Baixo mapeamento geológico prejudica Brasil no fornecimento de minerais para transição energética

03 set. 2024

Somente pouco mais de um quarto do território do país está mapeado na escala mínima adequada para o início de um projeto de prospecção mineral, de acordo com estudo da EY com o IBRAM.
  • Agência EY

O Brasil tem conhecimento limitado da sua riqueza mineral em comparação com outros países de porte equivalente, como Canadá, Estados Unidos, Austrália e África do Sul. Somente cerca de 27% do território está mapeado em escala 1:100.000, que é a mínima adequada para o início de um projeto de prospecção mineral. Esse cenário ocorre em meio a uma participação expressiva do Brasil na produção mineral mundial, com mais de 90 minerais que geram receitas anuais superiores a US$ 50 bilhões. Os dados são do estudo “A atratividade do setor mineral brasileiro”, produzido pela EY em parceria com o IBRAM (Instituto Brasileiro de Mineração), que traz os aspectos favoráveis e os desafios da atividade mineral. 

Se o índice de mapeamento fosse superior, o país apresentaria resultados superiores, elevando sua presença global. Entre os principais minérios produzidos, 11 somam 90% do valor total de sua produção: ferro, ouro, cobre, níquel, alumínio, estanho, manganês, nióbio, zinco, cromo e vanádio. Além da já consolidada posição de produtor e detentor de reservas de nióbio e de minério de ferro, o Brasil tem uma rica e diversificada oferta de minerais considerados estratégicos para o desenvolvimento de tecnologias de transição energética, como lítio, níquel, grafite e minerais terras raras.

Em um mundo voltado para a transição energética, a demanda por esses minerais será cada vez maior. Os carros elétricos, assim como a infraestrutura solar e de geração eólica, exigem o uso desses insumos. Ainda segundo o estudo da EY, o crescimento da demanda até 2040 por lítio será de 42 vezes; 25 vezes por grafite; 21 vezes por cobalto; 19 vezes por níquel; sete vezes por terras raras; e três vezes por cobre. A meta global é alcançar até 2050 a neutralidade de carbono, reduzindo os piores efeitos do aquecimento global, o que somente será possível por meio da transição energética, com a adoção de fontes limpas em substituição às provenientes dos combustíveis fósseis.

Exploração mineral no Brasil

Conforme o levantamento demonstra, a transição energética plena só será possível com a ampliação da produção de diversos minerais críticos. No Brasil, a exploração mineral é feita de modo dominante por empresas de mineração de grande porte – chamadas de major – com operações em todo o mundo, que são bem estabelecidas no mercado e com foco em matérias-primas do seu portfólio. Apenas 27% do aporte investido é atribuído a empresas do tipo junior, que são menores e tipicamente interessadas no desenvolvimento de novos projetos de descobertas minerais. Em outros países relevantes para a mineração, as empresas junior são responsáveis por percentuais mais expressivos dos investimentos e também protagonistas na ampliação do leque de commodities exploradas.

Além disso, os investimentos anuais na exploração mineral brasileira são limitados, especialmente em metais não ferrosos. O Brasil corresponde a somente 3% desse valor, já que 50% do orçamento global está em países com alto mapeamento geológico. Na América do Sul, o Peru e o Chile recebem investimentos substancialmente maiores do que o Brasil. Contribui também para isso a ausência de políticas nacionais de atração de investimentos e de mecanismos compensatórios de risco, previstos em outros países como Canadá.

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