Comunicado de imprensa
02 dez. 2025  | São Paulo, Brasil

IA, reforma tributária e cibersegurança dominam a pauta dos comitês de auditoria para 2026

Segundo estudo da EY, esses temas deverão estar no centro das discussões e alinhados às estratégias de negócios e tendências de mercado

São Paulo, 2 de Dezembro de 2025 – A nova edição do estudo “Assuntos relevantes para comitês de auditoria”, produzido anualmente pela EY, uma das maiores empresas de auditoria e consultoria do mundo, revela que inteligência artificial (IA), reforma tributária e cibersegurança estarão no centro das discussões dos comitês de auditoria para o fechamento das demonstrações financeiras do exercício findo em 2025 e para a agenda em 2026.

A atuação desses comitês está sendo transformada por forças convergentes como o avanço da IA, especialmente a generativa, mudanças tributárias e contábeis, novas exigências internacionais e o aumento dos riscos cibernéticos. A IA Responsável surge como um pilar estratégico, exigindo supervisão proativa para garantir transparência, confiabilidade e conformidade.

“Os riscos emergentes trazidos pela inteligência artificial, desde ataques maliciosos aprimorados até desafios de propriedade intelectual, desinformação e incertezas regulatórias, podem afetar diretamente a competitividade das empresas. Por isso, a adoção responsável da IA deixou de ser uma escolha e passou a ser um pilar estratégico essencial para a resiliência e a sustentabilidade dos negócios”, afirma Anderson Constantino, sócio de Auditoria da EY Brasil e coordenador da publicação lançada pelo EY Center for Board Matters (CBM).

Práticas contábeis e Reforma Tributária

No campo contábil, o IFRS 18 (CPC 51) introduz mudanças significativas na apresentação das demonstrações financeiras, com nova classificação de receitas e despesas em cinco categorias e exigência de divulgação das medidas de desempenho definidas pela administração. Essa norma também aprimora os critérios de agrupamento das informações, promovendo maior transparência e comparabilidade.

“Dada a abrangência das alterações propostas pelo IFRS 18, recomenda-se que as companhias já comecem a analisar o impacto do novo pronunciamento em suas demonstrações financeiras e eventuais necessidades de readequação de sistemas contábeis e de controles internos”, comenta Anderson.

Já a Reforma Tributária, que substitui cinco tributos por CBS e IBS, aproxima o Brasil das práticas internacionais de IVA. A transição gradual até 2032 exigirá controles mais rigorosos e atenção à gestão de créditos tributários. Entre as principais mudanças estão a unificação e a não cumulatividade dos tributos, que passam a incidir sobre operações com bens, serviços e direitos, garantindo o direito ao crédito sobre todas as aquisições. Outra novidade é a criação de um sistema digital unificado para apuração e pagamento dos tributos, gerido conjuntamente pelo Comitê Gestor do IBS e pela Receita Federal.

“A integração entre as áreas contábil, fiscal e comercial, bem como a avaliação dos impactos para o negócio de forma antecipada torna-se indispensável para a análise operacional, continuidade, alteração de controles internos e sistemas, além de estar aderente com a legislação em vigor. O papel dos comitês de auditoria é decisivo para assegurar que as mudanças sejam implementadas de forma eficiente, transparente e alinhada aos objetivos de negócio”, diz o especialista.

Outra pauta é o projeto de lei que propõe o Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas Mínimo (IRPFM), com tributação de dividendos acima de R$ 50 mil mensais e rendimentos anuais superiores a R$ 600 mil. A medida também prevê retenção de 10% sobre lucros enviados ao exterior, com crédito tributário para evitar a bitributação. “A proposta busca corrigir distorções do sistema atual, promover maior equidade fiscal e alinhar o Brasil às práticas internacionais de tributação sobre altas rendas e lucros distribuídos”, pondera Anderson.

Aspectos internacionais e comércio exterior

Desde agosto de 2025, os Estados Unidos aplicam sobretaxas de até 50% sobre produtos brasileiros, incluindo café, cacau, carne e frutas, enquanto aço, alumínio, automóveis e medicamentos também foram afetados por tarifas específicas, atingindo exportadores de diversos setores. A medida segue a política do atual governo dos EUA de proteger a indústria nacional, iniciada em janeiro de 2025, e soma-se à tarifa de 10% já vigente desde abril de 2025.

Para mitigar os efeitos, o governo brasileiro lançou o Programa Acredita Exportação e o Plano Brasil Soberano, com medidas de apoio financeiro e tributário às empresas. As iniciativas incluem restituição de tributos federais via REINTEGRA, regimes Drawback-Serviços e RECOF-Serviços, linhas de crédito emergenciais para capital de giro e investimentos produtivos, além do fortalecimento do seguro de crédito à exportação. O BNDES atuará como agente financeiro, com recursos do Fundo de Garantia à Exportação estimados em R$ 30 bilhões, garantindo suporte financeiro e tributário para manter a competitividade das exportações brasileiras.

A adesão do Brasil às diretrizes da OCDE em Preços de Transferência e à implementação do Pilar 2 do projeto BEPS 2.0 exigem que grupos multinacionais avaliem suas alíquotas efetivas por jurisdição e se preparem para tributações complementares. Com vigência desde 1º de janeiro de 2025, o Pilar 2 é aplicável a grupos multinacionais com receita consolidada anual igual ou superior a € 750 milhões em pelo menos dois dos quatro exercícios anteriores.

“O Pilar 2 exige que empresas avaliem suas alíquotas efetivas de imposto por jurisdição e se preparem para o pagamento adicional, caso a tributação local fique abaixo do mínimo de 15%, considerando incentivos fiscais ainda em regulamentação. O reconhecimento provisório do Brasil como QDMTT pela OCDE reduz riscos de dupla tributação, transferindo a responsabilidade pelo tributo complementar para administradores e executivos locais”, explica Anderson.

Indústria financeira e cibersegurança

A Resolução nº 4.966/21 do Conselho Monetário Nacional, em vigor desde 2025, altera a classificação e mensuração de ativos financeiros, exigindo atenção de diretorias e comitês. Apesar de se alinhar em grande parte ao padrão internacional IFRS 9, adotado no Brasil desde 2016, a nova norma apresenta diferenças importantes que exigem atenção criteriosa de diretorias, comitês de auditoria e auditores.

“Instituições que processam simultaneamente os efeitos da Resolução CMN nº 4.966 e do IFRS 9 precisam avaliar alterações em precificação de produtos, sistemas legados, cálculos contábeis e controles de terceiros, garantindo que os impactos sejam plenamente compreendidos e gerenciados. A observação desses primeiros resultados permite ajustar práticas e fortalecer a governança, consolidando a adequação das instituições à nova regulamentação”, informa o executivo.

Por fim, o aumento dos ataques cibernéticos no Brasil e no exterior reforça a importância da cibersegurança nas instituições financeiras. Mais do que perdas financeiras, esses incidentes podem gerar impactos reputacionais e operacionais significativos. Além disso, é essencial verificar o cumprimento das obrigações de compliance, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), garantindo que a instituição esteja preparada para responder de forma rápida e efetiva a qualquer incidente.

“Os comitês devem garantir políticas claras, planos de ação robustos e cultura organizacional voltada à proteção digital. A atuação inclui verificação de controles internos, capacitação das equipes, monitoramento de ameaças e conformidade com a LGPD. A prevenção de ataques cibernéticos é essencial para a continuidade das operações e proteção dos stakeholders”, finaliza Anderson Constantino.

Sobre a EY
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As equipes da EY atuam em todo espectro de serviços em assurance, consulting, tax e Strategy and Transactions, agora EY-Parthenon. Impulsionadas pela visão dos setores da indústria, parceiros de diversos ecossistemas e uma rede multidisciplinar e globalmente conectada, as equipes da EY podem fornecer serviços em mais de 150 países.

Todos juntos para moldar o futuro com confiança.

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Sobre o EY Center for Board Matters

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