O Brasil atravessa um momento decisivo em sua jornada de transição energética, marcado por uma combinação única de oportunidades e desafios. Embora 80% de sua matriz energética já seja renovável, fatores como o crescimento econômico, a urbanização e os avanços tecnológicos devem elevar a demanda e o consumo médio anual em 3,4% nos próximos anos, conforme dados do Ministério de Minas e Energia e da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Nesse cenário, desafios estruturais e sociais precisam ser enfrentados com urgência.
Desafios estruturais
A geração, transmissão e distribuição de energia no Brasil enfrentam desafios significativos, incluindo os impactos das variações sazonais e das mudanças climáticas na eficiência das usinas hidrelétricas. A infraestrutura de transmissão, devido às longas distâncias, é suscetível a perdas e ineficiências, enquanto a rede de distribuição necessita de modernização. O aumento previsto de mais de quatro vezes na frota de veículos leves híbridos e elétricos em circulação até 2035, segundo a EPE, exigirá planejamento adequado para a expansão da infraestrutura de recarga. Além disso, o modelo setorial atual apresenta complexidades que nem sempre refletem o custo real do fornecimento.
O governo brasileiro busca mitigar esses desafios com iniciativas como o Plano Nacional de Energia 2050 e o programa RenovaBio, que visa ampliar a produção e o uso de biocombustíveis, contribuindo para a redução das emissões de gases de efeito estufa.
Desafios sociais
A transição energética no Brasil também enfrenta desafios sociais. É essencial garantir que o processo seja justo e proteja populações vulneráveis dos impactos econômicos dessa transformação. A governança dos projetos de energia renovável é outro ponto crítico. Casos de green grabbing — apropriação de terras para projetos energéticos — reforçam a necessidade de maior segurança jurídica e da inclusão de comunidades locais nos processos de decisão.
Próximos passos
Em 2025, espera-se uma intensificação das iniciativas relacionadas à sustentabilidade, especialmente em antecipação à realização da COP30 no Brasil. Um exemplo disso é a adoção das normas IFRS S1 e S2 pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Para muitas empresas brasileiras, a transição energética será desafiadora, mas inadiável. Organizações que se adaptarem rapidamente poderão obter vantagens como maior acesso a capital, mercados internacionais e uma reputação fortalecida em um cenário onde critérios ESG são cada vez mais determinantes.
O Brasil tem vantagens competitivas naturais que podem viabilizar a modernização de sua infraestrutura energética e a adoção de mecanismos para atrair novos investimentos. Nossa missão é apoiar as organizações na transformação desses avanços em estratégias alinhadas às demandas do mercado e da sociedade, promovendo um sistema energético mais eficiente, resiliente e sustentável.
*Leia outros artigos no e-book “Um olhar para o futuro: Práticas ESG redefinem estratégias em um cenário de economia verde”.