Quase quatro em cada dez executivos brasileiros (38%) indicam a reforma tributária como o principal desafio externo das suas organizações nos próximos três anos, de acordo com o estudo anual da EY sobre os desafios e tendências das empresas latino-americanas. O período de transição da reforma, considerado extenso, vai até o fim de 2032, com sua implementação finalizada somente a partir de 2033. O resultado disso é que as empresas terão de conviver com dois sistemas tributários paralelos nos próximos anos.
Além do ambiente tributário dinâmico e das incertezas que envolvem a reforma, as transformações não se limitam à área fiscal, impactando todo o negócio. Existe ainda uma preocupação de saber como os concorrentes e outras empresas da cadeia estão se movimentando, já que a reforma pode resultar em vantagem competitiva ou ficar para trás, com perda de participação de mercado.
“Os impactos da reforma, que atingem todas as empresas, não são uniformes. O risco principal para as organizações é considerá-la somente uma obrigação da área tributária, sem avaliar as consequências que se estendem para todo o negócio, como as de precificação, contratos, créditos tributários, capital de giro, dados e arquitetura de ERP”, diz Leonardo Donato, líder de Clientes e Indústrias da EY na América Latina. Ainda segundo o executivo, as organizações que forem bem-sucedidas na mensuração dos impactos conseguirão proteger suas margens e transformar a adaptação regulatória em vantagem competitiva. “O risco está em concentrar energia excessiva na adaptação interna e perder de vista as mudanças no comportamento dos clientes, na demanda e no ambiente competitivo”, complementa.
Executivos tributários do setor do varejo presentes em evento realizado recentemente pela EY apontaram para a necessidade de contar com diferentes estratégias para o período de transição da reforma tributária e posterior a ele. “Isso porque cada etapa da reforma traz desafios específicos que exigem adaptações do negócio e revisitação do que já foi feito e se faz sentido seguir com o planejamento traçado”, diz Waine Peron, sócio-líder de impostos da EY Brasil, que participou desse encontro.
Para ajudar a mensurar esses impactos da reforma, a EY criou uma calculadora que permite visualização rápida e fácil do comportamento da empresa ao longo dos anos da reforma. No centro das simulações está o desafio da precificação, com a calculadora auxiliando a mensurar os impactos graduais até 2033, que marca o primeiro ano da reforma totalmente implementada, e permitindo projetar, no nível de cliente e produto, como as margens e a receita se comportarão a cada ano.
Outras preocupações
Na sequência, depois da reforma tributária, três preocupações aparecem empatadas, com 27%, para os executivos da amostra brasileira do levantamento da EY: cenário econômico global; mudanças na demanda, nas preferências e nos comportamentos de clientes; e riscos específicos do setor. Os respondentes apontam ainda cenário econômico local (26%); entrada de novos concorrentes e substitutos, tanto globais quanto locais (25%); e incerteza política local (22%).
“Há uma evidente preocupação com as economias doméstica e internacional. No âmbito interno, os juros elevados pressionados pelo endividamento fiscal do governo devem enfraquecer a atividade econômica nos próximos anos. Globalmente, a geopolítica instável tem pressionado o custo dos insumos, especialmente atrelados ao petróleo”, finaliza Donato.
A pesquisa Desafios e Tendências das Empresas em Latam 2026 teve como objetivo compreender as expectativas dos executivos da região para os próximos três anos, identificando os principais desafios internos e externos, bem como as tendências que devem impactar os negócios. Participaram do estudo 1.988 diretores e executivos de alto escalão de 18 países da região: Argentina, Bolívia, Brasil (com 214 respondentes), Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai e Venezuela.