planta crescendo na terra

Como a crescente demanda por energia pode gerar prosperidade?

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Programa desenvolvido pela EY para a Vale recupera, por meio da tecnologia, material antes descartado como rejeito.


A mineração circular será um dos destaques da COP30, pelo seu potencial de otimizar a exploração dos recursos naturais e evitar a geração de resíduos na atividade de mineração, por meio da reinserção do estéril, e até mesmo do rejeito na atividade produtiva.

Há dois tipos de circularidade na cadeia de mineração: no início do processo, com o aproveitamento dos resíduos resultantes da atividade de mineração, e no pós-consumo, quando já existe um produto derivado desses insumos minerários, como o carro, que no fim do seu ciclo de vida retorna para o processo produtivo em forma de sucata, que é reintroduzida na fabricação do aço.

O primeiro tipo é feito pelas mineradoras, extraindo-se minério de onde não existia em uma primeira análise, enquanto o segundo é realizado pelas siderúrgicas, motivo pelo qual a integração nessa indústria é o primeiro passo para a sustentabilidade. O objetivo é que a mineração não extraia recursos de forma linear, simplesmente lavrando, processando e utilizando materiais, cuja parcela será descartada sem aproveitamento.

“O aproveitamento dessa parcela depende de uma análise apurada dos materiais contidos no estéril e no rejeito, o que é justamente o foco do Waste to Value, programa desenvolvido pela EY para a Vale”, diz Marcelo Andrade, sócio de estratégia e transações da EY-Parthenon.

Mineração circular versus modelo tradicional de exploração

A mineração circular se tornou tema central para as mineradoras pela necessidade crescente de reutilização dos materiais residuais gerados por sua atividade. Outro aspecto crítico é a perda de dinheiro com o descarte de materiais com algum teor de minério, como o de ferro.

Na prática, no caso da Vale, durante a escavação de uma grande área de mina, parte do material contém minério e parte não. O material considerado sem teor economicamente viável nessa análise inicial e ainda superficial é depositado em pilhas ou encaminhado para barragens, como a do Gelado, em Carajás (PA).

Nas pilhas de estéreis, que são os materiais inicialmente identificados como não sendo minérios, pode ser identificado teor de minério depois de uma análise cuidadosa por meio de métodos geofísicos avançados. Os dados geológicos dos materiais são obtidos sem a necessidade de se perfurar as pilhas, por meio de leituras com o uso de raio-x, sensoreamento térmico, ondas elétricas, entre outras tecnologias. Com esses dados, a IA faz projeções sobre o teor existente de minério, que pode ser de ferro, por exemplo, oferecendo insights para tomada de decisão sobre o reaproveitamento dos estéreis.

Esse trabalho faz parte do projeto Waste to Value, realizado pela EY para a Vale, que, somente no ano passado, produziu 12,7 milhões de toneladas de minério de ferro por meio de fontes circulares. Até 2030, a empresa pretende que 10% da sua produção anual seja proveniente da mineração circular. O Waste to Value está inserido no modelo de mineração circular na medida em que, por meio de uma série de práticas no processo produtivo, recupera o material das pilhas e das barragens para produzir minério ou obter produtos como cimento, fertilizantes, areia, blocos construtivos, entre outros. Isso diminui significativamente os distúrbios ambientais e sociais, liberando inclusive áreas para que novos materiais – que não estão realmente sujeitos a reaproveitamento – sejam armazenados.

Outras ações para tornar a cadeia de mineração e metais mais sustentável

Hoje, há um esforço conjunto de descarbonização por parte das mineradoras e das siderúrgicas, já que suas atividades produtivas estão interligadas. Boa parte do que se emite nessa cadeia vem das siderúrgicas, mas as mineradoras têm um papel relevante no fornecimento dos insumos. Quanto melhor a qualidade do minério, maior é a eficiência energética no elo siderúrgico, o que significa menos emissão de gases de efeito estufa (GEEs) por parte das siderúrgicas. O briquete verde, da Vale, por exemplo, tem alta qualidade, exigindo menos energia no processo de produção do aço.

A mineração do futuro inclui operações mais inteligentes, resultando em minas minimamente invasivas que buscam carbono neutro e redução significativa de estéril e rejeito; compartilhamento de valor na cadeia e nos territórios onde a mineradora atua; e força de trabalho capacitada para lidar com a tecnologia e os desafios atuais e futuros.

Como as mineradoras estão se movendo para atender à demanda crescente por minerais críticos, fundamentais para a transição energética

O avanço global das energias renováveis impulsionará a demanda por minerais críticos nos próximos anos, revelou estudo da EY-Parthenon. Essa nova dinâmica global de energia criará uma série de oportunidades para o setor de mineração, especialmente em países produtores como Brasil, Chile, China, Rússia, Peru e Indonésia. Os minerais críticos considerados pela pesquisa foram cobre, cobalto, lítio, níquel, grafite e elementos de terras raras essenciais para a transição energética.

Nos últimos cinco anos, o crescimento da geração anual de energia renovável foi de 6,2%, enquanto as não renováveis avançaram 1,2%, de acordo com a Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA, na sigla em inglês). Estimativas apontam que a demanda por cobre deve dobrar até 2035, enquanto a de lítio crescerá 910% até 2050. Em relação à produção e ao processamento desses minerais críticos, a China se destaca no mundo, mas o Brasil e outros países como o Canadá podem se beneficiar de uma certa “neutralidade” geopolítica. Para a Europa e os EUA, pode fazer mais sentido, em termos de segurança de suprimento ou fornecimento, comprar do Brasil e do Canadá do que da China, motivo pelo qual precisamos mirar essa vantagem competitiva.

Resumo

A mineração circular se tornou tema central para as mineradoras e será um dos destaques da COP30. Programa Waste to Value, realizado pela EY para a Vale, é exemplo. Somente no ano passado, produziu 12,7 milhões de toneladas de minério de ferro por meio de fontes circulares.

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