Apenas cerca de 33% das empresas familiares conseguem realizar com sucesso a transição da primeira para a segunda geração. Entre os principais fatores que explicam essa longevidade estão práticas que vão além da gestão do negócio e se concentram na qualidade das relações familiares. Em geral, essas empresas são conduzidas por chamadas famílias integradas, que compartilham características fundamentais.
1. Preocupação genuína com os demais membros da família
Nas famílias integradas, o cuidado com o outro é legítimo e constante. Existe interesse verdadeiro pelo bem-estar dos familiares, o que fortalece vínculos, valoriza as relações e reflete o afeto construído ao longo do tempo. Esse ambiente de confiança é essencial para enfrentar decisões difíceis e períodos de transição.
2. Espaço para socialização e convivência
Essas famílias preservam momentos de encontro que não giram em torno da empresa. Reuniões para socializar, conversar sobre a vida e se divertir juntos ajudam a manter a harmonia e reduzem tensões. Evitar temas empresariais nesses momentos contribui para separar os papéis de família e negócio.
3. Cultura familiar homogênea
Os valores compartilhados funcionam como o principal elo de união. Com o passar do tempo, é natural que a família se divida em diferentes núcleos, o que pode gerar visões e crenças distintas. Quando não há uma base de valores comum, a resolução de conflitos — especialmente os ligados a crenças pessoais — torna-se mais complexa.
4. Comunicação fluida e respeitosa
A transparência é indispensável nas relações familiares. Uma comunicação eficaz exige cuidado com a forma, evitando confundir assertividade com agressividade. Muitas vezes, a falta de habilidade comunicacional gera ruídos, ressentimentos e conflitos desnecessários. Além disso, comunicar bem não significa apenas falar com clareza, mas ouvir ativamente, buscando compreender o outro para além dos próprios filtros e interpretações.
5. Existência de um membro dedicado à integração familiar
Quando se fala em sucessão, costuma-se pensar apenas na liderança executiva ou no conselho. No entanto, é igualmente importante olhar para a sucessão no âmbito da família. Ter um membro responsável por promover o diálogo, mediar conflitos e estruturar ações — muitas vezes no papel de um conselho de família — é fundamental para garantir a continuidade e a coesão familiar ao longo das gerações.