Os sensores vestíveis podem ser integrados aos gêmeos digitais para gerar fluxos de dados em tempo real que alertam as equipes clínicas, os cuidadores e o paciente quando é necessário tomar medidas, tanto dentro do hospital quanto em casa, possibilitando uma gestão de cuidados mais baseada em exceções. A BioIntelliSense, com sede nos Estados Unidos, lançou o BioButton®, um sensor vestível de grau médico que monitora os sinais vitais do paciente e transmite os fluxos de dados à equipe de atendimento, permitindo que os profissionais de saúde identifiquem quando novos sintomas estão surgindo ou quando o paciente necessita de uma intervenção.1
Embora os gêmeos digitais proporcionem à equipe clínica uma visão mais holística, eles também podem representar uma forma de informar o paciente e seus cuidadores sobre os possíveis medicamentos, procedimentos e a qualidade de vida com que terão de lidar.
Tudo isso depende da capacidade dos sistemas de saúde de proteger adequadamente os dados dos pacientes, não apenas para atender aos requisitos regulatórios, mas também para conquistar a confiança dos pacientes quanto ao uso desses dados. As plataformas capazes de integrar dados exigirão programas robustos de segurança cibernética.
Os percursos de atendimento personalizados podem tornar os sistemas de saúde mais eficazes e eficientes
A tecnologia de gêmeos digitais oferece oportunidades de economia significativa de custos para os sistemas de saúde e para os pagadores, que buscam que os prestadores de serviços demonstrem o valor dos US$ 8,8 trilhões gastos anualmente em todo o mundo com cuidados de saúde.2 Somente nos EUA, a pressão vem aumentando, já que se espera que a porcentagem do PIB destinada à saúde aumente de 17,7% em 2018 para 19,7% até 2028.³
O encaminhamento dos pacientes para o atendimento adequado é fundamental para a transição para um modelo de atendimento baseado em valor, a fim de garantir que os recursos adequados sejam alocados a cada paciente. Uma análise recente de 27 milhões de atendimentos em pronto-socorros nos EUA revelou que dois terços deles poderiam ter sido evitados, uma vez que as condições poderiam ter sido tratadas em serviços de atenção primária.4
Por exemplo, pessoas com diabetes que não controlam a doença muitas vezes acabam desenvolvendo complicações, como úlceras, ataques cardíacos e insuficiência renal aguda. O custo médio de uma consulta de um paciente no pronto-socorro por doença renal é de US$ 1.722, e caso esse paciente precise ser internado, o custo médio de uma internação para pacientes com doença renal é de US$ 17.483,5 Em 2021, 10,5% de adultos em todo o mundo tinham diabetes.6
No entanto, se os profissionais de saúde conseguirem identificar a causa principal da incapacidade do paciente de controlar a doença, poderão ajudar a evitar que o quadro de saúde desse paciente evolua para uma crise dispendiosa e dolorosa. Muitas vezes, a resposta pode ser encontrada fora do prontuário eletrônico, em conjuntos de dados não médicos que apresentam um panorama dos desafios que a pessoa enfrenta para levar um estilo de vida saudável.
As informações obtidas por meio da tecnologia de gêmeos digitais podem ajudar a combater as desigualdades na saúde
Como a pandemia trouxe à tona as desigualdades raciais e sociais que persistem na área da saúde, os sistemas de saúde têm a oportunidade de utilizar a tecnologia de gêmeos digitais e a análise preditiva em nível populacional para identificar barreiras ao acesso aos cuidados de saúde e ajudar a equilibrar os resultados.
Ao estratificar o risco para diferentes segmentos da população, tanto os prestadores de serviços quanto os pagadores podem criar “gêmeos digitais” da comunidade que lhes permitam identificar populações vulneráveis e desenvolver diferentes estratégias de abordagem que reflitam as necessidades da comunidade. O local e as condições de vida dos pacientes contribuem enormemente para a saúde, como demonstrado pelo caso de pacientes com asma que apresentam crises devido à forte poluição atmosférica ou por pessoas com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) que procuram repetidamente o atendimento de urgência porque suas casas são frias e úmidas.
Embora os “gêmeos digitais” de pacientes possam parecer algo futurista para um setor que ainda mantém registros em papel ou coleções de dados isoladas, a realidade é que, para que os sistemas de saúde consigam lidar com a pressão crescente de orçamentos insustentáveis na área da saúde, a personalização do atendimento — de modo que os pacientes sejam encaminhados para o tratamento adequado no momento certo — e a prevenção do desperdício podem ser um componente essencial. Os percursos de atendimento individualizados podem ajudar os pacientes a evitar procedimentos médicos onerosos e estressantes, permitir que os planos de saúde encontrem o valor que buscam e ajudar os prestadores de serviços a alcançar seu objetivo de promover mais bem-estar às comunidades que atendem.