargos, da clareza nos caminhos de carreira e da preparação da cultura interna para a convivência entre inteligência humana e artificial.

Em quais áreas a IA atualmente está gerando os maiores resultados para o negócio em sua organização?

2608 CEO Outlook Survey - Gráficos

Expansão com foco interno

O apetite por movimentações de portfólio e transações corporativas mantém-se aquecido. Metade dos CEOs brasileiros pretendem buscar fusões e aquisições (M&A) nos próximos 12 meses e 52% querem buscar joint-ventures. Ao analisar potenciais compras, parcerias ou vendas de ativos, o alinhamento estratégico com os objetivos de crescimento de longo prazo se coloca como o filtro primário de decisão, superando métricas puramente financeiras, como valuation ou sinergias de curto prazo.

Para os executivos brasileiros, o mercado interno continua sendo uma grande oportunidade de expansão: o país é o principal destino de capital para os próximos 12 meses, à frente dos Estados Unidos, Argentina, Canadá e França.

Conclusões

O estudo EY-Parthenon CEO Outlook Survey mostra que, para navegar em um ambiente de alta incerteza, as empresas precisam combinar resiliência interna e alocação seletiva de capital. Este cenário indica três pontos essenciais para o sucesso das empresas: foco em disciplina para gerar rentabilidade (em que a prioridade se desloca do crescimento acelerado para a expansão sustentável com preservação de caixa), integração da Inteligência Artificial às funções de negócios (redesenhando cargos e requalificando equipes) e gestão ativa de riscos e oportunidades para garantir vantagem competitiva sustentável.

Nesse sentido, a liderança do Brasil no ranking de destino de investimentos pode sinalizar uma janela importante de oportunidades para investimentos estratégicos e expansão no mercado nacional.

Resumo

A mais recente edição do EY-Parthenon CEO Outlook Survey revela um momento de mudança nas tomadas de decisão dos executivos globais. Embora o sentimento dos líderes empresariais permaneça predominantemente positivo, a confiança tornou-se visivelmente mais disciplinada e seletiva. Os CEOs estão mais focados nas prioridades comerciais de suas empresas, fortalecendo a resiliência do balanço, mitigando riscos cibernéticos crescentes e investindo em Inteligência Artificial para gerar benefícios mensuráveis para os negócios. Ao mesmo tempo, a agenda de transações (M&A e parcerias) reativa-se no Brasil, tendo o mercado interno como destino prioritário de investimentos.

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