Incidência alta de falso positivo é desafio no monitoramento das transações financeiras

16 mar. 2026

Mais de quatro em cada dez bancos comerciais, de acordo com estudo da EY, indicam que mais de 90% dos alertas gerados não resultam em investigações relevantes

Os altos índices de falso positivo representam um desafio para a eficiência dos sistemas de monitoramento de transações das instituições financeiras, de acordo com a Pesquisa de Maturidade PLD/FTP, realizada pela EY. Mais de quatro em cada dez bancos comerciais (44%) indicam que mais de 90% dos alertas gerados não resultam em investigações relevantes. 

“Esse dado reforça a dificuldade na parametrização e calibração das regras de monitoramento que, quando mal desenvolvidas, geram ruído excessivo e sobrecarregam as equipes de análise”, observa Natalia Grigolin, sócia de Prevenção a Crimes Financeiros da EY Brasil. “Embora a maioria das instituições financeiras pesquisadas esteja nas faixas superiores no nível de maturidade em relação ao monitoramento de transações, o percentual ainda elevado de média maturidade mostra que há espaço para evolução, especialmente considerando o papel central do monitoramento nos frameworks de PLD/FTP”, completa. 

A comparação com 2023, ano de referência da edição anterior do estudo, traz variações relevantes, principalmente no grupo de instituições com mais de 90% de falsos positivos, que subiu de 20% para 37% em 2025. Embora a soma das faixas superiores e inferiores tenha se mantido relativamente estável, o crescimento na faixa mais crítica reforça que os desafios de qualidade dos alertas continuam presentes. 

“A manutenção de altos índices de falsos positivos indica que, apesar dos avanços tecnológicos, há dificuldade em traduzir esses recursos em parametrizações mais eficazes. A leitura dos dados demonstra que o problema não está necessariamente no volume de transações ou na natureza do setor, mas na forma como os sistemas são configurados para identificar comportamentos suspeitos”, finaliza Grigolin.

Destaque para os bancos comerciais

A maturidade dos mecanismos de monitoramento das transações financeiras é o pilar mais desafiador dos programas de PLD/FTP (Prevenção à Lavagem de Dinheiro e ao Financiamento do Terrorismo e da Proliferação de Armas de Destruição em Massa). Os bancos comerciais apresentam o índice mais elevado de maturidade muito alta, com 32% das respostas, ainda segundo a pesquisa da EY. 

Já as SCFIs (Sociedades de Crédito, Financiamento e Investimento) têm a maior porcentagem de maturidade alta, com 100% das respostas. Logo atrás estão as instituições de pagamento com 83%. Por outro lado, 33% dos bancos de investimentos analisados dizem ter baixa maturidade no monitoramento de transações financeiras.

A Pesquisa de Maturidade PLD/FTP contou com a participação de 51 instituições financeiras de diferentes setores e portes institucionais. No recorte por setor de atuação, os bancos comerciais lideram a amostra, com 19 instituições respondentes, representando 37% do total de respondentes. Em seguida, aparecem as seguradoras, com 12 participantes (24% do total), e as instituições de pagamento, com seis respondentes (12%).

O volume de reportes ao COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) também foi abordado pelo levantamento. Os bancos comerciais concentram os maiores volumes – 26% dos respondentes indicaram mais de dez mil comunicações em 2024. Por outro lado, o estudo da EY chama atenção para o fato de que pelo menos 50% das DTVMs e bancos de investimento não fizeram reporte ao longo desse mesmo ano. O recorte sobre IPs também merece destaque: 67% delas realizaram entre um e cem reportes em 2024, número relativamente baixo ao considerar o volume expressivo de transações processado por esse tipo de instituição.

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