De acordo com o Barômetro de Confiança 2020 da Edelman , 80% m das pessoas espera que as marcas “resolvam os problemas da sociedade”. Enquanto isso, nos Estados Unidos, a JUST Capital constatou que 89% dos americanos concordaram que a crise da COVID-19 “é uma oportunidade para as grandes empresas reiniciarem suas atividades e se concentrarem em agir da maneira correta em relação aos seus funcionários, clientes, comunidades e ao meio ambiente”. Em resposta a isso, os CEOs têm enfrentado uma pressão cada vez maior para liderar uma reavaliação do sentido e do propósito dos negócios.
De acordo com uma pesquisa realizada pela EY-Parthenon, 66% e dos executivos de alto escalão e membros de conselhos de administração europeus acredita que a COVID-19 aumentou as expectativas das stakeholders de que as empresas promovam impacto social, sustentabilidade ambiental e crescimento inclusivo, bem como a necessidade de medir e divulgar informações sobre essas questões.
A importância da confiança ressalta a necessidade de os CEOs e CFOs repensarem a prestação de contas corporativas: uma maior transparência é, atualmente, fundamental para que as empresas possam construir e fortalecer a confiança com suas stakeholders. Embora a natureza dos relatórios corporativos não tenha mudado fundamentalmente ao longo de décadas, o mundo mudou consideravelmente nesse período. Atualmente, as empresas estão sob pressão de suas stakeholders para que sejam mais transparentes sobre o que fazem e como o fazem. No entanto, as stakeholders não confiam necessariamente de que os relatórios corporativos lhes forneçam todas as informações de que necessitam. Isso está forçando uma mudança de foco, passando do lucro de curto prazo para um impacto positivo de longo prazo sobre as pessoas, o planeta e a prosperidade — medido por um conjunto mais amplo de indicadores não financeiros padronizados, e não apenas pelos números do resultado líquido.
É importante ressaltar que a capacidade de uma organização de gerar valor a longo prazo não pode ser avaliada apenas com base em seu balanço patrimonial. O valor a longo prazo também é gerado a partir de sua cultura, de seus ativos intelectuais e do uso da tecnologia — todos ativos não financeiros. Dados não financeiros que estejam claramente vinculados às prioridades estratégicas da organização e que sejam comunicados de forma coesa podem ajudá-lo a superar a lacuna de confiança existente entre os relatórios financeiros atuais e as expectativas de suas stakeholders.
As empresas precisam encontrar uma forma mais estratégica de avaliar seu desempenho para atender às demandas em constante mudança de um conjunto mais amplo de stakeholders. Atualmente, os CEOs estão sob forte pressão por parte de órgãos reguladores, investidores e outras stakeholders para ampliar a divulgação de informações sobre o impacto nas stakeholders e sobre questões ESG. No entanto, é preciso também considerar como esses relatórios podem ser integrados à sua estratégia, como eles afetam as operações e quais projetos de transformação podem ser necessários para reorientar o foco para uma ampla gama de indicadores de sucesso — financeiros e não financeiros —, mantendo-se ágil e adaptável. É fundamental adotar uma abordagem rigorosa na medição do desempenho em relação a metas que estejam alinhadas à sua estratégia, utilizando uma gama de indicadores que abranjam metas ambientais, sociais, de equidade e de sustentabilidade, bem como a comparação com os principais concorrentes.
Ao garantirem que essas metas sejam definidas tendo em mente uma estratégia orientada por um propósito, os CEOs podem articular de forma coesa o valor que estão criando (ou protegendo) para as stakeholders e elevar a empresa acima da mera adesão aos requisitos mínimos de conformidade regulatória. Além disso, fornece o mecanismo para analisar os comportamentos internos e exigir responsabilidade de si mesmo e de sua equipe de liderança. Isso cria um ciclo iterativo de estratégia, transformação, relatórios e comunicação que leva à criação ou proteção de valor, ao mesmo tempo em que permite que o você se mantenha atento(a) às mudanças nos comportamentos e preferências das stakeholders, que servem como contribuições para a próxima rodada de execução da estratégia. Ao utilizar o propósito como lente através da qual analisar todas as decisões, todas as avaliações de criação de valor e todos os relatórios, você contribuirá para o crescimento daquele bem mais frágil e valioso para a sua organização – a confiança.