O setor elétrico brasileiro passa por um momento de inflexão. O país dispõe de uma das matrizes energéticas mais limpas, diversificadas e potencialmente competitivas do mundo, com forte predominância de fontes renováveis, como hidrelétrica, eólica, solar e biomassa. Ao mesmo tempo, o consumidor final sente o peso crescente da energia no orçamento e nem sempre percebe, na sua experiência cotidiana, os benefícios associados a essa matriz.
Essa aparente contradição é um sinal importante para as empresas do setor. Mais do que evidenciar desafios do mercado, ela revela uma mudança estrutural nas expectativas do consumidor e aponta caminhos para que distribuidoras, comercializadoras, geradoras e empresas de serviços de energia fortaleçam sua proposta de valor em um ambiente de maior competição, digitalização e abertura de mercado.
O estudo Global Energy Consumer 2026, realizado pela EY, analisou comportamentos, preferências e expectativas de consumidores de energia em 20 países, incluindo o Brasil. Entre os dados, a pesquisa revelou que mais da metade dos consumidores brasileiros enfrenta algum grau de vulnerabilidade energética. Os resultados mostram que 27% dos respondentes vivem em situação de pobreza energética e outros 31% se consideram vulneráveis, evidenciando a pressão dos custos de energia sobre o orçamento das famílias brasileiras.
Para as empresas de energia, esse cenário precisa ser lido como um insumo estratégico. O consumidor está mais atento ao custo, mais disposto a buscar alternativas e mais aberto a soluções que ofereçam previsibilidade, controle e simplicidade. Em vez de representar apenas um risco, essa nova postura cria uma oportunidade para o setor modernizar e automatizar operações, se aproximar dos clientes, melhorar a experiência, construir confiança e identificar oportunidades de eficiência de custos em toda a cadeia de valor.
Abertura de mercado e novos modelos de negócio
A abertura gradual do mercado livre de energia no Brasil tende a ampliar a competição e a capacidade de escolha dos consumidores. Esse movimento desloca o consumidor de uma posição historicamente passiva para um papel mais ativo na tomada de decisão.
O estudo mostra que o consumidor brasileiro está mais interessado em assumir o controle sobre sua energia. Entre os destaques da pesquisa:
- 64% demonstram maior interesse em gerar sua própria energia;
- 93% adeririam a programas de gestão de energia como resposta à volatilidade de preços;
- 84% preferem canais digitais no relacionamento com fornecedores;
- 81% já utilizam inteligência artificial para tarefas relacionadas à energia.
Para empresas de energia, a abertura do mercado traz desafios relevantes, mas também cria oportunidades de crescimento. Comercializadoras, geradoras, distribuidoras e novos entrantes poderão desenvolver ofertas mais segmentadas, modelos de precificação mais adequados ao perfil de consumo e soluções que combinem energia, tecnologia, eficiência e sustentabilidade.
Nesse ambiente, as empresas precisarão tomar decisões estratégicas sobre posicionamento, segmentação, portfólio, canais, parcerias, uso de tecnologia, capacidade de execução e disciplina na alocação de capital para priorizar investimentos com maior potencial de retorno.
Digitalização, dados e IA como alavancas competitivas
A preferência dos consumidores por canais digitais e o uso crescente de inteligência artificial em tarefas relacionadas à energia mostram que a digitalização deixou de ser uma agenda de eficiência interna e passou a ser parte central da proposta de valor ao cliente.
Os consumidores querem experiências digitais simples, confiáveis e informativas. Também esperam interações mais proativas, como alertas sobre consumo, recomendações para reduzir custos, informações claras sobre tarifas, suporte em situações de interrupção e soluções que ajudem a automatizar a gestão de energia.
Para as empresas, isso exige integração entre sistemas, dados, atendimento, operações e canais digitais. Também exige governança, segurança, privacidade e uso responsável de IA, especialmente em um setor essencial e regulado.
Isso está ligado diretamente à eficiência operacional, gestão de ativos, resiliência da rede, capacidade de resposta a eventos e integração entre áreas internas.
Em um setor pressionado por custos, investimentos, regulação e expectativas crescentes dos consumidores, a eficiência operacional se torna uma alavanca essencial para liberar capital, melhorar performance, fortalecer a disciplina de custos e sustentar novas propostas de valor.
Uma prática de Digital Operations pode aumentar eficiência e rentabilidade por meio da aplicação de tecnologia na gestão de operações, ativos, equipamentos, processos e modelos de governança. Para empresas de energia, isso pode significar operações mais digitais, inteligentes e integradas, com uso de IA, IoT, visão computacional, analytics e novas formas de monitoramento e tomada de decisão.
Essa visão também pode apoiar decisões sobre diversificação de fontes de receita e de suprimento, permitindo que as companhias avaliem alternativas de geração, comercialização, serviços energéticos e parcerias de forma mais integrada às estratégias e prioridades de investimento.
Como a EY pode apoiar as empresas de energia
A transformação em curso no setor elétrico exige uma visão integrada. Não se trata apenas de digitalizar canais ou responder à abertura de mercado de forma isolada. As empresas precisarão conectar estratégia, cliente, operação, tecnologia, regulação, sustentabilidade e capital.
Nesse contexto, a EY atua como parceira das empresas de energia para transformar mudanças de mercado em oportunidades de crescimento e diferenciação. Com conhecimento setorial e uma rede multidisciplinar, a EY pode apoiar companhias do setor em frentes como:
- Uso de dados e inteligência artificial para personalização, eficiência e tomada de decisão;
- Modernização de operações, ativos e processos por meio de Digital Operations, com foco em eficiência de custos e melhoria de performance;
- Estratégia regulatória, gestão de riscos, compliance e governança;
- Transição energética, descarbonização e agenda ESG;
- Redesenho da estratégia de cliente e experiência do consumidor;
- Transformação digital de canais, atendimento e jornadas;
- Apoio à disciplina de capital, avaliação de novos investimentos e diversificação de fontes, conectando estratégia, risco e retorno.
Ao combinar consultoria, tecnologia, estratégia, tax, assurance e transações, a EY pode ajudar empresas de energia a avançar da leitura dos dados para a execução de iniciativas concretas, conectando visão de mercado a resultados de negócio.