Os ambientes da dark web são usados pelos criminosos para comercialização de credenciais roubadas, dados de clientes das instituições financeiras, números de cartões e tutoriais de fraude, abrigando discussões sobre novos esquemas ilícitos, motivo pelo qual as IFs precisam estar atentas a eles. A identificação dessas movimentações de forma ágil permite ações preventivas, como bloqueio de contas e redefinição de senhas ou ajustes de controles internos, além de contribuir para a realização de investigações e o fortalecimento da cibersegurança nas IFs. No entanto, conforme demonstra a Pesquisa de Maturidade PLD/FTP realizada pela EY, 40% das instituições financeiras analisadas não monitoram a dark web para evitar fraudes.
“Isso reforça a percepção de que o monitoramento, apesar dos seus benefícios claros, ainda não é plenamente difundido no mercado”, avalia Natalia Grigolin, sócia de Prevenção a Crimes Financeiros da EY Brasil. “O estudo demonstra que essa é uma prática mais comum entre instituições de maior porte ou mais expostas a riscos complexos. As empresas de menor porte e alguns segmentos específicos continuam desprotegidos frente a um vetor de risco cada vez mais relevante”, completa. Ainda segundo a executiva, reforçar essa capacidade, especialmente fora do núcleo bancário e das maiores organizações, é fundamental para fortalecer a resiliência do ecossistema como um todo.
Os bancos lideram o monitoramento da dark web com 83% confirmando a adesão, seguidos pelas instituições de pagamento, com 75%. As seguradoras aparecem com 33% de adesão ao monitoramento. Já setores como DTVM/CTVM, bancos de investimento e corretoras de câmbio não fazem monitoramento, o que expõe essas instituições a vulnerabilidades significativas. Ao considerar o recorte por segmento de porte das IFs, 100% das empresas S1 (as maiores do mercado) fazem o monitoramento, enquanto no extremo oposto, entre as S5, apenas 33% adotam essa prática.
Somente em 2024, de acordo com relatório da Kaspersky, mais de 37 milhões de registros de dados pertencentes a pessoas físicas e jurídicas no Brasil foram enviados para comercialização pela dark web. Somando os valores de 2023 e 2024, segundo a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), as fraudes cometidas em canais digitais e cartão de débito totalizaram R$ 18,7 bilhões.
A edição de 2025 da pesquisa da EY contou com a participação de 51 instituições financeiras de diferentes setores e portes institucionais. No recorte por setor de atuação, os bancos comerciais lideram a amostra, com 19 instituições respondentes, representando 37% do total de respondentes. Em seguida, aparecem as seguradoras, com 12 participantes (24% do total), e as instituições de pagamento, com seis respondentes (12%).
Framework antifraude
O framework antifraude criado pela EY está baseado em sete áreas interligadas: governança; abordagem de riscos; pessoas; políticas e procedimentos; sistemas de prevenção e detecção; dados e inteligência; e educação do cliente. O documento traz como as instituições financeiras, incluindo seus clientes, podem se proteger contra fraudes. Essas disposições devem ser revisadas com regularidade e atualizadas em caso de necessidade.
“Um framework robusto permite que as instituições financeiras respondam com agilidade às ameaças cibernéticas emergentes. Também possibilita detectar e prevenir fraudes de forma mais eficaz. Embora as IFs já tenham processos e controles em vigor, é crucial revisar e avaliar continuamente sua adequação, considerando a natureza em rápida evolução das fraudes”, finaliza Grigolin.