Embora eficiência energética, eletrificação e fontes renováveis possam reduzir até 70% das emissões globais de gases de efeito estufa, o hidrogênio verde (H2V) desponta como peça-chave na transição energética.
Em 2023, a demanda mundial por hidrogênio chegou a 97 Mt, ainda concentrada em aplicações tradicionais como aço, fertilizantes e refino. Mas, em um cenário de neutralidade de carbono até 2050, a expectativa é que a demanda total atinja 140 Mt já em 2030.
“O hidrogênio verde (H2V) é considerado ainda mais relevante na busca pelo carbono zero, especialmente em setores que têm mais dificuldades de reduzir suas emissões, como a indústria pesada e o transporte de longa distância (aéreo, por exemplo)”, afirma Diogo Yamamoto, sócio da EY-Parthenon, área de estratégia e transações da EY.
Para analisar os potenciais e os desafios da indústria, a EY-Parthenon realizou um estudo aprofundado sobre essa fonte, que dá ao Brasil um papel de protagonista. Segundo a BloombergNEF, o país pode ser um dos poucos a produzir H2V a um custo competitivo de US$ 1,47 por quilo até 2030. Isso porque o Brasil já se destaca por sua matriz energética limpa (atualmente com 88%), principal insumo para a produção do hidrogênio verde.
O estudo, porém, mostra que quatro frentes precisam ser endereçadas para viabilizar esse protagonismo: planejamento energético nacional, marcos regulatórios e políticas estratégicas, adequação da infraestrutura e garantia de fornecimento de energia renovável.
Yamamoto reforça que é necessário endereçar essas quatro grandes questões “para que o país não fique para trás nessa corrida que conta com concorrentes como Austrália, Holanda e Reino Unido – ainda que nenhum deles tenha condições energéticas tão favoráveis como a do Brasil".
O estudo completo já está disponível e detalha a rota do hidrogênio verde, os desafios da cadeia de valor (tecnologia, recursos, financiamento, distribuição e regulação) e seis ações fundamentais para desbloquear o potencial brasileiro.