Vivemos uma era em que tecnologias como inteligência artificial generativa, machine e deep learning, IoT, dados, robótica e outras tecnologias emergentes estão redefinindo a forma como as empresas operam e interagem com seus clientes. Essa nova etapa da transformação digital exige não apenas agilidade, mas também uma arquitetura tecnológica preparada para evoluir de forma contínua.
Nesse cenário, os ERPs continuam desempenhando um papel central nas operações empresariais. No entanto, a customização excessiva dos sistemas de ERP ao longo dos anos tem se mostrado um dos principais obstáculos para atualizações de versão, migrações, uso de agentes de IA e inovações. Cada customização adiciona camadas de complexidade, aumenta custos e eleva significativamente os riscos de qualquer transformação.
É aí que entra o conceito de ERP Surrounding: uma abordagem estratégica que propõe manter o core do ERP o mais próximo possível do padrão (standard), transferindo as customizações para soluções satélites mais flexíveis e desacopladas. Essa arquitetura “greenfield by design” permite que o ERP permaneça leve, estável e preparado para upgrades futuros – enquanto os processos específicos do negócio ganham liberdade para inovar fora do core.
Abaixo exploramos por que o caminho para um ERP moderno, resiliente e adaptável passa pela adoção do modelo Surrounding e como essa escolha pode representar um divisor de águas na jornada de transformação digital das empresas.
Pilares do ERP Surrounding
O ERP Surrounding baseia-se em três pilares estratégicos, que consideram aspectos técnicos, financeiros e, principalmente, qual será o valor agregado ao negócio após a transformação.
1) Técnico
Este pilar compreende a implementação de customizações e integrações com o core do ERP. Um aspecto que sempre é levado em consideração ao estabelecer o pilar técnico é o framework de arquitetura corporativa (Enterprise Architecture ou EA), uma abordagem estruturada que ajuda as organizações a alinhar sua estratégia de negócios, processos, informações e tecnologia para alcançar seus objetivos.
2) Financeiro
Este pilar se beneficia muito da adoção de novas tecnologias. Envolve uma abordagem integrada com foco em eficiência financeira (FinOps) e gestão de CAPEX x OPEX. Na estrutura operacional FinOps, as empresas buscam maximizar o valor de negócios feitos na nuvem e com tecnologia para uma tomada de decisão baseada em dados e em tempo real. A gestão de despesas – CapEx para investimentos de longo prazo em ativos que sofrem depreciação ao longo do tempo e OpEx para custos recorrentes e contínuos deduzidos no ano – é fundamental para qualquer negócio.
3) Valor para o negócio
Este pilar inclui o desenho de soluções que sejam ao mesmo tempo flexíveis e devidamente orientadas para agregar mais valor ao negócio. De forma reduzida, a proposta de valor do ERP Surrounding é aumentar o valor do negócio e a governança de TI, ao mesmo tempo reduzindo os custos totais de TI.
*Esta é uma versão adaptada do artigo publicado inicialmente no The Shift.