Artigo: Corrida global para extração de recursos se deve à tecnologia, geopolítica e mudanças climáticas

16 abr. 2026

Essas três forças transformadoras têm feito com que as fronteiras dos recursos desapareçam, criando demanda que exerce pressão sobre as barreiras de acesso

As fronteiras traçam limites entre ambições e oportunidades. A queda das fronteiras nos confins da Terra, antes separadas por limites de altitude, distância ou profundidade, abriu três domínios para a extração de novos recursos e para a concorrência comercial e geopolítica:

- As profundezas da terra e do mar: locais de vastas reservas de minerais essenciais que apresentam lacunas significativas no fornecimento a partir das fontes existentes.

- Ártico: área de recursos minerais, energéticos e biológicos estratégicos, mas também de rotas marítimas valiosas do ponto de vista comercial e estratégico.

- Órbita terrestre: o espaço de 200 quilômetros a 36 mil quilômetros acima da superfície da Terra, "um recurso natural limitado" que oferece uma plataforma para observação, comunicações, pesquisa e atividades de defesa.

Governos, empresas e usuários de recursos seguem buscando recursos tangíveis e intangíveis com valor estratégico comercial nesses domínios. Os recursos tangíveis são aqueles que podem ser esperados – itens físicos, como metais, petróleo e peixes. Os recursos intangíveis, por sua vez, não podem ser tocados, como o uso de slots de satélite orbital e o acesso a rotas de navegação.

As formas como a concorrência e o uso nesses domínios se desenvolverão na próxima década trarão implicações profundas para a sustentabilidade ambiental e econômica e para a dinâmica geopolítica. 

Resourcing

Nesse contexto, três forças transformadoras, que são tecnologia, geopolítica e mudanças climáticas, estão no centro do chamado "resourcing" (alocação, planejamento e gestão de recursos). A tecnologia, a geopolítica e as mudanças climáticas têm feito com que as fronteiras para extração dos recursos desapareçam, criando uma demanda que exerce pressão sobre as barreiras de acesso.

Em primeiro lugar, a ampla transformação digital nas operações de negócios e na vida pessoal – acelerada pela adoção exponencial da tecnologia e da inteligência artificial – está encontrando sua manifestação física na construção de data centers, na infraestrutura de energia relacionada e na fabricação de volumes crescentes de dispositivos digitais de consumo, o que impulsiona a demanda por minerais essenciais que enfrentam defasagem de fornecimento. Ao mesmo tempo, a inovação e a redução de custos facilitam o acesso às regiões fronteiriças de forma mais econômica.

Em segundo lugar, conforme abordado no estudo EY 2026 Geostrategic Outlook, as relações internacionais agora operam sob novas regras e normas caracterizadas pela intervenção estatal e pela geopolítica da escassez de recursos. Os governos estão mais dispostos a intervir nos mercados, acelerar o acesso e oferecer mais segurança regulatória à medida que o fornecimento de recursos aumenta como uma preocupação de segurança nacional e interesse econômico estratégico. Além disso, a concorrência e o multilateralismo sob questionamento estimulam que os países explorem as lacunas de governança e as áreas cinzentas nas regiões de fronteira.

Em terceiro lugar, a transição para a energia limpa constitui mais uma fonte crescente de demanda por minerais essenciais. Turbinas eólicas, painéis solares, baterias e veículos elétricos exigem minerais de terras raras, enquanto a expansão das redes de transmissão necessárias para apoiar a eletrificação da economia global consumirá volumes crescentes de cobre e alumínio. Ao mesmo tempo em que a necessidade de descarbonização promove a transição para a energia limpa, as mudanças climáticas estão abrindo o Ártico, que está se aquecendo quatro vezes mais rápido do que o resto do mundo, para novas explorações, extrações e usos.

*Este artigo faz parte da série EY Megatrends. As megatendências são rupturas macroeconômicas impulsionadas pela intersecção de duas ou mais forças primárias, como tecnologia, demografia, sustentabilidade e geopolítica.

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