Soluções práticas de GenIA para a indústria financeira
Na EY, já testemunhamos o impacto tangível da IA generativa por meio de soluções que desenvolvemos para o setor financeiro. Algumas iniciativas que destaco são o Talk to Data, EY Negocia, Code Jumper Assessment e Finance View, que demonstram o poder da tecnologia.
O Talk to Data permite que executivos interajam com dashboards financeiros usando linguagem natural. Por exemplo, é possível perguntar sobre o impacto do PIB no interior de São Paulo para o negócio e receber uma análise detalhada em segundos. Isso acelera decisões estratégicas e facilita a geração de insights, além de tornar a informação acessível a todos na organização. Seus benefícios incluem:
- Acesso simplificado aos dados: reduz a dependência de especialistas para análises iniciais.
- Tomada de decisão ágil: oferece respostas rápidas a perguntas específicas.
- Integração e acessibilidade: permite integração com plataformas como Microsoft Teams e inclui funcionalidades como conversão de fala em texto.
- Escalabilidade: pode ser expandida para diversas áreas e contextos analíticos.
O EY Negocia, por sua vez, transforma a negociação de dívidas. A ferramenta analisa a situação financeira do cliente e cria planos de pagamento personalizados, ajustando-os em tempo real com base nas interações. O resultado é uma experiência mais fluida para o cliente e uma operação mais eficiente para a instituição.
Já o Code Jumper Assessment é uma solução de IA generativa que analisa, compreende e interpreta informações como programas, scripts e tabelas, transformando o código legado em um ativo estratégico e acelerando o processo de modernização de sistemas por meio de uma análise aprofundada de impacto e da elaboração automática do plano de migração.
Por fim, o Finance View opera sugerindo, ao assessor de investimentos, produtos financeiros com taxas mais atrativas aos seus clientes, utilizando os dados do OpenFinance e IA Generativa para hiperpersonalização.
Entre os resultados observados, o tempo de atendimento pode ser reduzido em 33%, e o custo operacional diminuiu 20%. Esses exemplos são apenas o ponto de partida. A cada dia, novas possibilidades surgem, ampliando o horizonte de transformação do setor.
O futuro exponencial da IA e os próximos desafios a superar
A evolução da IA é exponencial, e as instituições financeiras precisam acompanhar esse ritmo acelerado. O que é novo hoje pode se tornar obsoleto amanhã, exigindo uma capacidade constante de reinvenção.
O futuro aponta para cenários onde co-pilots evoluem para agentes conselheiros, oferecendo análises mais personalizadas e preditivas, como conselheiros de carteiras de investimento e avaliadores de bem-estar financeiro.
No crédito e análise de risco, a IA já permite análises muito mais rápidas, com a possibilidade de scores de crédito em tempo real, impulsionando a competição entre as instituições.
No setor de seguros, a IA está transformando a subscrição inteligente baseada em dados em apólices líquidas que se ajustam em tempo real, considerando comportamentos e momentos de vida do cliente. Isso permite uma assertividade e tempestividade sem precedentes nas análises comportamentais que influenciam o risco de crédito e seguro.
Mesmo com esses avanços, enfrentamos obstáculos importantes. Segurança da informação, vieses nos algoritmos, e transparência são preocupações constantes. Nunca teremos uma garantia absoluta contra erros ou falhas, mas podemos minimizar riscos com diretrizes claras e validação humana contínua, que permanece essencial em nossos processos.
Outro ponto de atenção é o impacto nos colaboradores. Nossa pesquisa global aponta para o fenômeno do “employee burnout and AI fatigue” – um cansaço extremo ligado ao uso de IA, mas não só, que não podemos ignorar. Desde a pandemia, as pessoas colocaram um novo olhar sobre relacionamentos interpessoais e a forma como lidam com o excesso de informação da era em que estamos vivendo e a carga emocional intrínseca. Precisamos equilibrar a adoção tecnológica com o bem-estar das equipes, assegurando que a inovação não venha às custas da saúde mental.
Para o futuro, vejo plataformas financeiras que se adaptam em tempo real ao comportamento dos clientes, atendendo a uma base diversa, como a geração Z, que demanda agilidade e experiências digitais nativas. Alcançar esse nível exige investimentos contínuos em modernização e governança, sempre equilibrando inovação com letramento e responsabilidade.
Na EY, nosso compromisso é guiar as instituições nessa transformação, oferecendo não apenas tecnologia, mas também a expertise necessária para aplicá-la de maneira ética e escalável. O caminho à frente demandará um equilíbrio entre ousadia e cautela, com o elemento humano sempre no centro, validando e direcionando as decisões da IA. Só assim poderemos construir um setor financeiro mais eficiente, inclusivo e preparado para o futuro.