Médico examinando relatórios hospitalares
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Os gêmeos digitais são fundamentais para um atendimento mais personalizado, equitativo e eficiente?


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Saiba como insights inteligentes e baseados em análises podem resultar em melhores resultados para todos.


Três perguntas para se fazer

  • Será que podemos disponibilizar as informações do gêmeo digital aos profissionais de saúde de maneiras úteis que não aumentem a carga de trabalho?
  • Será que podemos identificar segmentos de consumidores da área da saúde nos quais possamos gerar valor imediatamente?
  • Será que podemos quantificar o valor que nossos cuidados personalizados proporcionam aos pacientes, às entidades pagadoras e à comunidade?

Imagine duas pessoas que moram em bairros diferentes. Shawn tem acesso a bons serviços de atenção primária e não tem preocupações financeiras, mas está acima do peso e seu pai faleceu devido a uma doença cardíaca. Marisa está com falta de sono por causa dos dois empregos que tem e frequentemente fica frustrada por não conseguir encontrar alimentos frescos e saudáveis em seu bairro. Eles apresentam diferenças em termos de alimentação, condicionamento físico, DNA, histórico familiar, condições de moradia, salários, escolaridade, fatores de estresse e acesso à tecnologia. No entanto, com muita frequência, as experiências na área da saúde não levam em conta esses fatores importantes da vida das pessoas, que podem contribuir para a prestação de cuidados altamente personalizados e preventivos. Leia o relatório completo (PDF) aqui.

A tecnologia do “gêmeo digital do paciente”, que integra uma ampla variedade de fontes de dados além do prontuário médico tradicional — desde sensores vestíveis até níveis de poluição do ar —, pode prever o estado de saúde futuro tanto das pessoas mencionadas no exemplo acima quanto ajudar os sistemas de saúde a oferecer um atendimento melhor a cada uma delas. Por meio da análise preditiva, os sistemas de saúde podem identificar os momentos na vida de um indivíduo em que ele possa estar em maior risco de desenvolver novas doenças ou de ver o agravamento de doenças já existentes, e intervir de maneira eficaz para alterar o curso da saúde dessa pessoa.

O percurso de atendimento individualizado resultante pode não apenas proporcionar uma melhor experiência e maior envolvimento do paciente, mas também gerar valor quantificável para os governos e as entidades pagadoras, reduzindo a carga sobre o sistema de saúde como um todo. A tecnologia de gêmeos digitais tem o potencial de tornar os cuidados de saúde mais personalizados, mais eficazes, mais eficientes e mais equitativos.

Os percursos de atendimento personalizados proporcionam uma melhor experiência em cuidados de saúde

Com as informações que a tecnologia de gêmeo digital permite obter, os sistemas de saúde podem personalizar cada interação com o paciente — desde o primeiro contato, passando pelo tratamento, até o pós-recuperação. Para os consumidores que estão acostumados à personalização na maioria de suas experiências de compra, eles não desejam ser tratados de acordo com protocolos padronizados de atendimento que tratam todos os pacientes da mesma forma: eles desejam cuidados de saúde que atendam às suas necessidades específicas, preferências e circunstâncias pessoais.

Assim como no varejo, os dados sobre as preferências dos consumidores podem indicar ao profissional de saúde qual a melhor forma de entrar em contato com uma pessoa: por telefone, videochamada, mensagem de texto ou e-mail. A análise preditiva aplicada a conjuntos de dados demográficos, comunitários, socioeconômicos e ambientais pode ajudar os sistemas de saúde a identificar os principais obstáculos ao atendimento de determinados indivíduos e comunidades.

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“Dispor de um gêmeo digital que represente uma pessoa permite decidir quais pacientes precisam ser atendidos e em que ordem”, afirmou Rachel Dunscombe, CEO da NHS Digital Academy e consultora estratégica digital do Northern Care Alliance NHS Group. “É possível, de fato, criar intervenções com base em personas e estratificar o risco. “É preciso dedicar o esforço certo no lugar certo, nem demais, nem de menos.”

Os sistemas de saúde podem criar percursos personalizados relevantes, convidando representantes de grupos de pacientes para oficinas de design centradas no usuário, a fim de garantir que esses percursos reflitam a realidade de quem convive com a doença. Por exemplo, em um hospital com o qual Dunscombe trabalhou, a equipe constatou que os pacientes com insuficiência renal frequentemente enfrentam dificuldades para frequentar a escola ou manter um emprego devido à diálise. Ao disponibilizar-lhes kits de teste caseiros, opções de telessaúde e acesso a centros de diálise mais convenientes, com horários flexíveis, algumas dessas barreiras à vida profissional e familiar foram eliminadas. “Para nós, isso foi extremamente marcante. “Levamos em consideração todo o impacto sobre os seres humanos”, afirmou Dunscombe.

A tecnologia de gêmeo digital também pode acelerar a recuperação se as equipes de atendimento conseguirem identificar os momentos em que, por exemplo, uma pessoa em recuperação de uma fratura de quadril deve começar a se levantar e andar, a fim de evitar, da melhor forma possível, desfechos negativos que possam se agravar até se transformar em uma crise. “É isso que realmente me entusiasma nos gêmeos digitais: trata-se de não perder tempo; trata-se de recuperação com precisão”, afirmou Dunscombe.

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Os sensores vestíveis podem ser integrados aos gêmeos digitais para gerar fluxos de dados em tempo real que alertam as equipes clínicas, os cuidadores e o paciente quando é necessário tomar medidas, tanto dentro do hospital quanto em casa, possibilitando uma gestão de cuidados mais baseada em exceções. A BioIntelliSense, com sede nos Estados Unidos, lançou o BioButton®, um sensor vestível de grau médico que monitora os sinais vitais do paciente e transmite os fluxos de dados à equipe de atendimento, permitindo que os profissionais de saúde identifiquem quando novos sintomas estão surgindo ou quando o paciente necessita de uma intervenção.1

Embora os gêmeos digitais proporcionem à equipe clínica uma visão mais holística, eles também podem representar uma forma de informar o paciente e seus cuidadores sobre os possíveis medicamentos, procedimentos e a qualidade de vida com que terão de lidar.

Tudo isso depende da capacidade dos sistemas de saúde de proteger adequadamente os dados dos pacientes, não apenas para atender aos requisitos regulatórios, mas também para conquistar a confiança dos pacientes quanto ao uso desses dados. As plataformas capazes de integrar dados exigirão programas robustos de segurança cibernética.

Os percursos de atendimento personalizados podem tornar os sistemas de saúde mais eficazes e eficientes

A tecnologia de gêmeos digitais oferece oportunidades de economia significativa de custos para os sistemas de saúde e para os pagadores, que buscam que os prestadores de serviços demonstrem o valor dos US$ 8,8 trilhões gastos anualmente em todo o mundo com cuidados de saúde.2 Somente nos EUA, a pressão vem aumentando, já que se espera que a porcentagem do PIB destinada à saúde aumente de 17,7% em 2018 para 19,7% até 2028

O encaminhamento dos pacientes para o atendimento adequado é fundamental para a transição para um modelo de atendimento baseado em valor, a fim de garantir que os recursos adequados sejam alocados a cada paciente. Uma análise recente de 27 milhões de atendimentos em pronto-socorros nos EUA revelou que dois terços deles poderiam ter sido evitados, uma vez que as condições poderiam ter sido tratadas em serviços de atenção primária.4

Por exemplo, pessoas com diabetes que não controlam a doença muitas vezes acabam desenvolvendo complicações, como úlceras, ataques cardíacos e insuficiência renal aguda. O custo médio de uma consulta de um paciente no pronto-socorro por doença renal é de US$ 1.722, e caso esse paciente precise ser internado, o custo médio de uma internação para pacientes com doença renal é de US$ 17.483,5 Em 2021, 10,5% de adultos em todo o mundo tinham diabetes.6

No entanto, se os profissionais de saúde conseguirem identificar a causa principal da incapacidade do paciente de controlar a doença, poderão ajudar a evitar que o quadro de saúde desse paciente evolua para uma crise dispendiosa e dolorosa. Muitas vezes, a resposta pode ser encontrada fora do prontuário eletrônico, em conjuntos de dados não médicos que apresentam um panorama dos desafios que a pessoa enfrenta para levar um estilo de vida saudável.

As informações obtidas por meio da tecnologia de gêmeos digitais podem ajudar a combater as desigualdades na saúde

Como a pandemia trouxe à tona as desigualdades raciais e sociais que persistem na área da saúde, os sistemas de saúde têm a oportunidade de utilizar a tecnologia de gêmeos digitais e a análise preditiva em nível populacional para identificar barreiras ao acesso aos cuidados de saúde e ajudar a equilibrar os resultados.

Ao estratificar o risco para diferentes segmentos da população, tanto os prestadores de serviços quanto os pagadores podem criar “gêmeos digitais” da comunidade que lhes permitam identificar populações vulneráveis e desenvolver diferentes estratégias de abordagem que reflitam as necessidades da comunidade. O local e as condições de vida dos pacientes contribuem enormemente para a saúde, como demonstrado pelo caso de pacientes com asma que apresentam crises devido à forte poluição atmosférica ou por pessoas com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) que procuram repetidamente o atendimento de urgência porque suas casas são frias e úmidas.

Embora os “gêmeos digitais” de pacientes possam parecer algo futurista para um setor que ainda mantém registros em papel ou coleções de dados isoladas, a realidade é que, para que os sistemas de saúde consigam lidar com a pressão crescente de orçamentos insustentáveis na área da saúde, a personalização do atendimento — de modo que os pacientes sejam encaminhados para o tratamento adequado no momento certo — e a prevenção do desperdício podem ser um componente essencial. Os percursos de atendimento individualizados podem ajudar os pacientes a evitar procedimentos médicos onerosos e estressantes, permitir que os planos de saúde encontrem o valor que buscam e ajudar os prestadores de serviços a alcançar seu objetivo de promover mais bem-estar às comunidades que atendem.

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Mais questões fundamentais para promover melhores insights e melhores cuidados de saúde para todos

1. Dispomos dos dados corretos? Atualmente, os dados da área da saúde são, com demasiada frequência, um conjunto de informações estáticas que não proporcionam insights reais. A ampliação das fontes de dados para incluir aquelas que existem fora do sistema de saúde — como dados demográficos, de consumo, de dispositivos vestíveis e ambientais — pode ampliar a compreensão do sistema de saúde sobre os indivíduos e as comunidades em geral.

2. Será que podemos definir intervenções claras que permitam passar da compreensão à ação? Uma vez que os sistemas de saúde e os planos de saúde tenham identificado situações em que os indivíduos correm alto risco de agravamento do estado de saúde, eles poderão determinar as respostas e medidas que impedirão a progressão da doença. Quais respostas podem ser automatizadas? É importante adotar uma abordagem abrangente para modernizar as vias, e não apenas acrescentar elementos às infraestruturas existentes de maneira ineficaz.

Contribuidores:

Aloha McBride, Líder Global do Setor de Saúde da EY

Jaymee Lewis Desse, Líder Global de Soluções de Análise de Saúde Inteligente da EY

Rachel Hall, Líder de Saúde Digital e Experiência em Saúde Inteligente da EY US Consulting

Kenny O’Neill, diretor da área de Consultoria em Saúde Digital da EY nos EUA

Crystal Yednak, Analista Sênior Global de Saúde da EY


Sumário

Os gêmeos digitais de pacientes aproveitam o valor transformador dos dados, indo além da medicina tradicional, para fornecer aos prestadores de serviços de saúde e às operadoras de saúde insights úteis para a tomada de decisões. Por sua vez, essas percepções podem ter um impacto positivo comprovável na capacidade das organizações de saúde de prestar atendimento personalizado, equitativo e eficiente.


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