Estudo demonstra efeito multiplicador de cada real investido no esporte

08 set. 2025

Há, no entanto, o desafio entre as modalidades esportivas de promover a governança, com uma gestão profissional e transparente, para que o potencial desse investimento seja explorado em sua totalidade

A cada real investido pela iniciativa privada no esporte, o retorno é de 23 reais, de acordo com o Relatório PIB do Esporte Brasileiro, realizado pela EY para o Instituto Sou do Esporte. Se o real vier de iniciativas do governo, esse retorno corresponde a 12 reais. O estudo considerou como referência o ano de 2023 para demonstrar que a indústria do esporte movimentou R$ 183,4 bilhões, o equivalente a 1,69% do PIB nacional, o que a coloca entre os setores de destaque da economia brasileira – acima inclusive do setor de cultura, cuja participação no PIB é de 1,55%. Os segmentos que mais contribuíram para esse resultado foram comércio de artigos esportivos (52%), atividades recreativas (25%), indústria (13%) e mídia e publicidade (7%). 

“Foi utilizada uma definição ampla do esporte, que vai desde a prática amadora de atividades por questões de saúde até o alto rendimento”, diz José Ronaldo Rocha, sócio da EY e líder de consultoria para Tecnologia, Mídia & Entretenimento e Telecomunicações (TMT), que palestrou na Rio Innovation Week deste ano, conferência global de tecnologia e inovação. “No entanto, podemos dizer que esse impacto é, na realidade, muito maior do que o calculado no PIB brasileiro, já que ficaram de fora do estudo os gastos, por exemplo, decorrentes da ida a um evento esportivo, como aqueles com restaurantes, hotéis e passagem aérea. A Maratona do Rio de Janeiro, que é um dos maiores eventos da cidade, movimentando a economia por três dias seguidos, não foi considerada. O esporte traz esse efeito multiplicador para toda a economia, impactando positivamente outras atividades”, completa. 

Em termos de empregos, o relatório aponta que o esporte gera 3,3 milhões de empregos diretos formais (no regime CLT). “Há naturalmente um impacto positivo também para os trabalhadores informais, como ambulantes, e microempresários incluídos no regime de MEI (Microempreendedor Individual), principalmente quando os eventos esportivos são realizados”, adiciona José.

Necessidade de governança

Ainda segundo o executivo, há um desafio para as modalidades esportivas de promover a governança. “Estudos como esse demonstram o potencial enorme desse mercado para receber investimentos, mas ele só será plenamente aproveitado se houver uma governança, formada por políticas, controles e métricas, que gere sustentabilidade para o setor, com transparência e profissionalismo na gestão, inclusive dos clubes associativos”, observa. José destaca que a visibilidade de quanto o negócio pode gerar de impacto atrai por si só investimento, que só será constante se esse mercado responder satisfatoriamente com boas práticas de gestão. “Das 48 modalidades olímpicas dos jogos de verão, só lembramos de algumas poucas antes das olimpíadas. Só vamos lembrar da maioria delas quando assistimos na televisão durante a competição. Há um desafio também por parte das confederações desses esportes de tornar sua gestão profissional para atrair a atenção dos investidores”, finaliza.

Para chegar a esses números, o relatório considerou bases de dados oficiais como os gerados por Receita Federal, IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), CNPJs setoriais e órgãos de fomento. A isso se somou a coleta de dados em bases públicas e proveniente de questionários enviados para instituições esportivas. Para completar, os cálculos consideraram os dados da Comissão Desportiva Militar do Brasil (CDMB), Lei de Incentivo ao Esporte, Secretarias e Ministério, entre outros.

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