“Esses números revelam o papel estratégico das empresas familiares não apenas na economia brasileira, mas na dinâmica global dos negócios. O que mais impressiona nesse levantamento é a diversidade de setores representados, do agronegócio à siderurgia, do varejo à indústria de transformação. Isso comprova que as empresas familiares no Brasil têm capacidade de se reinventar, inovar e crescer com consistência, mesmo em contextos desafiadores” diz Raquel Teixeira, sócia-líder de EY Private LATAM.
Essas companhias são compostas por um grupo diversificado de setores e regiões geográficas e estão distribuídas em 44 localidades, sendo 47% na Europa, 29% na América do Norte, 18% na Ásia e 6% no resto do mundo. Entre os setores mais proeminentes, o varejista é o que tem maior representação com 20% das empresas em destaque, quase metade (49%) da receita total vem de organizações sediadas nos Estados Unidos e emprega 7,18 milhões de pessoas globalmente. Em seguida, vem o de consumo (19%), manufatura avançada (15%) e mobilidade (9%). O setor de consumo, com receitas combinadas de US$ 1,5 trilhão e 4,4 milhões de funcionários, é o segundo maior setor no índice por receita.
“Quando olhamos para a América Latina, o Brasil e o México, por exemplo, lideram em número de empresas familiares de grande porte. Isso sinaliza o potencial da região para ganhar ainda mais protagonismo nos próximos anos, desde que continue investindo em estrutura, governança e preparação das novas gerações para liderar. Em um mundo cada vez mais volátil, a capacidade das empresas familiares de tomar decisões com visão de longo prazo, enraizadas em valores sólidos e compromissos duradouros, se mostra um dos maiores diferenciais competitivos para enfrentar os desafios desta nova era dos negócios”, avalia Raquel.
A sócia é líder também do Empreendedor do Ano no Brasil, programa de incentivo ao empreendedorismo brasileiro realizado anualmente pela EY, que tem uma categoria dedicada a reconhecer executivos de empresas familiares. Nas últimas edições, participaram: Daniel Randon (Randoncorp), Amanda Klabin (Klabin), Sérgio Moura e Paulo Sales (Baterias Moura).
No entanto, para se manterem relevantes em seu negócio principal e expandir para outras frentes de atuação, “os M&As continuam sendo essenciais para o crescimento e a estratégia de capital”, observa Raquel. O estudo mostra que 47% das 500 empresas familiares estiveram envolvidas em, pelo menos, uma transação de fusão e aquisição durante os últimos dois anos. Neste período, foram registradas 616 transações e 34% dos negócios divulgados excederam US$ 250 milhões. “O alto grau de profissionalização dessas companhias também merece destaque. Muitas delas já contam com estruturas robustas de governança e sucessão, o que as posiciona de forma resiliente em rankings globais e evidencia como tradição e inovação podem caminhar juntas”, complementa.
A constância e a longevidade de empresas familiares também são fatores determinantes para alcançar o sucesso. O estudo mostra que 34% das empresas listadas no índice têm mais de 100 anos, 85% estão operando há mais de 50 anos e em mais de 40% há um membro da família que também ocupa o cargo de CEO. “Além da principal cadeira, a participação de algum familiar nos negócios pode ser também como membro do conselho de administração da empresa”, observa Raquel.
Sobre o estudo
O Global 500 Family Business Index de 2025 da EY e da Universidade de St.Gallen é feito a cada dois anos desde 2015. Ele inclui as 500 maiores empresas controladas por famílias com base nas receitas e destaca até que ponto estão contribuindo para a economia global.
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