Silhueta de equipamento de construção ao pôr do sol

Mineração circular emerge como vetor crítico de competitividade no setor

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A mineração circular ganha destaque ao reaproveitar resíduos e reinseri-los na cadeia produtiva. 

Com a colaboração de artigo Marcelo Andrade & Guilherme Kater


Em resumo

  • Demanda por minerais críticos deverá, no mínimo, quadruplicar até 2040 e deve crescer mais de 500% nas décadas seguintes.
  • Mais do que uma agenda ESG, a mineração circular está se consolidando como um vetor crítico de competitividade e geração de valor no setor.
  • Projetos de mineração circular, como o Waste to Value (EY e Vale), estão se tornando cada vez mais frequente, visando transformar resíduos em valor.

A Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) projeta que a demanda por minerais críticos deverá, no mínimo, quadruplicar até 2040. São minerais imprescindíveis para a transição energética e o alcance das metas do Acordo de Paris, e essenciais para diversos setores da economia, como indústria a automotiva e tecnologia de ponta.

Já está em curso uma corrida por esses minerais, com previsão de aumento da demanda em todo o mundo. Alguns minerais, como cobre, lítio e terras raras, devem registrar crescimento da ordem de 500% nas próximas décadas”, destaca Afonso Sartório, líder de energia e recursos naturais da EY.

Diante desse cenário de demanda crescente e competição acirrada por minerais essenciais, é vital repensar os modelos tradicionais de extração e produção. De acordo com o estudo “Impact Edge: ESG como alavanca de valor na mineração”, divulgado pela EY durante a COP30, a gestão de rejeitos é um dos pontos mais críticos do setor. Além de custos elevados, gera gargalos operacionais e riscos ambientais significativos, comprometendo as metas operacionais e de sustentabilidade das empresas.

Assim, a circularidade na Mineração surge como uma estratégia-chave para minimizar impactos ambientais e otimizar o uso dos recursos naturais, garantindo a disponibilidade desses minerais no longo prazo.

O conceito consiste na redução da geração de resíduos por meio da reinserção do estéril e do rejeito na atividade produtiva, além da utilização para coprodutos. O tema mereceu destaque ainda no estudo da EY, que listou os 10 fatores que impactam a atratividade e a competitividade do setor, no Brasil.

Assim, incorporar práticas sustentáveis vai além de uma responsabilidade ambiental, e se torna também uma necessidade estratégica para viabilizar a transição energética e cumprir os compromissos globais de sustentabilidade.

Há dois tipos de circularidade na cadeia de mineração. No início do processo, que se trata do aproveitamento dos resíduos resultantes da atividade de mineração, e no pós-consumo, que é quando já existe um produto derivado desses insumos minerários, como o carro, que retorna, depois do fim do seu ciclo de vida, para o processo produtivo em forma de sucata, que é reintroduzida na fabricação do aço”, explica Marcelo Andrade, sócio de estratégia e transações da EY-Parthenon.

Projetos como o Waste to Value (W2V), realizado pela EY para a Vale, já evidenciam o potencial da mineração circular.

Waste to Value: redução do impacto ambiental, geração de receita e reconhecimento dos stakeholders

Em parceria com a Vale, a EY-Parthenon liderou a implementação do Waste to Value (W2V), iniciativa que vem redefinindo a gestão de resíduos no setor mineral. O projeto de mineração circular desenvolveu soluções para reduzir a movimentação de estéril e a geração de rejeitos, transformando parte desses materiais em ativos com valor econômico, em linha com as metas ESG da companhia.

Por meio de uma série de práticas inovadoras, o Waste to Value recupera materiais de pilhas e barragens para produzir minério ou gerar coprodutos, como cimento, fertilizantes, areia e blocos construtivos. Estas práticas reduzem significativamente os impactos ambientais e sociais, e liberaram áreas para o armazenamento de materiais que realmente não estão sujeitos ao reaproveitamento.

 

A abordagem incluiu:

  • Mapeamento de resíduos, com análise detalhada do ciclo de vida para identificar gargalos e oportunidades de reutilização;
  • Tecnologia e dados, com aplicação de ferramentas digitais para mensurar e otimizar os impactos ambientais e econômicos das soluções propostas;
  • Colaboração integrada, por meio da coordenação entre equipes técnicas e estratégicas das duas empresas, para garantir a implementação eficaz e a captura de valor proposto;
  • Engajamento de stakeholders, com gestão da comunicação para assegurar que públicos internos e externos compreendessem os benefícios do projeto.

O projeto resultou em uma transformação significativa para as operações da Vale. Entre os principais resultados estão:

  • Redução do impacto ambiental: o gerenciamento otimizado dos resíduos diminuiu a pressão sobre áreas de descarte e reduziu os riscos associados a passivos ambientais.
  • Geração de novas receitas: resíduos que antes eram tratados como custo passaram a ser vistos como oportunidades, criando novas fontes de receita para a companhia.
  • Reconhecimento setorial: o projeto foi amplamente reconhecido nacional e internacionalmente em eventos como o Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa (ENTMME), o Congresso Brasileiro de Mineração (EXPOSIBRAM) e fóruns do MIT (Massachusetts Institute of Technology), além de instituições de referência como o Conselho Internacional de Mineração e Metais (ICMM), consolidando a Vale como líder em práticas sustentáveis no setor.

 

Somente no ano passado, a companhia produziu 12,7 milhões de toneladas de minério de ferro por meio de fontes circulares. Até 2030, a empresa pretende que 10% de sua produção anual seja proveniente da mineração circular.

Vemos que essa prática representa uma transformação necessária para o setor, que vai além da simples adaptação às demandas ambientais. Ela simboliza um novo paradigma de produção responsável, onde inovação, colaboração e compromisso com o futuro caminham juntos.

 

A EY está na vanguarda dessa transformação, oferecendo soluções integradas que ajudam as mineradoras a implementar práticas circulares de forma eficaz e sustentável. Com expertise em inovação, gestão de resíduos, e tecnologia digital, a EY apoia seus clientes ao alinhar estratégias de negócios às metas globais de sustentabilidade. 

Resumo

A crescente demanda global por minerais críticos para a transição energética vem impulsionando soluções mais sustentáveis na mineração. A mineração circular ganha destaque ao reaproveitar resíduos e reinseri-los na cadeia produtiva, reduzindo impactos ambientais e criando novas oportunidades econômicas. Um exemplo é o projeto Waste to Value, desenvolvido pela EY-Parthenon para a Vale, que utiliza materiais antes descartados para produzir minério e insumos industriais. A iniciativa contribui para diminuir passivos ambientais, otimizar áreas de armazenamento e ampliar receitas, consolidando a circularidade como estratégia relevante para o futuro do setor mineral.

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