A maioria dos consumidores brasileiros (76%) considera que as marcas próprias estão oferecendo produtos de qualidade cada vez maior, de acordo com o estudo FCI (Future Consumer Index) produzido pela EY. Essa porcentagem é superior em 13 pontos percentuais na comparação com a média global.
Ainda segundo o levantamento, 84% dos consumidores afirmam ter percebido que as marcas estão reduzindo suas embalagens, mas mantendo ou até mesmo aumentando os preços cobrados pelos produtos. Já 83% dizem estar alterando seu comportamento de compra depois que aumentaram os preços médios dos produtos. Ao mesmo tempo, 66% dos consumidores concordam que as marcas próprias ajudam a economizar dinheiro – aumento de sete pontos percentuais em relação ao estudo anterior de abril de 2024.
"É nesse contexto que as marcas próprias ou private labels estão sendo vistas como uma alternativa pelos consumidores. Se no passado havia uma preocupação sobre a qualidade desses produtos, hoje já não existe mais", diz Cristiane Amaral, sócia da EY e líder do segmento de consumo, produtos e varejo para América Latina.
A disponibilidade desses produtos ficou maior nas gôndolas, ainda segundo a percepção dos consumidores mensurada pelo FCI, o que indica que as marcas próprias estão atentas à demanda em ascensão. "Há uma questão importante que se aplica aos consumidores brasileiros. Eles não demonstram lealdade às marcas, estando abertos a experimentar novos produtos, já que, conforme demonstra o estudo da EY, 41% estão dispostos a testar novas marcas. São, portanto, dez pontos percentuais acima da média global, uma diferença consistente que não pode ser ignorada", completa.
Posicionamento nobre na gôndola
Mais de sete em cada dez (76%), o equivalente a 12 pontos percentuais acima da média global, afirmam que o número de opções de marcas próprias aumentou onde eles costumam comprar. Essa porcentagem é ainda maior na classe alta, com 84% das respostas. Já 70% dos consumidores dizem que as marcas próprias estão sendo posicionadas na altura dos olhos – a posição mais nobre ou disputada das gôndolas. Essa é uma outra indicação de que as marcas próprias mudaram de patamar na priorização de venda.
"Para 64% dos consumidores, as marcas próprias estão satisfazendo suas necessidades da mesma forma que os produtos de marca”, explica Cristiane. Por esse motivo, ainda de acordo com a executiva, há um desafio crescente de justificar o preço dos produtos de marca, já que a percepção de qualidade superior, o que explicaria o preço maior, está deixando de ser percebida pelos consumidores.
A amostra total do FCI é de 20,2 mil respondentes provenientes de 27 países, que foram entrevistados entre os dias 24 de janeiro e 20 de fevereiro. A amostra brasileira é formada por 1.003 entrevistados.