No ano passado, o slogan da NRF foi “Game Changer”, revolucionário e enfatizando a onda de IA que cresceria em todas as áreas. O slogan deste ano é “The Next Now”, o “próximo agora”. Esse tema não poderia ser mais relevante para o varejo, que sempre busca a inovação, mas também é impactado de forma tão direta por tudo que acontece ao redor. Presenciamos em escalas locais e globais todo tipo de pressão desde econômica, política, novas tendências e disrupções de modelos, afetando o comportamento de quem compra.
Quando analisamos o estudo Future Consumer Index, produzido pela EY, vemos correlações importantes com o resultado e perspectivas do varejo, entrando em outra revolução tecnológica, que como sempre exige ajustes e evoluções nas estruturas atuais:
- Redução de gastos: Quase metade dos consumidores (47%) diminuiu seu consumo devido a fatores econômicos. Além disso, 61% afirmaram que mudariam seus hábitos de compra se os preços diminuíssem.
- Sensibilidade ao preço: Os consumidores estão cada vez mais atentos às ofertas e alternativas econômicas. Por exemplo, 53% preferem supermercados de desconto para alimentação, e muitos estão utilizando marketplaces digitais para moda.
- Escape das marcas tradicionais: Uma parte significativa (35%) dos consumidores considera as marcas irrelevantes. No entanto, 48% estariam dispostos a trocar de marca se encontrassem qualidade ou desempenho superiores.
- Consciência nas escolhas: A maioria dos consumidores (79%) avalia rigorosamente suas necessidades antes de comprar, e 76% preferem reparar itens em vez de substituí-los.
O estudo indica um movimento estrutural duradouro, em que a fidelidade à marca deve ser conquistada diariamente por meio de valor tangível e autenticidade, considerando o momento de cada tipo de consumidor.
A NRF 2026 trouxe uma série de tópicos conhecidos, mas com ideias e formas de fazer diferente, mais evoluídos, com cada vez mais tecnologia e IA aplicadas, focando em resultados e experiências positivas para o consumidor.
- Integração da inteligência artificial: A IA, especialmente generativa, será aplicada de forma robusta em processos como gestão de inventário, precificação dinâmica e otimização operacional. A IA se tornará uma infraestrutura essencial para decisões estratégicas no varejo.
- Social commerce: Trata-se de mostrar a importância das estratégias de compras sociais, com uma maior colaboração entre criadores de conteúdo e marcas, visando engajar e fidelizar a Geração Z e Alpha.
- Evolução do omnichannel: O conceito de omnichannel se expandirá, focando na orquestração de jornadas de compra que proporcionem consistência e previsibilidade, melhorando a experiência do consumidor.
- Parcerias e ecossistemas: Espera-se que as empresas colaborem para criar ecossistemas que integrem diferentes capacidades, transformando jornadas de compra em oportunidades de negócio. Isso incluirá colaborações entre grandes marcas e iniciativas criativas.
- Economia do cuidado: As experiências digitais e físicas serão centradas nas interações humanas, transformando lojas físicas em espaços de conexão social e pertencimento.
Para conectar e expandir esses temas, é necessária uma base solidificada em pessoas, cultura, processos e tecnologia que permita entregar com excelência. Cada vez mais, estar preparado para mudanças é o principal diferencial competitivo.
*Esta é uma versão adaptada do artigo publicado inicialmente no Meio&Mensagem.