Estudo da EY aponta que mineração circular faz parte da busca por eficiência no setor

18 mai. 2026

Com o acesso a capital cada vez mais difícil, conforme indicam os executivos entrevistados, as mineradoras priorizam aproveitar ao máximo áreas já exploradas, o que passa por recuperar o material das pilhas e das barragens para produzir minério

A mineração circular deixou há muito de ser somente um tema de sustentabilidade para se tornar uma forma de as mineradoras buscarem eficiência no negócio. O momento é ainda mais propício para isso, conforme constata o estudo global “Top 10 business risks and opportunities for mining and metals”, elaborado pela EY. No recorte Brasil, a pesquisa aponta que, para os executivos do setor, o acesso ao capital está em primeiro lugar no ranking das dez principais oportunidades e riscos neste ano. A percepção dos respondentes é que o capital se tornou mais seletivo e, por consequência, mais caro. Nesse contexto de dificuldade para obter investimentos, o aproveitamento ao máximo das minas já exploradas se torna a prioridade das empresas.

As práticas de mineração circular otimizam a exploração dos recursos naturais, evitando a geração de resíduos por meio da reinserção do estéril e até mesmo do rejeito na atividade produtiva. Há um esforço para extrair minério de onde não existia em uma primeira análise, evitando que a mineração simplesmente lavre, processe e utilize os materiais, sem que haja uma verificação de tudo que possa ser aproveitado. “Para isso, deve ser feita, com a ajuda da tecnologia, uma análise apurada dos materiais contidos no estéril e no rejeito”, diz Marcelo Andrade, sócio de estratégia e transações da EY-Parthenon. “Ao descartar materiais que contenham teor de minério como de ferro, a mineradora está perdendo dinheiro”, completa.

As pilhas contêm os chamados estéreis, que são os materiais inicialmente identificados como não sendo minérios, mas que, na realidade, podem conter teor de minério depois de uma análise cuidadosa por meio de métodos geofísicos avançados. Nesses casos, os dados geológicos dos materiais são obtidos sem furar as pilhas, por meio de leituras com o uso de raio-x, sensoreamento térmico, ondas elétricas, entre outras tecnologias. “Com esses dados, a inteligência artificial tem condições de fazer projeções sobre o teor existente de minério, que pode ser de ferro, por exemplo, oferecendo insights para tomada de decisão sobre o reaproveitamento dos estéreis”, observa o executivo.

Uso crescente da tecnologia

Para Afonso Sartório, líder de Energia e Recursos Naturais da EY, a mineração circular, ainda que não esteja amplamente disseminada no setor, tem impulsionado as formas de operar com equipamentos autônomos e inteligentes, incluindo caminhões. “Há uma busca das mineradoras por inovação e tecnologia não somente nessa atividade de reaproveitamento de estéreis e rejeitos, como também em todo o processo produtivo”, afirma. O uso da tecnologia é fundamental para viabilizar a chamada mineração de terras profundas, que amplia o fornecimento de minerais e metais produzidos em minas existentes, mas que sofrem com a saturação da exploração na superfície. “Há uma necessidade cada vez maior de explorar os minerais de forma mais profunda. Somente é possível fazer isso com eficiência por meio da tecnologia, exigindo alocação de capital, que, como o estudo demonstra, está difícil de ser obtido”, completa Sartório.

O aumento dos custos e da produtividade aparece justamente como o segundo maior risco e oportunidade para os executivos atuantes no Brasil. Na sequência, fechando os três primeiros, vem a licença para operar. “Todos esses três elementos citados estão interligados, trazendo dificuldades para as mineradoras. A licença operacional se tornou mais restritiva por causa dos impactos da atividade no meio ambiente. Assim como as hidrelétricas, que não podem mais construir tantos reservatórios, estamos vendo movimento semelhante com as mineradoras, que não podem mais abrir tantas minas, motivo pelo qual a prioridade é elevar a produtividade das que já existem”, completa. 

Além disso, o executivo destaca que, com a transição da economia para a IA e para energias limpas, há demanda crescente por minerais e metais que supram a demanda por essas tecnologias e equipamentos. “Estamos falando de turbinas eólicas, painéis solares, baterias, veículos elétricos e redes de transmissão para apoiar a eletrificação da economia global, além da altíssima demanda pela construção de data center no contexto da inteligência artificial”, diz. “A mineração de terras profundas é o caminho para lidar com as restrições de fornecimento de minerais e metais, como ouro, cobre, prata e zinco, à medida que os recursos próximos à superfície se esgotam”, finaliza.

Sobre o estudo

A pesquisa da EY foi realizada entre junho e julho do ano passado com líderes dos setores de mineração e metais, mais precisamente de organizações com receita de pelo menos US$ 1 bilhão. No total, foram coletadas 500 respostas, sendo 24% de membros do conselho ou executivos de alto escalão; 38% de líderes de departamentos, unidades de negócios ou grupos de commodities; e 38% de presidentes, vice-presidentes ou diretores. O recorte do Brasil corresponde a aproximadamente 10% da base.

Termos de Uso

O material publicado pela Agência EY pode ser reproduzido de maneira gratuita desde que sejam colocados os créditos para a Agência EY e respeitados os termos de uso. Mais informações pelo e-mail ey@fsb.com.br.