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Inteligência Artificial: aplicação prática supera preocupações com segurança

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AI Sentiment Survey 2026 mostra que brasileiros lideram adoção de IA no mundo, enquanto debate público continua focado nos riscos das ferramentas.


Em resumo

  • 94% dos brasileiros utilizaram IA nos últimos seis meses, superando a média global de 84%.
  • 21% dos usuários brasileiros já permitem que a IA atue de forma autônoma em seu nome, face a 16% a nível mundial.
  • Segurança e privacidade continuam a ser as maiores preocupações, indicando que a adoção continua avançando mais rápido que a confiança.
  • Oito mercados “pioneiros”, incluindo o Brasil, apontam para um impacto transformador desproporcional da IA na economia global.

Os consumidores vêm apresentando um comportamento interessante quando o assunto é Inteligência Artificial. Ao mesmo tempo em que há uma adoção intensa da tecnologia no cotidiano, as discussões públicas continuam mais focadas nos riscos e na falta de confiança. No Brasil, essa diferença é ainda mais acentuada, uma vez que o país é um dos mercados que adotam IA mais rapidamente. Tanto em uso geral quanto na adoção de sistemas autônomos (Agentic AI), o Brasil está acima da média global.

Inteligência Artificial, a assistente invisível

O estudo AI Sentiment Survey 2026, da EY, contou com a participação de mais de 18 mil pessoas em 23 países (incluindo mil entrevistados no Brasil), mostra que a Inteligência Artificial é uma ferramenta presente no dia a dia, no planejamento, tomada de decisão e ação em diversos momentos da vida.

No mundo, 84% dos entrevistados dizem ter usado ferramentas de IA nos últimos seis meses, índice que sobe para 94% no Brasil. Esse dado coloca o país em um seleto grupo de “mercados pioneiros”, ao lado de Índia, China, Emirados Árabes, Arábia Saudita, México, Hong Kong e Coreia do Sul. Nessas localidades, os consumidores abraçaram o uso de Inteligência Artificial em atividades do dia a dia, como pesquisa de produtos – ainda que existam preocupações com privacidade e segurança da informação.

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Esse dado mostra que a IA, nesses países, não é uma curiosidade, e sim uma infraestrutura de apoio às atividades cotidianas. Nos mercados pioneiros, o uso de Inteligência Artificial, de forma autônoma ou não, está em um nível bem superior ao dos demais países – em grande parte pelo treinamento recebido, formal ou informalmente, no uso dessas ferramentas.

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Os números mostram que, no Brasil, a IA já está integrada a ações básicas de planejamento e tomada de decisão. A expectativa dos consumidores locais é que a tecnologia continue a simplificar tarefas, mas, nessa corrida, o uso prático tem superado a compreensão teórica e as preocupações com segurança da informação. De forma geral, a prioridade está na utilidade imediata da ferramenta, muitas vezes ignorando complexidades técnicas.

Essa falta de compreensão sobre o funcionamento da Inteligência Artificial pode gerar usos perigosos, uma vez que a tecnologia se move do papel de conselheira para o de autoridade – muitas vezes sem que as questões de segurança tenham sido resolvidas.

IA autônoma: o Brasil que lidera

O estudo AI Sentiment Survey 2026 revela o surgimento de uma “minoria significativa” que já delega decisões a sistemas de IA autônomos (a chamada IA Agêntica). No Brasil, 21% dos entrevistados já fazem isso, um índice bastante superior aos 16% da média global.

Esse número tem relação direta com a predisposição demonstrada pelos brasileiros em experimentar tecnologias – um movimento que coloca o país entre os maiores usuários de redes sociais e aplicativos de mensagens, entre outros. No que diz respeito à IA Agêntica, essa característica coloca o Brasil em uma posição de liderança tecnológica, moldando o futuro ao agir por meio da IA. O brasileiro demonstra mais disposição para delegar tarefas complexas a assistentes digitais, sinalizando uma oportunidade para empresas que consigam desenhar interfaces seguras para oferecer essa autonomia.

Confiança, um desafio

Apesar da alta taxa de adoção de IA, o estudo deixa claro que a confiança não tem crescido na mesma velocidade. Segurança dos dados e privacidade continuam sendo as principais preocupações para a maioria dos entrevistados.

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O fato de que os consumidores brasileiros usam a tecnologia e, ao mesmo tempo, expressam um grande desejo por regulamentação e garantias de segurança é um sinal de que a adoção de IA vem sendo impulsionada pela necessidade e pela conveniência – e não pela certeza de que suas informações pessoais estão sendo bem utilizadas.

Esse gap de confiança indica que as empresas não podem assumir que o uso frequente seja um sinal de aceitação total da tecnologia. O estudo mostra que os usuários esperam que princípios de design ético sejam integrados desde a origem nos projetos de IA – e que sua ausência pode prejudicar a confiança rapidamente, ao mesmo tempo em que o foco em transparência pode ser um diferencial competitivo. A permissão dada pelos consumidores ainda é frágil, e pode ser retirada a qualquer momento.

Estratégias e recomendações

Para as organizações que operam no mercado brasileiro e global, os dados do estudo AI Sentiment Survey 2026 sugerem três caminhos fundamentais:

  1. Fechar o gap de confiança: as empresas devem priorizar a transparência sobre como a IA toma decisões autónomas, especialmente em processos que envolvem dados sensíveis.
  2. Focar na utilidade prática: uma vez que a adoção vem sendo impulsionada pelo uso e não pelo discurso, o foco deve estar em funcionalidades que resolvam problemas imediatos dos consumidores.
  3. Preparação para a autonomia: com a disseminação de sistemas que agem em nome do usuário (IA Agêntica), os modelos de negócio precisam de ser revistos para interagir não apenas com humanos, mas também com os seus “agentes” digitais, menos suscetíveis às mensagens de marketing das empresas.

Para saber mais: Acesse o estudo AI Sentiment Survey 2026

Conclusão

O AI Sentiment Survey 2026 da EY revela um cenário onde a aplicação prática da Inteligência Artificial no Brasil supera as preocupações com segurança e privacidade, refletindo uma adoção acelerada e pioneira da tecnologia no país. Apesar do alto uso cotidiano e da disposição dos brasileiros em delegar decisões a sistemas autônomos, a confiança ainda é um desafio significativo, evidenciando a necessidade de maior transparência e ética no desenvolvimento das soluções. Para as organizações, o caminho está em fechar essa lacuna de confiança, focar na utilidade imediata da IA e se preparar para um futuro em que agentes digitais atuem em nome dos usuários, garantindo assim uma integração segura e eficaz da tecnologia na vida das pessoas e nos negócios.

Resumo

O artigo destaca que o Brasil lidera a adoção prática da Inteligência Artificial, com 94% dos brasileiros usando IA nos últimos seis meses e 21% permitindo que a IA atue autonomamente. Apesar disso, preocupações com segurança e privacidade persistem, mostrando que a confiança ainda não acompanha o ritmo da adoção. Recomenda-se maior transparência, foco na utilidade prática e preparação para a interação com sistemas autônomos para garantir uma integração segura e eficaz da IA.

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