Complexidade Operacional e ESG
A complexidade operacional lidera o ranking global. No Brasil, embora ocupe a quinta posição, continua sendo um tema que exige atenção, por conta de um ambiente regulatório mais rigoroso e do esgotamento gradual dos depósitos minerais, responsáveis por impor novos desafios ao setor.
Hoje, o setor reflete decisões de curto prazo, tomadas no passado. Após a extração dos depósitos mais superficiais, as mineradoras precisam agora desenvolver novas formas de operação. Com corpos minerais mais profundos, a tecnologia torna-se essencial para viabilizar novos projetos, assim como o avanço do conhecimento geológico, a adoção de novos equipamentos e o mapeamento mais preciso das futuras instalações.
“Inclusive, a agenda ESG - tanto em ambiental, social e governança - é um vetor muito importante a ser considerado pelas mineradoras em cada movimento e operação. Hoje, não há mais nenhum rascunho de projeto que não considere essas temáticas”, sinaliza Sartorio.
A circularidade é um exemplo de aposta do setor para mitigar a complexidade operacional e a falta de capital. Ainda que não esteja totalmente disseminada, grandes empresas têm programas focados no reaproveitamento do que foi descartado para abrir novas oportunidades de negócio, geração de receita e valor para a cadeira produtiva, visando os diferentes stakeholders.
Na pesquisa, 28% dos executivos brasileiros indicaram a circularidade como um dos fatores importantes da agenda ESG a ser analisado pelos investidores do setor de mineração e metais nos próximos 12 meses, o que representa uma média maior que o índice global (16%).
“O relacionamento com as comunidades é fundamental. Compartilhar valor com esses stakeholders, desenvolver essas regiões e suas populações são ações alinhadas com as necessidades do Brasil; sem preterir a mitigação dos impactos dos biomas, a descarbonização e agenda climática”, destaca Sartorio.
Sobre o estudo
Entre junho e julho de 2025, a EY realizou uma pesquisa global online anônima com líderes seniores dos setores de mineração e metais, de organizações com receita de pelo menos US$ 1 bilhão. No total, foram coletadas 500 respostas, sendo 24% de membros do conselho ou executivos de alto escalão (C-suite), 38% líderes de departamentos, unidades de negócios ou grupos de commodities, e 38% presidentes, vice-presidentes ou diretores. O recorte do Brasil corresponde a aproximadamente 10% da base.