Instituições financeiras usam cada vez mais reconhecimento facial para verificar identidade

11 mai. 2026

Bancos comerciais lideram adoção das soluções de tecnologia mais avançadas no onboarding, de acordo com estudo da EY

O reconhecimento facial tem sido utilizado cada vez mais pelos bancos comerciais para fazer a validação no onboarding – no momento de abertura da conta corrente, por exemplo. Mais de oito em cada dez (84%) entrevistados pela Pesquisa de Maturidade PLD/FTP, realizada pela EY, utilizam essa tecnologia. “Isso reforça seu papel de vanguarda em práticas de onboarding seguro. As instituições de pagamento têm um índice semelhante, mais precisamente de 83%, o que demonstra a maturidade desse mercado”, diz Natalia Grigolin, sócia de Prevenção a Crimes Financeiros da EY Brasil. 

No fim do ano passado, a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) assinou um ACT (Acordo de Cooperação Técnica) com o governo federal para integrar a nova carteira digital – a CIN (Carteira de Identidade Nacional) – ao sistema bancário. O objetivo é permitir que as IFs consultem, via API e com consentimento do usuário, dados biográficos e biométricos da CIN, a fim de reduzir fraudes e custos operacionais. Essa infraestrutura vai permitir que serviços públicos e privados possam verificar a identidade de uma pessoa por meio dessa API que consulta a base da nova carteira de identidade para checar se a pessoa é de fato quem diz ser.

Outro recurso tecnológico usado pelas IFs, ainda segundo o levantamento da EY, é a validação por geolocalização, com 53% dos bancos comerciais e 33% das instituições de pagamento afirmando usar essa solução. No entanto, apesar do avanço tecnológico evidenciado pelo estudo, ainda predominam as soluções tradicionais de validação de identidade no onboarding. Todas as IPs e 89% dos bancos comerciais dizem fazer essa validação por meio de consulta aos birôs de crédito. A validação documental é realizada por 89% dos bancos comerciais.

“Ao observar quem não adota essas soluções modernas, é possível perceber que 80% das IFs pertencem às categorias S3, S4 e S5, reforçando que o porte continua sendo determinante para a velocidade de adoção da tecnologia”, finaliza Grigolin. Criadas pelo Banco Central, essas classificações refletem o porte das IFs, começando pelas de S1, que reúnem os maiores bancos do mercado.

Incentivo ao uso da IA

A utilização da inteligência artificial nos processos de prevenção a crimes financeiros tem se tornado estratégica para as instituições financeiras por ampliar a capacidade de detectar, analisar e agir sobre operações e situações suspeitas de forma muito mais rápida e precisa na comparação com os métodos tradicionais. 

No entanto, apenas uma em cada três instituições financeiras entrevistadas pelo estudo da EY utiliza IA para prevenção de crimes financeiros. Os modelos disruptivos de IA, que ampliam a capacidade de detectar operações e situações suspeitas de forma mais rápida e precisa, são usados por apenas 33% das IFs, com predominância das instituições classificadas como S1.

“Os reguladores estão incentivando o uso de IA em processos que possam auxiliar a triagem de indícios ou a identificação de padrão suspeito. Por causa do alto volume de transações, fazer isso apenas com análise humana é impossível”, finaliza Grigolin.

A Pesquisa de Maturidade PLD/FTP contou com a participação de 51 instituições financeiras de diferentes setores e portes institucionais. No recorte por setor de atuação, os bancos comerciais lideram a amostra, com 19 instituições respondentes, representando 37% do total de respondentes. Em seguida, aparecem as seguradoras, com 12 participantes (24% do total), e as instituições de pagamento, com seis respondentes (12%).

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