Artigo: NRF 2026 demonstra que varejo passa por revolução tecnológica com foco no consumidor

13 jan. 2026

Por Willian Valiante, sócio de consultoria para Varejo da EY na América Latina

No ano passado, o slogan da NRF foi “Game Changer”, revolucionário e enfatizando a onda de IA que cresceria em todas as áreas. O slogan deste ano é “The Next Now”, o “próximo agora”. Esse tema não poderia ser mais relevante para o varejo, que sempre busca a inovação, mas também é impactado de forma tão direta por tudo que acontece ao redor. Presenciamos em escalas locais e globais todo tipo de pressão desde econômica, política, novas tendências e disrupções de modelos, afetando o comportamento de quem compra.

Quando analisamos o estudo Future Consumer Index, produzido pela EY, vemos correlações importantes com o resultado e perspectivas do varejo, entrando em outra revolução tecnológica, que como sempre exige ajustes e evoluções nas estruturas atuais:

- Redução de gastos: Quase metade dos consumidores (47%) diminuiu seu consumo devido a fatores econômicos. Além disso, 61% afirmaram que mudariam seus hábitos de compra se os preços diminuíssem.

- Sensibilidade ao preço: Os consumidores estão cada vez mais atentos às ofertas e alternativas econômicas. Por exemplo, 53% preferem supermercados de desconto para alimentação, e muitos estão utilizando marketplaces digitais para moda.

- Escape das marcas tradicionais: Uma parte significativa (35%) dos consumidores considera as marcas irrelevantes. No entanto, 48% estariam dispostos a trocar de marca se encontrassem qualidade ou desempenho superiores.

- Consciência nas escolhas: A maioria dos consumidores (79%) avalia rigorosamente suas necessidades antes de comprar, e 76% preferem reparar itens em vez de substituí-los.

O estudo indica um movimento estrutural duradouro, em que a fidelidade à marca deve ser conquistada diariamente por meio de valor tangível e autenticidade, considerando o momento de cada tipo de consumidor.

A NRF 2026 trouxe uma série de tópicos conhecidos, mas com ideias e formas de fazer diferente, mais evoluídos, com cada vez mais tecnologia e IA aplicadas, focando em resultados e experiências positivas para o consumidor.

- Integração da inteligência artificial: A IA, especialmente generativa, será aplicada de forma robusta em processos como gestão de inventário, precificação dinâmica e otimização operacional. A IA se tornará uma infraestrutura essencial para decisões estratégicas no varejo.

- Social commerce: Trata-se de mostrar a importância das estratégias de compras sociais, com uma maior colaboração entre criadores de conteúdo e marcas, visando engajar e fidelizar a Geração Z e Alpha.

- Evolução do omnichannel: O conceito de omnichannel se expandirá, focando na orquestração de jornadas de compra que proporcionem consistência e previsibilidade, melhorando a experiência do consumidor.

- Parcerias e ecossistemas: Espera-se que as empresas colaborem para criar ecossistemas que integrem diferentes capacidades, transformando jornadas de compra em oportunidades de negócio. Isso incluirá colaborações entre grandes marcas e iniciativas criativas.

- Economia do cuidado: As experiências digitais e físicas serão centradas nas interações humanas, transformando lojas físicas em espaços de conexão social e pertencimento.

Para conectar e expandir esses temas, é necessária uma base solidificada em pessoas, cultura, processos e tecnologia que permita entregar com excelência. Cada vez mais, estar preparado para mudanças é o principal diferencial competitivo.

*Esta é uma versão adaptada do artigo publicado inicialmente no Meio&Mensagem.

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