Planejar um retorno ao “antigo normal” não é uma opção. Os CEOs devem repensar suas estratégias para a criação de valor a longo prazo. Veja como.


Em resumo

  • Os CEOs devem dar início a uma reestruturação estratégica orientada por um propósito para aproveitar a recuperação econômica que se aproxima.
  • Embora as questões específicas de cada setor variem, uma estratégia de crescimento orientada por um propósito pode abordar questões fundamentais relacionadas à confiança, ao comércio, à tecnologia e à sustentabilidade, ao mesmo tempo em que coloca as pessoas no centro de todas as decisões.

Os CEOs têm uma questão importante a abordar: como colocar sua empresa de volta no caminho do crescimento e, ao mesmo tempo, criar valor sustentável a longo prazo para um conjunto mais amplo de stakeholders?

Para abordar essa questão, é preciso, em primeiro lugar, reconhecer que sua nova estratégia de crescimento não pode ser construída com base nos mesmos pressupostos e princípios que geraram resultados na era pré-pandêmica. O sucesso não será mais medido apenas com base no lucro e nos indicadores operacionais. Para retomar o crescimento sustentável, é necessário reformular sua agenda estratégica, não como um retorno aos negócios como eram antes, mas como uma nova plataforma a partir da qual se possa criar e proteger valor.

A série “The CEO Imperative”, que faz parte da Coleção Imperative, aborda questões e ações essenciais para ajudar os CEOs a redefinir o futuro de suas organizações. Aqui, explicaremos por que você precisa iniciar uma reformulação da sua estratégia orientada por um propósito para traçar um caminho rumo ao crescimento no ambiente de negócios pós-COVID-19. Identificaremos também os pilares sobre os quais essa estratégia orientada por um propósito deve ser construída: confiança, comércio, tecnologia e sustentabilidade, com um quinto elemento de ligação que estabiliza esses alicerces – as pessoas no centro de tudo isso.

Vista em ângulo baixo do interior do prédio contra o céu
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Capítulo 1

Agora é o momento de liderar sua transformação orientada por um propósito

As atuais mudanças na geopolítica, no comércio, no meio ambiente, na tecnologia e nas preferências dos consumidores estão aumentando a urgência de uma transformação.

Mais de um ano após o início da pandemia, muitos países ainda são afetados por restrições que estão limitando significativamente a atividade empresarial. Mas mesmo nos países e setores em que as economias estão começando a se recuperar, a pandemia deixou um ambiente de negócios irrevogavelmente alterado. A COVID-19 mudou a forma como as empresas são vistas por seus clientes, funcionários, investidores e órgãos reguladores, bem como pela sociedade em geral.

Ao longo do último ano, várias forças transformadoras se intensificaram e convergiram para dar origem a uma situação de urgência que está forçando as empresas a redefinir a forma como criam, entregam e comunicam valor. Estes incluem:

  • Geopolítica Um cenário geopolítico, comercial e regulatório em rápida transformação, com muitos governos adotando uma postura política mais intervencionista.
  • Preocupações ambientais
    preocupações A crescente atenção dada à emergência climática e ao impacto ambiental causado pelas próprias empresas levou muitos investidores institucionais a alterarem seus critérios de inclusão em carteiras. Estima-se que os ativos sob gestão com foco no impacto ESG (ambiental, social e de governança) atinjam US$ 53 trilhões até 2025. O valor já chega a US$ 37,8 trilhões, um aumento em relação aos US$ 22,8 trilhões registrados em 2016.
  • Mudança de clientes. Também tem se manifestado um crescente déficit de confiança por parte dos consumidores, impulsionado pelas crescentes expectativas dos clientes em relação à transparência e à sustentabilidade das empresas.
  • Talentos As empresas estão enfrentando uma concorrência cada vez maior para atrair e reter uma força de trabalho qualificada, situação agravada pelas campanhas dos funcionários em torno de questões como saúde e segurança, bem como de diversidade e inclusão.
  • Tecnologia A constante disrupção e convergência tecnológicas, que abrangem todos os setores, vieram para ficar.

O impacto acelerado dessas tendências criou um imperativo estratégico para que você reavalie o propósito de sua organização e gere valor a longo prazo, atendendo às expectativas de um leque mais amplo de stakeholders.

Nesse ambiente, entender as demandas dos stakeholders e agregar valor aos funcionários, clientes, acionistas e à sociedade em geral, acabará por posicionar sua empresa para se adaptar melhor às mudanças na dinâmica do mercado e gerar maior valor financeiro.
 

Reimagine, com um propósito

Há um conjunto crescente de evidências de que tornar-se uma organização orientada por um propósito — que coloca um propósito além do lucro financeiro e no centro de sua tomada de decisões — ajuda a atrair e reter clientes, além de capacitar os funcionários a se envolverem mais e serem mais inovadores. Além disso, as empresas que obtêm pontuação elevada nos indicadores ESG podem reduzir seu custo de capital, bem como incentivar investimentos de longo prazo.
 

Para aproveitar essas vantagens competitivas, você precisará de uma estratégia robusta, consistente e claramente articulada, orientada por um propósito, para o crescimento sustentável. Será fundamental estabelecer as bases adequadas para que essa estratégia seja bem-sucedida.

Homem contemplando um rio em uma cidade ao pôr do sol
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Capítulo 2

Os pilares de um crescimento significativo e sustentável

Estabelecendo as bases para uma estratégia de crescimento e transformação orientada por um propósito.

Embora o impacto varie de acordo com o setor, a partir de nossas conversas com diversos tomadores de decisão, cinco temas comuns a todo o setor se destacam como componentes essenciais de uma estratégia de crescimento orientada por um propósito. Concentrar-se nesses cinco temas ajudará os líderes a superar os desafios atuais que enfrentam e a impulsionar suas empresas para a vanguarda da recuperação econômica e, posteriormente, rumo à criação de valor sustentável a longo prazo. Esses temas são confiança, comércio, tecnologia e sustentabilidade — com as pessoas firmemente no centro de todos os aspectos dos negócios e de sua tomada de decisões.

Confiança – a moeda fundamental dos negócios

A confiança tem sido, há muito tempo, um ativo fundamental para qualquer transação ou relacionamento. Em um ambiente hiperconectado e cada vez mais virtual, a confiança é mais importante do que nunca. As pessoas desejam confiar nas organizações das quais compram, nas quais trabalham e nas quais investem. A confiança também é uma moeda importante em um mundo onde o valor é cada vez mais intangível — onde o valor da marca, a inovação e o engajamento dos funcionários são, em muitos casos, mais valiosos do que os ativos físicos. Um estudo recente destacou que os ativos intangíveis representam atualmente mais de 90% da capitalização de mercado do S&&P 500, o que representa um aumento de cinco vezes em relação aos 17% registrados em 1975.

Barômetro de Confiança da Edelman
80%
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Muitas pessoas esperam que as marcas resolvam os “problemas da sociedade”.

De acordo com o Barômetro de Confiança 2020 da Edelman , 80% m das pessoas espera que as marcas “resolvam os problemas da sociedade”. Enquanto isso, nos Estados Unidos, a JUST Capital constatou que 89% dos americanos concordaram que a crise da COVID-19 “é uma oportunidade para as grandes empresas reiniciarem suas atividades e se concentrarem em agir da maneira correta em relação aos seus funcionários, clientes, comunidades e ao meio ambiente”. Em resposta a isso, os CEOs têm enfrentado uma pressão cada vez maior para liderar uma reavaliação do sentido e do propósito dos negócios.
 

De acordo com uma pesquisa realizada pela EY-Parthenon, 66% e dos executivos de alto escalão e membros de conselhos de administração europeus acredita que a COVID-19 aumentou as expectativas das stakeholders de que as empresas promovam impacto social, sustentabilidade ambiental e crescimento inclusivo, bem como a necessidade de medir e divulgar informações sobre essas questões.
 

A importância da confiança ressalta a necessidade de os CEOs e CFOs repensarem a prestação de contas corporativas: uma maior transparência é, atualmente, fundamental para que as empresas possam construir e fortalecer a confiança com suas stakeholders. Embora a natureza dos relatórios corporativos não tenha mudado fundamentalmente ao longo de décadas, o mundo mudou consideravelmente nesse período. Atualmente, as empresas estão sob pressão de suas stakeholders para que sejam mais transparentes sobre o que fazem e como o fazem. No entanto, as stakeholders não confiam necessariamente de que os relatórios corporativos lhes forneçam todas as informações de que necessitam. Isso está forçando uma mudança de foco, passando do lucro de curto prazo para um impacto positivo de longo prazo sobre as pessoas, o planeta e a prosperidade — medido por um conjunto mais amplo de indicadores não financeiros padronizados, e não apenas pelos números do resultado líquido.

 

É importante ressaltar que a capacidade de uma organização de gerar valor a longo prazo não pode ser avaliada apenas com base em seu balanço patrimonial. O valor a longo prazo também é gerado a partir de sua cultura, de seus ativos intelectuais e do uso da tecnologia — todos ativos não financeiros. Dados não financeiros que estejam claramente vinculados às prioridades estratégicas da organização e que sejam comunicados de forma coesa podem ajudá-lo a superar a lacuna de confiança existente entre os relatórios financeiros atuais e as expectativas de suas stakeholders.

 

As empresas precisam encontrar uma forma mais estratégica de avaliar seu desempenho para atender às demandas em constante mudança de um conjunto mais amplo de stakeholders. Atualmente, os CEOs estão sob forte pressão por parte de órgãos reguladores, investidores e outras stakeholders para ampliar a divulgação de informações sobre o impacto nas stakeholders e sobre questões ESG. No entanto, é preciso também considerar como esses relatórios podem ser integrados à sua estratégia, como eles afetam as operações e quais projetos de transformação podem ser necessários para reorientar o foco para uma ampla gama de indicadores de sucesso — financeiros e não financeiros —, mantendo-se ágil e adaptável. É fundamental adotar uma abordagem rigorosa na medição do desempenho em relação a metas que estejam alinhadas à sua estratégia, utilizando uma gama de indicadores que abranjam metas ambientais, sociais, de equidade e de sustentabilidade, bem como a comparação com os principais concorrentes.

 

Ao garantirem que essas metas sejam definidas tendo em mente uma estratégia orientada por um propósito, os CEOs podem articular de forma coesa o valor que estão criando (ou protegendo) para as stakeholders e elevar a empresa acima da mera adesão aos requisitos mínimos de conformidade regulatória. Além disso, fornece o mecanismo para analisar os comportamentos internos e exigir responsabilidade de si mesmo e de sua equipe de liderança. Isso cria um ciclo iterativo de estratégia, transformação, relatórios e comunicação que leva à criação ou proteção de valor, ao mesmo tempo em que permite que o você se mantenha atento(a) às mudanças nos comportamentos e preferências das stakeholders, que servem como contribuições para a próxima rodada de execução da estratégia. Ao utilizar o propósito como lente através da qual analisar todas as decisões, todas as avaliações de criação de valor e todos os relatórios, você contribuirá para o crescimento daquele bem mais frágil e valioso para a sua organização – a confiança.  


Medidas essenciais para o CEO promover uma maior confiança em sua empresa:

  • Seja ambicioso – integre a divulgação de uma gama mais ampla de indicadores não financeiros à sua estratégia. Relatórios que se limitem a atender aos padrões de conformidade não serão suficientes.
  • Ouça – compreender as necessidades e expectativas em constante mudança das stakeholders é fundamental para a reformulação de seus fundamentos estratégicos.
  • Seja transparente – apresente às stakeholders metas de curto e longo prazo orientadas por um propósito, relacionando-as à estratégia e ao desempenho, e definindo linhas claras de responsabilidade e prestação de contas.

Comércio – os fluxos e os padrões estão mudando

Embora a turbulência geopolítica esteja criando a necessidade imperativa de desenvolver abordagens cada vez mais estratégicas para a gestão de riscos, os CEOs ainda enfrentam a necessidade ineludível de atuar globalmente. O desafio consiste em lidar com complexidades que estão fora de seu controle imediato.

Tecnologia – a revolução está apenas começando

A transição para uma realidade virtual e de distanciamento social em 2020 obrigou muitas empresas a passar por um teste de resiliência ao vivo e em tempo real: será que sua infraestrutura digital existente seria robusta o suficiente para garantir a continuidade dos negócios? Enquanto muitos prosperaram, outros tiveram dificuldades para operar de forma eficaz. A experiência de uma mudança repentina para o trabalho remoto em massa levou muitas empresas a renovar seu foco na agilidade e na resiliência, especialmente no que se refere à tecnologia e à força de trabalho.

Artigos relacionados

As tensões geopolíticas – e a incerteza que elas geram – exercem pressão sobre os CEOs e suas equipes de liderança para que reavaliem constantemente as cadeias de suprimentos, as decisões relativas aos talentos e as estratégias para fortalecer a resiliência das empresas.
 

Muito já foi escrito sobre o retrocesso da globalização. Mas isso não está acabando, apenas mudando. Novos fluxos comerciais estão surgindo constantemente em nível regional, e muitas empresas estão reestruturando suas cadeias de suprimentos com base na experiência adquirida durante a pandemia.
 

Da mesma forma, os países estão incentivando a repatriação de atividades ou o investimento em determinadas atividades, como, por exemplo, na fabricação de semicondutores. Há também um desejo crescente de autossuficiência e de capacidade local em outros setores essenciais, tais como produtos farmacêuticos básicos, vacinas, aço e materiais industriais, bem como na fabricação de infraestrutura para energias renováveis. Muitos países também estão adotando regras mais restritivas em relação ao investimento estrangeiro direto (IED) por motivos de segurança nacional, com os governos impondo processos de análise mais rigorosos para potenciais investidores estrangeiros.
 

você deve priorizar a gestão do risco relacionado aos fornecedores, tanto do ponto de vista operacional quanto do ponto de vista ético. Muitas empresas estão buscando ampliar o near-shoring ou o on-shoring para reduzir a extensão de suas cadeias de suprimentos. 

As barreiras ao comércio e ao investimento estrangeiro direto também podem incentivar o desenvolvimento de cadeias de suprimentos fragmentadas e geograficamente dispersas, em vez de cadeias globalmente integradas. As empresas também estão avaliando a necessidade de uma adaptação inteligente de suas cadeias de suprimentos para aumentar a resiliência a choques e mudanças, aplicando as lições aprendidas nos primeiros dias da pandemia.
 

À medida que as economias reabrem e retomam o crescimento em ritmos diferentes, as empresas focadas em estratégias de crescimento orientadas por um propósito adaptarão tanto suas estratégias orgânicas quanto inorgânicas para aproveitar as oportunidades emergentes. Ao mesmo tempo, muitos setores estão passando por uma grande transformação. As bases de ativos precisam se tornar mais enxutas, o que pode gerar oportunidades de consolidação para outras empresas. Existem setores que estão prosperando em meio à crise e oferecem oportunidades de investimento. As mudanças nas expectativas dos consumidores também abrem novas e interessantes possibilidades de crescimento. No entanto, ainda é necessário fazer uma avaliação criteriosa para determinar se é melhor investir nas operações existentes com o objetivo de expandir para novos mercados ou adquirir ativos para alcançar uma entrada rápida no mercado.


Imperativos para os CEOs que visam auxiliar na gestão das questões comerciais atuais:

  • Compreenda as tendências — globalização, tecnologia, demografia e meio ambiente — e acompanhe como essas forças afetarão toda a organização.
  • Defina o risco de forma mais abrangente – compreenda o impacto nas diferentes áreas da organização (financeira, operacional, estratégica, de reputação etc.).
  • Teste a geoestratégia — desenvolva uma estratégia para mitigar riscos — e reavalie-a dinamicamente; os dias das atualizações anuais já ficaram para trás.

Tecnologia – a revolução está apenas começando

A transição para uma realidade virtual e de distanciamento social em 2020 obrigou muitas empresas a passar por um teste de resiliência ao vivo e em tempo real: será que sua infraestrutura digital existente seria robusta o suficiente para garantir a continuidade dos negócios?Enquanto muitos prosperaram, outros tiveram dificuldades para operar de forma eficaz.A experiência de uma mudança repentina para o trabalho remoto em massa levou muitas empresas a renovar seu foco na agilidade e na resiliência, especialmente no que se refere à tecnologia e à força de trabalho.

A pandemia nos catapultou para a era do “digital em primeiro lugar” da noite para o dia. Muitos estudos demonstram que o desejo de aceleração tecnológica é um dos principais fatores impulsionadores da transformação. A maioria dos CEOs (68%) entrevistados na pesquisa global“EY-Parthenon CEO Imperative” planeja realizar um grande investimento em dados e tecnologia ao longo do próximo ano. Além disso, 63% revelaram que a aceleração da tecnologia e da inovação digital está causando o maior impacto em sua empresa.
 

Outra consequência da pandemia é que as empresas tradicionais do setor B2B estão se voltando para modelos B2C – muitas vezes com ênfase na customização e na personalização. A principal prioridade para muitas empresas B2B é proporcionar melhores experiências aos clientes. No entanto, é necessário um investimento significativo para construir a infraestrutura tecnológica que sustente esse nível de digitalização.
 

Seja qual for a motivação para o investimento em tecnologia, você deve considerar cuidadosamente uma questão acima de todas as outras antes de uma implementação em larga escala: a pandemia ampliou drasticamente o impacto humano de todas as tecnologias que você implementar. A interface entre o ser humano e a tecnologia será decisiva para o sucesso futuro, tendo em vista a crescente conscientização do público em relação aos riscos éticos, de privacidade e de segurança associados à tecnologia. Apenas 34% dos CEOs afirmam que os clientes confiam seus dados a eles. Esse abismo de dados impede muitas prioridades, desde a reimaginação do modelo de negócios até a visibilidade da cadeia de suprimentos e novas propostas para clientes. Em particular, você deve se concentrar em construir confiança com as stakeholders para que suas empresas possam colher todos os benefícios da implantação da IA e da ciência de dados.
 

Para que consigam aproveitar a tecnologia com sucesso e rapidez, é necessário aprimorar e requalificar seus colaboradores. É necessário, além disso, incorporar uma mentalidade transformadora em toda a organização – em todos os níveis. Para aproveitar plenamente o valor da tecnologia e melhorar as experiências humanas em um mundo cada vez mais virtual, será necessário que suas práticas de gestão de riscos sejam mais voltadas para o futuro e que suas capacidades de segurança cibernética sejam reforçadas.


Imperativos para os CEOs que desejam aproveitar a tecnologia para acelerar o crescimento orientado por um propósito:

  • Imagine uma empresa totalmente digital – produção, back-office, experiência do cliente e uma força de trabalho apoiada pela tecnologia.
  • Compreender a transformação tecnológica e humana – fornecer aos funcionários os recursos e o treinamento necessários para utilizar novas tecnologias a fim de aumentar a produtividade, estimular a inovação e elevar a satisfação no trabalho, promovendo a aprendizagem contínua à medida que as tecnologias evoluem.
  • Vão além da eficiência – reavaliem o potencial impacto social das tecnologias adotadas, incluindo a garantia de que a implantação da inteligência artificial (IA) seja justa e imparcial.

Sustentabilidade – em todos os seus significados

Não há dúvida de que as empresas podem ser uma força motriz na resposta aos desafios sociais e ambientais globais. Para isso, elas devem continuar a gerar lucro e otimizar suas operações. Mas fazer apenas isso não é suficiente.

As stakeholders das empresas estão dedicando cada vez mais atenção às questões ambientais, sociais e de governança (ESG), e os CEOs estão atentos a isso. De acordo com o estudo “CEO Imperative 2021”, da EY-Parthenon, 80% dos CEOs acreditam que é provável que “as empresas tomem novas medidas significativas para assumir a responsabilidade pelos impactos sociais e ambientais de suas operações” nos próximos cinco anos.

Estudo EY CEO Imperative
80%
80%
dos CEOs acreditam que é provável que as empresas assumam mais responsabilidade pelo impacto socioambiental nos próximos cinco anos.

A sustentabilidade é um dos principais desafios da nossa geração. Trata-se também da oportunidade de inovação de uma geração — uma chance de criar valor financeiro, para o consumidor, humano e social de longo prazo para todas as stakeholders. Os CEOs estão cada vez mais adotando a visão de que a sustentabilidade é um fator de sucesso empresarial, na qual protegem e geram valor ao impulsionar seus negócios rumo a um futuro mais sustentável. As iniciativas que você decidir priorizar devem estar estreitamente alinhadas com o propósito da sua empresa, o contexto em que ela atua e a sua ambição de obter vantagem competitiva a longo prazo.

Tornar-se uma empresa orientada por um propósito pode exigir que você faça escolhas difíceis. Essas escolhas podem envolver priorizar investimentos de longo prazo em detrimento de retornos de curto prazo ou deixar de se concentrar nos resultados financeiros para passar a criar valor de longo prazo medido por outros critérios. No entanto, o propósito também traz algumas recompensas importantes:

  • Engajamento – as empresas orientadas por um propósito contam com funcionários mais engajados, comprometidos e intrinsecamente motivados.
  • Menor risco – ao trabalhar de forma consciente com parceiros e fornecedores que compartilham valores semelhantes, as empresas ficam menos expostas ao risco de reputação, que pode destruir o valor da empresa.
  • Melhor desempenho – as empresas que definem e agem com um senso de propósito apresentam um desempenho superior ao do mercado em 5% – 7% por ano.
  • Diferenciação no mercado – os consumidores têm quatro vezes mais chances de comprar de empresas com um propósito forte.

Mas o que significa realmente “valor sustentável a longo prazo”? Como termo, a sustentabilidade é frequentemente utilizada no contexto da conformidade de uma empresa com as regulamentações ambientais e suas políticas de descarbonização; no entanto, as empresas precisam encarar a sustentabilidade de forma mais ampla.

Uma empresa sustentável valoriza o valor e o crescimento a longo prazo no sentido mais amplo. Para isso, geralmente conta com uma estratégia de longo prazo com uma ampla gama de objetivos, incluindo metas financeiras e não financeiras. Além disso, avalia seu progresso em relação a essas metas.

É difícil enxergar a criação de valor além do aspecto financeiro, mas isso é necessário caso você esteja realmente empenhado em alcançar uma criação de valor sustentável e de longo prazo para todas as suas stakeholders. É fundamental que você esteja disposto a transformar aspectos do seu negócio e, possivelmente, tomar medidas ousadas em áreas de suas operações que atualmente não estejam alinhadas com sua estratégia orientada por um propósito — antes que os investidores o obriguem a fazê-lo. Para promover a mudança, é necessário garantir que todos os grupos de stakeholders — incluindo clientes, funcionários, investidores, parceiros e fornecedores — compreendam as razões pelas quais a mudança é necessária, os benefícios decorrentes dela e como suas ações estão alinhadas com o propósito da empresa.
 

O envolvimento dos funcionários é particularmente importante, pois, sem o compromisso deles, o propósito da organização corre o risco de permanecer no âmbito da retórica, em vez de se tornar realidade. Infelizmente, os funcionários podem rapidamente perder o engajamento se não vivenciarem genuinamente o propósito da organização. Uma pesquisa realizada pela EY-Parthenon revelou que mais de um terço dos funcionários (35%) observou uma discrepância entre o que a organização afirma e o que realmente pratica, ou seja, entre o propósito declarado da organização e suas ações no dia a dia.
 

Existem muitas maneiras de integrar a sustentabilidade às suas operações. Você pode buscar ativamente parceiros e fornecedores que compartilhem do propósito e dos valores da sua organização no que diz respeito à sustentabilidade. Você também pode implementar procedimentos responsivos de gestão de riscos da cadeia de suprimentos com base nos objetivos do seu negócio. Assim que a auditoria imediata for concluída, você poderá avaliar os riscos decorrentes de terceiros por meio de monitoramento e testes, e adaptar seus controles de integridade empresarial para garantir a conformidade.
 

As principais empresas orientadas por um propósito comunicam seu propósito e sua ligação com suas estratégias de sustentabilidade de forma clara, franca e consistente aos seus clientes, tornando-o um elemento central da experiência geral do cliente. Como resultado, conseguem atrair e fidelizar clientes – e não apenas aqueles que priorizam a sustentabilidade.  

A jornada rumo à sustentabilidade nem sempre é tranquila – especialmente quando há uma discrepância entre as expectativas de suas stakeholders e a realidade de seus planos. É mais provável que essa lacuna ocorra na fase inicial da implementação dessa estratégia, quando as expectativas já foram criadas, mas o processo de integração da busca de um propósito em todas as atividades da empresa mal começou. Para avançar e evitar que a pressão aumentem por parte de acionistas ativistas ainda focados em retornos rápidos, você deve certificar-se de compreender as expectativas em constante evolução das stakeholders e se adaptar à medida que essas expectativas mudam. Algumas demandas serão mais fáceis e mais rápidas de conciliar do que outras, mas todas devem ser compreendidas.

É importante lembrar que a abordagem orientada por um propósito não tem como objetivo substituir o foco no lucro. Trata-se, na verdade, de um complemento à estrutura de avaliação de valor da empresa — o que deve aumentar a probabilidade de se alcançarem níveis mais elevados de rentabilidade no longo prazo. Uma estratégia bem equilibrada reconhece que as empresas geram valor de longo prazo para os acionistas ao gerar valor para as stakeholders — trata-se de um “e”, não de um “ou”.  


Imperativos para o CEO com o objetivo de integrar a sustentabilidade no cerne de sua tomada de decisões:

  • Fortalecer a governança em torno dos compromissos com o capitalismo das stakeholders – priorizar metas estratégicas com base em uma avaliação das stakeholders, levando em conta o contexto empresarial e sociopolítico.
  • Transforme isso em realidade – vincule os pacotes de remuneração dos executivos e de toda a empresa a um conjunto mais amplo de métricas, com metas claras e padrões de conduta alinhados a uma estratégia orientada por um propósito, reforçando os compromissos com todas as stakeholders, de modo que os riscos e as recompensas sejam distribuídos de forma mais equitativa.
  • Destacem-se nessa área – desenvolvam uma abordagem mais robusta para analisar os riscos e as oportunidades decorrentes das mudanças sociais e ambientais e incorporem disciplina aos processos de gestão e prestação de contas do desempenho não financeiro, como base para uma adaptação contínua.

As pessoas – no centro de tudo

Os quatro pilares do crescimento sustentável e orientado por um propósito — confiança, comércio, tecnologia e sustentabilidade — estão interligados por um tema que, como um cabo de aço estabilizador, permeia cada um deles: a importância de considerar cada decisão e ação em relação ao seu impacto sobre as pessoas. Uma lição fundamental da pandemia é que as empresas e os mercados não podem ser dissociados das pessoas que constituem seus funcionários, clientes, parceiros, consumidores e outras stakeholders. Não existe algo como um negócio virtual. Mesmo as empresas que surgiram no ambiente digital, com poucos ativos físicos, dependem da criatividade e dos hábitos de pessoas reais.
 

Mesmo as estratégias mais bem elaboradas não darão em nada sem o talento e a mentalidade adequados para executá-las. E as inovações mais avançadas, ou as tecnologias de ponta, podem fracassar se perderem de vista os valores humanos. A perturbação causada pela pandemia parece ter dissipado mitos de longa data sobre produtividade e colaboração, além de ter demonstrado a rapidez com que as empresas podem se adaptar.
 

O desafio de traçar um caminho para a criação de valor sustentável e de longo prazo exige uma liderança decisiva, mas ao mesmo tempo empática. Você deve liderar com inteligência emocional, com base em valores compartilhados, e incentivar o desenvolvimento contínuo tanto dos líderes quanto dos funcionários.
 

Você também deve se concentrar em como sua empresa pode criar ou oferecer produtos e serviços que conquistem os clientes de maneira diferenciada. Isso implica compreender que as experiências personalizadas são importantes fatores impulsionadores do consumo, exigindo uma abordagem diferente em relação à inovação e ao engajamento do cliente, em comparação com alternativas mais genéricas.
 

Portanto, ao desenvolver sua estratégia para a recuperação econômica, é preciso repensar cada decisão, cada implementação de tecnologia e cada inovação em produtos ou serviços, sob uma perspectiva centrada no ser humano.

Conclusão

O mundo dos negócios e a sociedade estão se preparando para se recuperar e entrar em um mundo pós-COVID-19, um mundo que passou e continua passando por dificuldades dramáticas, mas que também oferece inúmeras oportunidades, à medida que governos e empresas buscam reconstruir um futuro mais sustentável. Ao buscar redefinir o futuro de sua organização, você tem o compromisso, perante investidores, clientes, funcionários e a sociedade em geral, de se tornar uma organização mais orientada por um propósito, capaz de gerar valor a longo prazo para um conjunto mais amplo de stakeholders.

Essa transformação exigirá que vocês construam confiança, ajustem estratégias comerciais, invistam em tecnologia e priorizem a sustentabilidade — ao mesmo tempo em que colocam as pessoas firmemente no centro da tomada de decisões. Essa jornada difícil valerá a pena, pois o destino é uma posição de mercado mais sólida, um crescimento acelerado, porém sustentável, e um ambiente de trabalho melhor para todas as stakeholders.

Empresa Reimaginada

As equipes da EY dão a você a confiança necessária para moldar o que está por vir: liberar valor reimaginando e realizando transformações em toda a empresa.



Sumário

Uma estratégia orientada por um propósito é o caminho para o crescimento no cenário pós-COVID-19 — uma estratégia baseada na confiança, no comércio, na tecnologia, na sustentabilidade e em colocar as pessoas no centro de todas as decisões que você toma.

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