À medida que a inteligência artificial se torna mais sintonizada com as necessidades humanas, os seres humanos refinam sua própria capacidade de interagir com esses sistemas de forma eficaz. Assim como na natureza, a coevolução é impossível de ser prevista com precisão, mas a exploração de horizontes plausíveis ajuda a ilustrar como as capacidades humanas e de IA podem se reforçar mutuamente em diferentes períodos.
As mudanças estruturais no mercado de trabalho tornaram obsoletas as abordagens tradicionais de talentos. As forças demográficas e tecnológicas estão reduzindo a oferta de capacidade humana e acelerando o ritmo em que as habilidades se tornam obsoletas. Até 2050, mais de 2 bilhões de pessoas terão mais de 60 anos, diminuindo a oferta de trabalho. No outro extremo do mercado de trabalho, as gerações mais jovens estão cada vez mais relutantes em trabalhar em determinados setores, como o industrial. Um quarto dos trabalhadores já enfrenta uma incompatibilidade de habilidades e espera-se que quase 40% das habilidades essenciais mudem em cinco anos. Ao mesmo tempo, 64% dos colaboradores relatam aumento da carga de trabalho.
Novos requisitos em tempo cada vez menor
Os requisitos de habilidades agora mudam em uma velocidade extraordinária. Por exemplo, a função de engenheiro de prompts aumentou para depois diminuir rapidamente à medida que os usuários desenvolveram habilidades de prompt mais sofisticadas e as próprias ferramentas registraram melhorias nesse processo, tornando a dinâmica do prompt parecida com uma busca do Google. Isso ilustra a velocidade com que o cenário pode mudar. Os sistemas de aprendizado criados pelas empresas para ciclos de 12 a 18 meses não conseguem acompanhar o ritmo das habilidades que evoluem a cada 12 ou 18 semanas.
Trata-se de um desafio duplo. As organizações devem ser capazes de responder imediatamente às demandas de habilidades que mudam rapidamente, retreinando equipes e atualizando sistemas de IA em ritmo acelerado. Ao mesmo tempo, precisam desenvolver capacidades, mentalidades e infraestruturas mais aprofundadas, necessárias para a competitividade de longo prazo. Agilidade, nesse contexto, significa evitar latência ou defasagem na implantação operacional e estratégica e no desenvolvimento de habilidades.
*Este artigo faz parte da série EY Megatrends. As megatendências são rupturas macroeconômicas impulsionadas pela intersecção de duas ou mais forças primárias, como tecnologia, demografia, sustentabilidade e geopolítica.