22 Minutos de leitura 7 jul 2021

Como realizar todo o potencial do ESG+

Por Steve Varley

EY Global Vice Chair - Sustainability

Passionate about sustainability, diversity and entrepreneurship. Husband and father of two. Triathlete.

22 Minutos de leitura 7 jul 2021

A abordagem ESG atual enfrenta desafios, mas uma melhor visão é crucial para construir um futuro mais justo e mais sustentável.

Em resumo
  • A abordagem ESG é essencial, mas lhe falta consistência e comparabilidade. Assim como todo padrão de relatório, regulamentação e garantia amadurece, o ESG também deve evoluir.
  • Um ESG mais relevante do ponto de vista financeiro — “FESG” — pode permitir que as empresas realizem mudanças e que os stakeholders compreendam melhor seu valor e impacto total.
  • Mesmo o "FESG" deve se adaptar a futuras divulgações sobre biodiversidade, inovação, bem-estar e muito mais (FESG+), posicionando as empresas para o que quer que venha pela frente.  

Nossa abordagem ESG precisa evoluir rapidamente se quisermos que ela atinja todo o seu potencial. Os investidores e outros stakeholders querem melhores divulgações ambientais, sociais e de governança (ESG) para ajudá-los a entender melhor como uma empresa funciona, toma decisões e cria valor. Eles querem entender o impacto externo das atividades de uma empresa, tanto em termos absolutos quanto em comparação com outras empresas. Os consumidores querem entender o impacto de suas escolhas sobre o mundo. Os funcionários querem entender se sua empresa está gerando maior igualdade, autonomia, melhores condições de trabalho e comunidades mais seguras e mais sustentáveis. O setor de serviços financeiros também precisa de melhores informações para ajudar a viabilizar nossa transição para uma economia mais sustentável. Mercados de dívida e ações, seguradoras, investidores e gestores de ativos estão exigindo mais detalhes sobre os fatores ESG para avaliar o impacto total de suas decisões.

  • Definindo ESG

    ESG é a abordagem que inclui fatores ambientais (E), sociais (S) e de governança (G) - como mudança climática, saúde e segurança e diversidade nos conselhos - nas decisões financeiras e de negócios.

Para cada um dos stakeholders citados, o ESG já está ajudando, mas precisa evoluir mais rapidamente à medida que o apetite dos investidores cresce para tomadas de decisão mais precisas. O ESG precisa amadurecer para ter o mesmo nível de rigor e relevância das divulgações financeiras e para melhor demonstrar o impacto econômico das diferentes estratégias e metas ESG.

Precisa haver uma conexão mais forte entre o "F" de financeiro e o ESG ("FESG"). Caso contrário, os verdadeiros custos e oportunidades de negócio não serão devidamente mensuráveis. Com isso, as empresas poderão repensar como elas usam o ESG para fundamentar escolhas estratégicas, gerar inovação e articular como estão gerando valor a longo prazo.

Também precisa haver flexibilidade e um aspecto prospectivo, pois futuros investidores e outros stakeholders, incluindo governos e reguladores, parecem determinados a continuar exigindo a divulgação de mais informações. Desta forma, novas métricas importantes estão surgindo com uma rapidez inédita.

Embora seja fácil caracterizar tudo isso como um fluxo unidirecional de cada vez mais exigências de divulgação às empresas, também é fato que as empresas líderes estão adotando uma visão ESG mais ampla para definir sua narrativa única e gerar inovação. Com a inclusão de aspectos que se diferenciam positivamente de outros, elas estão se esforçando para serem mais atraentes para investidores, funcionários, consumidores e outros. Chamamos esta dinâmica emergente, que conecta ainda mais as divulgações financeiras ao ESG e aponta para a inovação de novas divulgações pela frente, de "FESG+".

Scenic view of rice paddy
(Chapter breaker)
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Capítulo 1

Por que o ESG de hoje não é suficiente

Investidores, reguladores e líderes querem divulgações mais abrangentes do que nunca, mas o quadro está incompleto.

Os fatores ESG, desde o manejo agrícola até as condições de trabalho, representam riscos materiais para os negócios. Mike Lee, Líder Global de de Wealth & Asset Management da EY, descreve as expectativas dos investidores da seguinte forma: "Os clientes institucionais estão exigindo opções de investimento ESG. Os ativos alocados às estratégias ESG cresceram rapidamente e 75% dos clientes de recursos procuram integrar os parâmetros ESG em suas carteiras. Os investidores também têm um apetite crescente por melhores informações e transparência sobre riscos e ética em suas decisões de investimento".

Fluxos favoráveis a ESG

US$53t

Previsão de ativos sob gestão com foco em ESG até 2025. O valor já está em US$37,8t, acima das US$22,8t de 2016.

Apesar de crescer rapidamente, o ecossistema ESG ainda não está maduro. O mercado de produtos de investimento de impacto foi inundado por fundos "verdes", muitos dos quais pedem aos investidores que acreditem em sua palavra. Estima-se que os ativos sob gestão focados em ESG chegarão a US$53t até 2025.1 Muitas empresas podem divulgar informações de forma seletiva, projetando uma imagem favorável, enquanto outras se adequam melhor às práticas consistentes do mercado do que outras. Isto não é sustentável, e muitas temem uma reação de investidores confusos e outros stakeholders com acusações de cometer “greenwashing”.

  • Números do aumento nas divulgações

    A maioria das grandes empresas agora relata questões de sustentabilidade. O número da empresas que faz isso tem crescido ano após ano: 47% das empresas que relatam no Russell 1000 usam os padrões da Global Reporting Initiative (GRI); 41% usam Mudanças Climáticas do Carbon Disclosure Project (CDP); e 14% estão alinhados com a Força-Tarefa sobre Divulgações Financeiras Relacionadas ao Clima (TCFD) .2 Na China, 27% de todas as empresas A-share e 86% das empresas CSI 300 emitem relatórios ESG.3

A intenção de ajudar stakeholders a compreender melhor os compromissos mais amplos de uma empresa, bem como seu desempenho e impacto, é muito louvável. No entanto, o ESG precisa urgentemente amadurecer e atingir o mesmo nível da divulgação financeira, tanto para a sociedade quanto para as empresas. Muitos setores enfrentam uma situação insustentável de fluxos de investimento restritos, ativismo dos acionistas e mudanças nas preferências dos consumidores. O EY Future Consumer Index revelou recentemente que 43% dos consumidores globais querem comprar de empresas que beneficiam a sociedade, mesmo a um custo mais alto.

As empresas de serviços financeiros também precisam de informações mais precisas e consistentes para minimizar carteiras de alto carbono, maximizar opções mais ecológicas ou trabalhar com empresas para oferecer crédito ou seguros de forma mais equitativa em todas as comunidades.

Este é o momento para o ESG (especialmente para a liderança em fatores ambientais no ano da COP26, a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas) mensurar o que importa, informar as alocações de capital, capacitar os investidores, impulsionar a inovação e apoiar a transição por meio da adaptação e mitigação..

  • Reconhecendo os fatores E, S e G pelos números:

    • A mudança climática é considerada a questão ESG mais importante pelos gestores de dinheiro dos EUA - com ativos no valor de $ 4,2 trilhões em 2020, um aumento de 39% em relação a 2018,5 
    • No entanto, a exposição a questões “S”, especialmente aquelas relacionadas à saúde e segurança, tem maior influência nas principais variáveis financeiras, como a volatilidade do preço das ações. 
    • Mas apenas 8% de 1.750 métricas “S” de 12 estruturas de classificação diferentes medem o impacto.7
    •  Isso significa que as agências e os investidores costumam olhar mais para os compromissos do que para a ação quando se trata de questões “S”, em contraste com as questões essenciais “E”.

A adoção generalizada de muitas das recomendações da Força-tarefa para Divulgações Financeiras Relacionadas ao Clima (TCFD - Task Force on Climate-related Financial Disclosures) mostra que a comunidade internacional está mais próxima de chegar a um acordo sobre as normas de divulgação das métricas "E" relacionadas ao clima em ESG. Isso se deve à urgência da crise climática. Em um documento de consulta, a International Financial Reporting Standards (IFRS) Foundation propõe uma "abordagem que priorize o clima", reconhecendo a crescente importância do meio ambiente como um fator de risco financeiro.8

Entretanto, no último ano, as questões sociais, da diversidade e inclusão à igualdade salarial, se tornaram ainda mais importantes para todos os stakeholders - governos, reguladores, investidores, clientes e funcionários. Embora ainda seja um trabalho em andamento, a abordagem que está sendo adotada para alinhar em "E" poderia pavimentar um caminho para "S".

E o “G” não pode ser negligenciado. A boa governança sempre foi uma questão-chave, até porque incentiva uma atuação ética e eficaz em toda a empresa. Pesquisas constataram que as empresas com direitos de acionistas sólidos, uma medida importante da qualidade da governança corporativa, têm maior valor e melhores retornos anuais.9

De acordo com uma pesquisa da Russell Investments, 82% dos gestores de ativos afirmaram que a governança liderou suas decisões relacionadas a ESG em 2020, enquanto 13% disseram ambiental e 5% disseram social.10 De agora em diante, a supervisão do conselho e a governança, em toda uma organização, voltadas para E e S precisarão corresponder ao rigor que testemunhamos atualmente em torno da gestão financeira. As empresas devem assumir um papel proativo ao adotarem cada letra do ESG, usando o progresso recente em padrões ambientais como um roteiro.

Imaturidade, inconsistência e desequilíbrio entre os diversos fatores que compõem o ESG justificam consideravelmente a necessidade de mudança. A situação atual do ESG nem sempre é robusta ou madura o suficiente para fundamentar as decisões do setor de serviços financeiros, viabilizar investimentos, dar confiança aos consumidores ou ajudar as empresas a planejar estratégias para o futuro. Mas é possível evoluir mais rapidamente.

High angle view of railroad tracks
(Chapter breaker)
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Capítulo 2

Quatro etapas para alcançar o FESG+

Com o apoio dos stakeholders, o ESG pode ser transformado para atingir todo o seu potencial.

Para atingir o potencial do "FESG+" (ESG financeiramente integrado, com a possibilidade de acrescentar novos fatores), observamos quatro passos que precisam ser dados agora:

  1. Convergência — porque normas comuns reduzirão a complexidade e proporcionarão ainda mais clareza nas divulgações.
  2. Adoção — porque a comparação entre pares e a evolução contínua por meio da experiência são mais bem atendidas pela adoção generalizada.
  3. Assurance — porque os relatórios não financeiros, assim como os financeiros, precisam ganhar e inspirar confiança.
  4. Inovação — porque é necessário um novo pensamento estratégico para adotar e estar à frente das mudanças, bem como para atender mais rapidamente às futuras necessidades de informação dos stakeholders.

1. Convergência

Uma linguagem comum equivale a ações consistentes. No momento, a linguagem não é compartilhada de forma próxima.
Keiichi Ushijima
EY Japan Climate Change and Sustainability Services Leader

Para que o "FESG+" possa emergir, os relatórios de sustentabilidade devem aprender uma lição importante com os relatórios financeiros: devem alcançar o mesmo grau de consistência, robustez e comparabilidade em nível internacional. Os definidores de normas precisam adotar processos que os tornem mais ágeis no futuro, pois a atual abordagem ESG ainda está evoluindo e precisará evoluir ainda mais.

Por exemplo, à medida que o nível de relatórios e as demandas de capital da transição para “net zero” se aceleram, os responsáveis pela criação das normas precisarão integrar mais informações relevantes e avançar mais rapidamente para desenvolver um guidance robusto. Será necessário consolidar terminologias, definições e práticas de divulgação que possam ser aplicadas consistentemente em todo o mundo. “Uma linguagem comum equivale a ações consistentes. No momento, a linguagem não é compartilhada de forma próxima", afirma Keiichi Ushijima, Líder de Serviços de Mudanças Climáticas e Sustentabilidade da EY Japão.

  • A necessidade de mudança, de acordo com os números:

    • 33 - número de definições concorrentes de "sustentabilidade corporativa" em uso no relatório e divulgação ESG em 2020.11
    • 1.100 - empresas que confirmam a qualidade dos dados é um desafio importante para sua abordagem ESG, de acordo com o Barômetro Global de Risco Climático da EY. 
    • 98% dos investidores institucionais afirmam que revisam relatórios não financeiros, mas as opiniões variam sobre a utilidade das informações que eles produzem.12.12

Existem inúmeros padrões, mas os investidores não concordam, necessariamente, sobre sua utilidade.

Estão sendo realizados esforços globais para melhorar as normas de relatórios ESG:

  • A fusão entre o Sustainability Accounting Standards Board (SASB) e o International Integrated Reporting Council (IIRC) para formar a Value Reporting Foundation é um exemplo das iniciativas positivas necessárias para simplificar o processo de divulgação e alcançar normas globais de sustentabilidade.
  • Em março de 2021, os agentes fiduciários da IFRS concordaram em formar  um grupo de trabalho encarregado de nomear um novo conselho, o International Sustainability Standards Board (ISSB), para representar todos os seus participantes antes da COP26.g7-finance-ministers-and-central-bank-governors-communique
  • A International Federation of Accountants (Federação Internacional de Contadores)  optou por adotar as normas IFRS em março de 2021.
  • O Fórum Econômico Mundial (FEM) e o Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas da ONU (UN/DESA) defenderam a padronização e coordenação global dos relatórios ESG em abril.
  • Os Ministros da Fazenda e os Presidentes dos Bancos Centrais do G7 ofereceram apoio à IFRS e à TCFD em seu comunicado de junho de 2021, saudando seus esforços em estabelecer normas globais.
  • A UE está avançando ainda mais com a proposta da Diretiva sobre Relatórios de Sustentabilidade Corporativa (Corporate Sustainability Reporting Directive - CSRD) e a lei Taxonomy Climate Delegated Act da UE, juntamente com seis emendas às leis de investimento, seguros e deveres fiduciários para tratar de questões de sustentabilidade. Estas medidas buscam apoiar investimentos sustentáveis e proporcionar mais clareza sobre quais atividades econômicas contribuirão para os objetivos ambientais da UE.

Existe o risco de que as normas globais, se forem excessivamente rígidas, resultem em uma abordagem de “menor denominador comum” aos relatórios, o que poderia prejudicar a transparência no longo prazo. Iniciativas do setor privado, como a norma técnica de Métricas do Conselho Internacional de Negócios do FEM, bem como seu apoio à Fundação IFRS, podem ter um grande impacto na garantia de que os reguladores se baseiem nas melhores práticas, abordem questões atuais, forneçam orientações viáveis sobre a implementação e incentivem normas flexíveis e inovadoras para o futuro.

2. Adoção

"Migrar economias inteiras para novos caminhos de capital leva muito tempo", afirma Mat Nelson, Líder Global de Serviços de Mudanças Climáticas e Sustentabilidade da EY, "e as forças do mercado por si só não podem realizar todo o potencial ESG ou fazer a migração para a 'FESG+'".

A autorregulação, a demanda dos investidores e pressão dos consumidores desempenham papéis importantes no incentivo à adoção das normas. A indústria de serviços financeiros, ao precificar produtos e serviços, também pode influenciar as empresas a adotarem as normas. Mas os governos podem precisar introduzir leis para garantir o cumprimento das normas e a transparência, principalmente para garantir e acelerar a adoção por empresas importantes não listadas nos mercados de capitais.

Migrar economias inteiras para novos caminhos de capital leva muito tempo.
Mathew Nelson
EY Oceania Chief Sustainability Officer

Pesquisas da EY realizadas em 2021 revelaram que os investidores institucionais consideram a integração de oportunidades relevantes de ESG à estratégia um fator mais importante do que a inovação ou a pesquisa, quando se trata de mensurar e prever o sucesso de uma empresa.14

Os líderes podem considerar a adoção plena da abordagem ESG como um catalisador positivo para repensar seu propósito e estratégia, além de considerar a que público eles atendem. Como diz Reto Isenegger, Líder EMEA de Serviços de Negócios Sustentáveis da EY, "esta conversa deve ir além do departamento de sustentabilidade. Os COOs, CFOs e CEOs deveriam olhar para a sustentabilidade como um tema de grande importância para proteger e criar valor, agora mais do que nunca".

As empresas que resistirem a esta tendência e abordarem a adoção com o mínimo de comprometimento prático correrão o risco de não cumprir com a legislação iminente e poderão estar sujeitas à pressão de investidores ativistas.

Esta conversa deve ir além do departamento de sustentabilidade. Os COOs, CFOs e CEOs deveriam olhar para a sustentabilidade como um tema de grande importância para proteger e criar valor, agora mais do que nunca.
Reto Isenegger
Líder EMEA de Serviços de Negócios Sustentáveis da EY
  • Regulamentos ESG em números:

    • O número de regulamentações e padrões focados em ESG nos mercados globais quase dobrou nos últimos cinco anos (pdf) .15 
    • Globalmente, existem mais de 650 políticas e ferramentas de orientação que incentivam os investidores a considerar fatores ASG. Mais estão chegando, com 124 ferramentas novas ou revisadas desenvolvidas em 2020.17 
    • 84 por cento do “6-Market global” e 79% dos investidores dos EUA acreditam que a maioria das empresas não está preparada para cumprir os regulamentos de divulgação ESG em potencial.18

Os governos deveriam incentivar a integração do ESG à estratégia e ao estabelecimento de metas. A regulamentação também pode trazer a tão necessária estabilidade e segurança aos relatórios ESG. A adoção das recomendações da TCFD, tanto por reguladores quanto por empresas em diversas jurisdições, mostra este processo em ação.

  • A TCFD em números:

    • 1.500 organizações apoiaram as recomendações do TCFD em 2020, um aumento de 85% em 2019.19
    • 60 das 100 maiores empresas públicas do mundo apoiam as recomendações TFCD.20 
    • 42 por cento das empresas com capitalização de mercado superior a $ 10 bilhões divulgadas em linha com a recomendação TCFD em 2019.21

Em Hong Kong, as divulgações relacionadas ao clima alinhadas à TCFD serão obrigatórias em todos os setores relevantes até 2025. No Reino Unido, o Departamento de Negócios, Energia e Estratégia Industrial (BEIS) incentivou todas as entidades de interesse público a adotarem as diretrizes da TCFD, em linha com a Estratégia de Financiamento Verde do governo, e fez consultas sobre divulgações obrigatórias até 2025. O governo da Nova Zelândia passou a exigir a divulgação em consonância com a TCFD para organizações de serviços financeiros e todos os emissores de ações e dívidas listados na NZX. Ao redor do mundo, os gestores de ativos vêem a divulgação TCFD como uma prioridade.

3. Assurance

A confiança em ESG precisa ser protegida pela mesma abordagem utilizada para evitar declarações financeiras errôneas: uma combinação de governança corporativa, regulamentação e auditoria exigida por lei.

Atualmente, o nível de garantia das informações sobre sustentabilidade varia ao redor do mundo e entre diferentes fontes. A Federação Internacional de Contadores publicou recentemente que 51% das empresas que divulgam informações sobre sustentabilidade oferecem algum nível de garantia sobre elas, sendo que 63% dessas garantias são oferecidas pela Auditoria ou por empresas filiadas à Auditoria.23 Apesar de ter sido realizada com uma amostra menor, uma análise recente de um subconjunto de empresas globais, realizada pelo Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável, constatou que as taxas de garantia sobre as informações de sustentabilidade eram mais altas, com 84%, e haviam subido em relação ao ano anterior.

A Comissão da UE adotou recentemente a proposta de Diretiva sobre Relatórios de Sustentabilidade Corporativa (CSRD). Isto demonstra que a garantia das informações de sustentabilidade divulgadas logo se tornará generalizada. A CSRD exigiria auditoria em toda a UE sob um requisito de "garantia limitada", em linha com a capacidade atual do mercado de gerar informações ESG.24  Como outras jurisdições adotam políticas similares ou paralelas, o mercado para prestadores de serviços de garantia externos especializados em ESG se desenvolverá em ritmo acelerado.

O progresso inicial em direção a uma garantia de sustentabilidade robusta foi feito conforme a diretriz Extended External Reporting Assurance do International Auditing and Assurance Standards Board (IAASB), destinado a melhorar a confiabilidade da auditoria e ajudar os profissionais de Assurance a responderem aos novos regimes de relatórios. Mas ainda há mais mudanças pela frente.25 Em ESG, assim como nos relatórios financeiros, a auditoria deve assumir a responsabilidade por uma conduta digna de confiança, mas também será necessária uma supervisão independente.

4. Inovação

A abordagem ESG é, por si só, uma inovação recente no mundo das divulgações corporativas. Ela deve continuar evoluindo. A combinação de convergência de relatórios, adoção mais completa e maiores garantias para inspirar confiança, posicionaria o ESG como um poderoso viabilizador estratégico para que partes financeiras e não financeiras possam tomar decisões mais informadas.

Não só os futuros relatórios de sustentabilidade podem convergir e atingir uma estrutura e estabilidade similar as dos relatórios financeiros, como também podem refletir com maior precisão o risco e, assim, definir um custo mais verdadeiro dos negócios nas decisões. Eles podem integrar dados ambientais e sociais de forma financeiramente relevante. O valor a longo prazo e o impacto de um negócio podem ser entendidos como partes de um todo.

O conceito de "FESG" reconhece que as informações financeiras e não financeiras devem estar conectadas para moldar a estratégia e permitir que as partes interessadas avaliem a sustentabilidade tanto no contexto do desempenho financeiro quanto das consequências financeiras. A contabilidade financeira tradicional permitiu às partes interessadas avaliar as atividades de uma empresa, mas sem considerar o impacto de fatores ambientais, sociais e de governança, o quadro sempre ficou incompleto.

Os esforços para alcançar um maior alinhamento entre os relatórios financeiros e de sustentabilidade aumentaram nos últimos anos. No futuro, mais empresas se esforçarão para expressar impactos ambientais e sociais na forma de dados financeiros comparáveis; cerca de 15% já estão fazendo isso, de acordo com o Barômetro de Divulgação de Riscos Climáticos 2021.26 Entretanto, novas metodologias precisam ser desenvolvidas para incorporar plenamente a sustentabilidade à estratégia, à alocação de capital e às operações, além de agregar ao ESG maior relevância financeira.

Vale monitorar a iniciativa de Contas Ponderadas pelo Impacto, da Harvard Business School, já que cada vez mais empresas a estão utilizando para vencer o desafio de alinhar o "valor geral de uma empresa à sociedade" aos seus dados financeiros.27 Da mesma forma, a Aliança de Equilíbrio de Valores procura "criar uma forma de mensurar e comparar o valor da contribuição das empresas para a sociedade, a economia e o meio ambiente".

Um método aceitável de monetização da sustentabilidade surgirá deste processo inovador para mensurar a contribuição do valor líquido de uma organização (positivo ou negativo). As iniciativas de contabilidade intersetoriais que podem precificar o impacto total das empresas, portanto, estão no horizonte. A concretização do "FESG", por meio da convergência das normas de divulgação e da maior relevância financeira, permitirá às empresas demonstrar os impactos ambientais e sociais de uma forma transparente, comparável e confiável.

O ESG se tornará mais dinâmico e continuará se desenvolvendo. As empresas têm a oportunidade de aproveitar este desenvolvimento. O apoio dos Ministros da Fazenda do G7 e dos Presidentes dos Bancos Centrais à recém-lançada Força-tarefa para Divulgações Financeiras Relacionadas à Natureza, bem como à próxima Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica, sugere que a biodiversidade será, em breve, um tema importante nos relatórios.28

"Água, uso da terra e biodiversidade são forças complexas e multifacetadas que serão críticas na ação climática, mas difíceis de capturar na concepção atual do ESG", afirma Deborah Byers, Líder de Indústria da EY Américas. Até muito recentemente, os reguladores eram considerados relativamente estáticos e reativos. Os líderes empresariais podem ser mais proativos em definir os fatores que farão sua empresa se destacar, incorporando-os em sua estratégia, operações, produtos e serviços e comunicando-os através do "FESG+".

Água, uso da terra e biodiversidade são forças complexas e multifacetadas que serão críticas na ação climática, mas difíceis de capturar na concepção atual do ESG... Não podemos perdê-los de vista.
Deborah Byers
Líder de Indústrias da EY Américas

Estes são apenas dois passos inovadores que ajudariam a revelar todo o potencial do "FESG+". O setor de serviços financeiros, os investidores e os governos também precisarão se dedicar mais.

Como disse Gillian Lofts, Líder Global de Serviços Financeiros e Finanças Sustentáveis da EY: "Os serviços financeiros precisam assumir um papel de liderança na transição segura e eficaz do clima e da sustentabilidade. Compreender e precificar os riscos, atender às exigências regulatórias de maior transparência e inovar para atender às demandas dos consumidores e das empresas são fatores essenciais. Não será possível atender a essas necessidades sem um aprimoramento dos relatórios e divulgações ESG".

O setor de serviços financeiros como um todo tem um papel importante de inovação para atingir os objetivos ESG. A capacidade de atender à exigência dos clientes por transparência em ESG dependerá dos tipos de dados coletados, divulgados e analisados pelas instituições financeiras. 59% das empresas de serviços bancários pesquisadas na Pesquisa Anual IIF/EY Global Risk Management Survey identificaram a falta de dados necessários como um fator limitante na busca de oportunidades relacionadas a ESG.29

Por exemplo, ao administrar sua própria exposição aos riscos de sustentabilidade, o setor pode acabar criando um efeito dominó em massa sobre os comportamentos das empresas. Outro papel do setor é o da criação de novos produtos para aumentar o apetite por ativos verdes. O potencial total de mercado dos títulos verdes, do financiamento de infraestrutura, dos fundos ESG e de empréstimos vinculados à sustentabilidade ainda não foi totalmente explorado.

A formação de grupos como a Glasgow Financial Alliance for Net Zero sinaliza uma iniciativa mais ampla para conceder empréstimos, investir e garantir mais sustentabilidade. As pesquisas da EY apontam que 42% das pequenas e médias empresas britânicas estariam interessadas em um produto de seguro que fosse descontado com base em menores emissões.30

As seguradoras, em particular, precisam se concentrar no aproveitamento das informações ESG para uma melhor gestão dos riscos. As exposições ambientais são apenas o começo. A implementação do planejamento do cenário climático - por exemplo, o Climate Biennial Exploratory Scenario (Cenário Exploratório Bienal do Clima) do Banco da Inglaterra, que testará a resiliência do sistema financeiro do Reino Unido contra os riscos físicos e de transição das mudanças climáticas - sinaliza o surgimento da subscrição com base em informações ESG abrangentes.31

Testes de estresse recentes sugerem que as seguradoras estão moderadamente expostas aos riscos de mudanças climáticas. O setor de seguros, especialista em gestão de riscos atuais e identificação de riscos futuros, tem um papel central na liderança da transição e na construção de novas formas de gestão de riscos, transferência de riscos e apoio à adaptação às ameaças futuras.

Os investidores deveriam poder contar com a divulgação ESG abrangente para auxiliar na elaboração de suas estratégias. Alguns podem ir além da tolerância ao desempenho mínimo em relação aos benchmarks consensuais de ESG e propor que as empresas acelerem o ritmo em direção às melhores políticas de ESG. (Ver quadro TPI e outras leituras.32)

Embora a AIE tenha defendido o fim dos novos desenvolvimentos de carvão, petróleo e gás este ano, para que o mundo alcance emissões líquidas zero de carbono até 2050, e os investidores tenham se concentrado nas grandes empresas de petróleo e gás, é provável que a pressão também afete outros setores.33 Investidores preocupados com o clima expressaram interesse em engajar empresas dependentes de combustíveis fósseis, desde materiais de construção até mineração.34

Os governos poderiam basear suas políticas em relatórios ESG abrangentes para evitar vazamentos de emissões e cumprir seus compromissos de emissões líquidas zero. Medidas regulatórias como o Carbon Border Adjustment Mechanism (Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira) dependem de uma visão precisa das emissões domésticas, bem como de outras informações sobre sustentabilidade. A UE poderia usar sua liderança, por exemplo, por meio da CSRD, que exige que as grandes empresas divulguem informações ESG com base no princípio "cumprir ou explicar", para incentivar outras jurisdições a seguirem o exemplo.

A inovação deve ir além do foco nas mudanças climáticas para atingir todo o potencial do ESG. No entanto, assim como nas iniciativas para impulsionar a convergência em torno de normas comuns, aqui o grau de foco e colaboração entre os principais grupos de stakeholders mostra o que é possível. As iniciativas de bancos nos EUA para aumentar os empréstimos a grupos minoritários é apenas um exemplo disso.35

Man helping woman climbing up rock
(Chapter breaker)
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Capítulo 3

Cinco ações a serem tomadas com base em melhores informações

A ação informada de todos os stakeholders atingirá todo o potencial do 'FESG+'.

"Sem padronização, o ESG apresenta problemas. Mas mesmo com a convergência de normas, será necessário fazer mais para incorporar as soluções ESG aos desafios globais", explica Meg Fricke, Sócia de Serviços de Mudanças Climáticas e Sustentabilidade da EY. Até o momento, o ESG tem se concentrado em divulgações. No entanto, agora é necessário agir para viabilizar resultados.

Sem padronização, o ESG apresenta problemas. Mas mesmo com a convergência de normas, será necessário fazer mais para incorporar as soluções ESG aos desafios globais
Meg Fricke
Sócia de Serviços de Mudanças Climáticas e Sustentabilidade da EY

Para desenvolver soluções e se diferenciar da concorrência, existem cinco áreas-chave nas quais os líderes devem desafiar suas empresas a agir e incorporar a estrutura "FESG+" em sua estratégia para o futuro.

1. Engajamento com stakeholders, de consumidores a reguladores

Os consumidores estão desenvolvendo um apetite por mudanças, não apenas transparência. Os reguladores também estão orientados para os resultados. Isto representa um forte argumento para que as empresas ajam agora.

Pesquisas anteriores revelam que a pressão dos stakeholders (incluindo clientes, funcionários e ativistas) aumenta a transparência dos relatórios de sustentabilidade, mas a ação e as mudanças tangíveis também estão aumentando a demanda.36 O EY Future Consumer Index revelou que 68% dos consumidores acreditam que as próprias empresas precisam gerar resultados sociais e ambientais positivos.

As organizações não governamentais também estão ganhando força no lobby pela mudança. O Green Technical Advisory Group (GTAG) que aconselhará o governo britânico sobre a criação de uma "taxonomia verde" é apenas um exemplo de como os stakeholders externos moldarão o ambiente de negócios em torno do "FESG+".

Nos EUA, a SEC está realizando consultas semelhantes com os participantes do mercado sobre a adequação das divulgações de sustentabilidade, e no Japão um "conselho de especialistas" publicou uma consulta sobre possíveis revisões do Código de Governança Corporativa do Japão, com relação às formas de aumentar a atenção às questões ESG entre as empresas japonesas listadas.37 As empresas devem compreender e se engajar ativamente nestes processos, mantendo-se atualizadas quanto às perspectivas em evolução que moldarão seu mercado.

  • Você entende como as expectativas de seus stakeholders sobre seu desempenho social e ambiental estão mudando?
  • Como você está incorporando novas expectativas a cada aspecto de seu negócio, desde a estratégia até as operações, desde o desenvolvimento de produtos e serviços novos, acessíveis e sustentáveis até a fabricação e distribuição?
2. Engajar-se na pressão dos investidores

Da mesma forma, os investidores estão cada vez mais impacientes ao exigirem mudanças estratégicas. Por exemplo, 89% dos investidores institucionais nos principais mercados afirmam que as empresas com forte desempenho ESG merecem uma melhor avaliação do preço de suas ações. 90% concordam que as empresas que priorizam as iniciativas ESG representam melhores oportunidades de retorno a longo prazo do que as empresas que não o fazem.38

Pesquisas da EY revelaram que 91% dos investidores agora veem o desempenho não financeiro como "essencial" em suas decisões de investimento.39 Os Princípios para o Investimento Responsável defendidos pela ONU consideram medidas mais duras, incluindo a garantia de terceiros, para criar confiança nos dados divulgados pelos signatários e gerar investimentos de impacto.40

Em todo o mundo, 78% dos indivíduos com alto patrimônio líquido (HNW) agora possuem objetivos relacionados à sustentabilidade em suas vidas, e este número aumenta com o nível de riqueza detida por estes indivíduos (93% do ultra HNW).41

É evidente que uma grande realocação dos investimentos está sendo considerada; 76% dos clientes HNW acreditam que é importante integrar os parâmetros ESG às suas carteiras. As empresas precisarão considerar como incorporarão o FESG+ em suas tomadas de decisão.

  • Que tipos de novas informações são exigidas pelos investidores, e quão bem preparado você está para acessar e divulgar os dados relevantes?
  • Como você está incorporando fatores FESG+ em suas avaliações de riscos e oportunidades, e como isso está sendo usado para o desenvolvimento e a execução de sua estratégia??
3. Aproprie-se de sua narrativa “FESG+”

As empresas podem se preparar para os tipos de divulgação que serão obrigatórios e para aqueles que melhor atenderão seus stakeholders. Uma série de novos fatores relacionados ao sucesso futuro de uma empresa surgirá nos próximos anos, e as divulgações estabelecidas com o apoio da iniciativa FEM IBC são um bom ponto de partida.

As empresas também têm a oportunidade de buscar, mensurar e divulgar fatores que vão além dos compromissos de emissões líquidas zero como parte de sua narrativa única. A saúde mental dos funcionários, agora uma área de maior escrutínio, é apenas um fator adicional no qual as empresas poderiam optar por se concentrar para se diferenciar e transformar o ESG em uma narrativa distinta para todos os stakeholders. Outras áreas, tais como diferenças salariais entre os gêneros ou ocorrências de discriminação ou assédio, também podem ser utilizadas pelas empresas para se diferenciarem.

  • Até que ponto suas atuais divulgações de ESG comunicam seu propósito e ambição aos seus funcionários, clientes e investidores?
  • Que oportunidade poderia haver para diferenciar sua empresa da concorrência, definindo novos fatores e usando-os para fundamentar suas escolhas estratégicas?
4. Entenda seus dados

Assim como aumentam as exigências para a garantia independente de dados não financeiros, também crescerá a necessidade de as empresas melhorarem a forma como coletam, agregam e assumem a responsabilidade pela gestão de seus próprios dados. Para empresas maiores, a coleta desses dados, utilizando uma taxonomia empresarial consistente, apresenta um verdadeiro desafio. Se os dados forem utilizados no diálogo formal com investidores e outras partes interessadas, ou na avaliação da remuneração executiva, sua veracidade se torna ainda mais importante.

Embora muitas empresas possuam fortes taxonomias para informações financeiras, incluindo processos subjacentes robustos e documentados, juntamente com a garantia adicional de múltiplas aprovações de gestão, estes processos são frequentemente mais básicos no que se refere às suas informações não financeiras. Muitas empresas terão que trabalhar mais para garantir que as informações não financeiras sejam precisas, ao mesmo tempo em que estarão atentas aos custos adicionais e à burocracia que às vezes podem acompanhar tais esforços.

As empresas podem começar assegurando que possuem os especialistas em dados corretos, preparados para lidar com as exigências atuais e futuras dos relatórios e com um claro entendimento de como os dados serão interpretados por empresas terceirizadas. Os desafios referentes aos dados no cenário de mudanças em ESG não são triviais; está na hora de se antecipar à concorrência. O Barômetro Global de Divulgação de Riscos Climáticos da EY confirma que a qualidade dos dados é um dos maiores desafios para os negócios.

Apenas 41% das empresas atualmente realizam análises de cenários com relação às mudanças climáticas, e menos ainda (15%) apresentam riscos climáticos em suas demonstrações financeiras.43 Isto deve mudar. Analisar as divulgações atuais e compará-las com as normas propostas é um passo importante para compreender quais exigências de dados podem surgir. Os profissionais de finanças devem se envolver com a sustentabilidade, alavancando suas habilidades de coleta, processamento e comunicação de dados.

  • Como sua empresa pode trazer o mesmo grau de rigor e confiança que diz respeito aos relatórios financeiros para as informações fornecidas no ESG?
  • Até que ponto você está preparado para engajar-se antecipadamente com os reguladores e, então, responder aos novos regulamentos ESG à medida que eles surgirem, incluindo os resultados da COP26?
5.  Implemente ESG de forma mais ampla do que apenas uma equipe de sustentabilidade

Inúmeras empresas ainda precisam incorporar o pensamento estratégico sobre o "FESG+" de forma mais ampla do que apenas sua equipe de sustentabilidade. Os conselhos e executivos precisam colocar a sustentabilidade no centro das preocupações estratégicas e assegurar uma conexão estreita entre a função financeira, a equipe de sustentabilidade e a liderança executiva.

Para incorporar com sucesso os fatores "FESG+" nas decisões tomadas em todas as partes da empresa, do desenvolvimento da estratégia à sua execução, da inovação de novos produtos à fabricação e distribuição, serão necessários novos modelos de liderança que permitam às empresas abraçar a complexidade do desafio que está por vir e responder a ele de forma eficiente.

  • Seus esforços de sustentabilidade ainda estão em silos, ou você está preparado para uma abordagem totalmente integrada ao "FESG+"?

A abordagem destas cinco áreas levará tempo e a cenário externo continuará a evoluir. A prioridade para os líderes de negócios é começar agora a construir a expertise necessária em toda a organização. Isto inclui uma maior profissionalização do ESG e o trabalho com reguladores para definir formas amplamente aceitas de vincular informações financeiras e não financeiras. Os CFOs e os controllers precisam oferecer uma liderança visível em sustentabilidade e relatórios ESG, com sistemas de controles internos dos dados e julgamentos sobre ESG que correspondam à abordagem que adotam às obrigações financeiras.

Os Diretores de Tecnologia e de Dados precisarão aprimorar suas funções para acompanhar e fornecer os conhecimentos necessários para a tomada de decisões. Se o conselho ou o departamento de diversidade de uma empresa, por exemplo, vai corresponder à sociedade em que opera, as necessidades de dados são significativas.

Os executivos também precisam dar mais visibilidade do desempenho ESG aos membros do conselho, a fim de ajudá-los a tomar decisões e agir - desde capitalizar tendências emergentes e atrair investimentos de longo prazo até assegurar o apoio dos acionistas no curto prazo. "FESG+" é um enquadramento crítico.

Conclusão

A abordagem ESG atual não atende tão bem às empresas ou stakeholders quanto poderia, muitas vezes por não ter o grau de comparabilidade, adoção e garantia necessárias para tomar decisões plenamente fundamentadas. Além de resolver essas questões, o ESG precisa evoluir por meio da inovação, conectando os relatórios ESG aos relatórios financeiros e garantindo a adoção ágil de futuros fatores "+". As oportunidades e recompensas para as empresas que se posicionam para realizar todo o potencial de incorporação do "FESG+" são enormes, assim como os benefícios potenciais para todos os stakeholders. Este é um momento crucial de mudança e agora é o momento de posicionar sua empresa para o "FESG+", em termos de estratégia, inovação, execução e divulgação..

Resumo

Esta é a década da ação e da criação de uma forma mais inclusiva de capitalismo. O ESG pode ajudar e tem se tornado cada vez mais importante para investidores, instituições financeiras, clientes, funcionários e líderes. Podemos criar uma agenda para integrar aspectos financeiros, adotar normas e tomar decisões de valor.

Sobre este artigo

Por Steve Varley

EY Global Vice Chair - Sustainability

Passionate about sustainability, diversity and entrepreneurship. Husband and father of two. Triathlete.