A transformação dessa estatística só deve acontecer quando houver ações implementadas para romper as resistências estruturais à mudança e com programas de desenvolvimento e de mentorias direcionados para grupos sub-representados. Não podemos fechar os olhos para o preconceito estrutural presente na sociedade brasileira que faz com que os negros partam de lugares muito diferentes e tenham uma caminhada mais árdua para conseguirem se igualar em oportunidades.
Nesse sentido, em 2020, a EY lançou o BPN – Black Professional Network, com mais de 400 membros e aliados, além de parcerias com instituições como a Iniciativa Empresarial pela Equidade Racial e a ACNUR, célula da ONU que ajuda na ampliação do escopo para refugiados e migrantes. Dentro desse compromisso, as iniciativas Black ISE e EBWL (Empower Black Women to Senior Leadership) contribuem para o desenvolvimento e crescimento de talentos negros. Além disso, a companhia trabalha uma agenda robusta de letramento antirracista e rodas de conversa para a conscientização sobre equidade racial.
É importante ainda destacar a relevância estratégica da inclusão de pessoas com deficiência (PCD) e profissionais neurodiversos na EY, que vai muito além da contratação. Temos um trabalho contínuo de acompanhamento com gestores para garantir retenção e desenvolvimento, introduzimos iniciativas e uma política robusta de acessibilidade, além de cartilhas de letramento voltadas à liderança.
Fora do discurso vazio, na EY as ações são concretas, pois implementamos ações práticas, como a inclusão de um cão-guia para apoiar um profissional com deficiência visual, e realizamos um diagnóstico de maturidade do nosso Programa de Inclusão, assegurando evolução e sustentabilidade das práticas. Para profissionais neurodiversos, contamos com o Programa Atypical, que começou em 2021 com quatro pessoas acompanhadas e foi formalizado em 2023.
Hoje, mais de 40 profissionais são assistidos por meio de um acompanhamento individualizado com suas lideranças, com orientações assertivas voltadas à retenção e valorização desses talentos. No pilar de pessoas com deficiência, somos membros signatários da REIS – Rede Empresarial de Inclusão Social, contribuindo ativamente com o fomento à inclusão no mercado. Complementando essa jornada, o grupo de afinidade , Abilities+ - Página Inicial criado em 2022, com mais de 200 membros, tem sido um importante criador de pontes para profissionais com deficiência dentro da EY. A inclusão é, portanto, um pilar essencial que fortalece nossa cultura, impulsiona inovação e gera valor para o negócio e para a sociedade, sendo também uma referência de pertencimento que inspira outras empresas a seguirem esse caminho.
Desde 2018, a EY tem uma área dedicada à Diversidade, Equidade & Inclusão, com planos traçados que vêm sendo acompanhados, e se destaca como um dos grandes exemplos de organização que enxerga a agenda como alavanca de inovação, tanto que foi reconhecida em seis categorias do último ranking de Diversidade do Great Place to Work (GPTW).
Mais do que uma iniciativa, DE&I deve ser parte da cultura organizacional e o posicionamento das empresas em relação à essa agenda, colocando a pauta como estratégica, é fundamental para a mudança. O momento é oportuno, já que temos a possibilidade de atrair as gerações mais novas, que valorizam ambientes de trabalho que promovem efetivamente a diversidade, equidade e inclusão – de acordo como o Fórum Econômico Mundial, 60% dos membros da Geração Z e dos Millennials dizem que os valores são fatores decisivos na hora de considerar uma vaga de emprego.
A EY também já conduziu diversos estudos que reforçam a importância dessa pauta para a inovação e o desempenho organizacional. Um deles, o 2024 Diversity, Equity, and Inclusion (DEI) Trends traz claramente a visão de que empresas que permanecem comprometidas estão cultivando um diferencial estratégico quando se trata de aquisição de talentos, percepção de negócios e retenção de funcionários. Um exemplo de que a priorização de DE&I gera vantagem competitiva na aquisição de profissionais: 63% dos entrevistados escolheriam uma organização que priorizasse a pauta.
Visão de quem chegou lá
Com um olhar 360°, o artigo tecnológico traz algumas respostas do ponto de vista da liderança de empresas que têm políticas de DE&I como referência no mercado. Refazendo a trajetória, a maioria dos CEOs e líderes entrevistados citou como grandes desafios iniciais os vieses inconscientes, as análises elaboradas a partir de uma perspectiva capacitista e a limitação de recursos financeiros para a promoção dessa agenda.
Os líderes também apontaram que as barreiras só foram superadas quando se estabeleceu um processo estruturado a partir do entendimento da importância da pauta pelas lideranças da companhia, e com a criação dos grupos de afinidade. Ainda, os entrevistados destacaram a importância de um monitoramento muito próximo das metas e dos resultados. Os líderes que trabalham essa estratégia bem-sucedida têm consciência de que é preciso elaborar um plano de longo prazo, investir recursos financeiros e apoios institucionais nas iniciativas, oferecer treinamento contínuo para conscientização da importância das políticas e seus benefícios.
Liderança comprometida
É necessário ter a liderança engajada puxando essa agenda. Essa não é uma pauta política, é uma pauta humana, de gestão de pessoas sobretudo. O que está proposto pode ser facilmente ignorado se os líderes não acreditarem e não vivenciarem, dando exemplo.
Sabemos que o principal fator de influência no sucesso dos programas de inclusão é a participação das pessoas em posição de liderança. É preciso investir no aprendizado, na reciclagem e incentivar o conhecimento dos gestores para que entendam que o sucesso da organização está completamente atrelado a esses valores.
Essa também é uma agenda de credibilidade, por isso, precisa ser genuína e ter um discurso totalmente alinhado com a prática – é o famoso walk the talk. Caso contrário, não funciona. A pesquisa que deu origem ao artigo tecnológico mostra que a falta de compreensão (32%) e de comprometimento (38,4%) da liderança foram identificadas como principais barreiras e desafios para a execução de ações de DE&I nas empresas pesquisadas.