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CEO Outlook Survey 2026: líderes no Brasil priorizam IA e parcerias estratégicas

Aumento dos custos operacionais faz com que negócios reforcem foco em ações que tragam retorno no curto prazo, especialmente ligadas ao aumento de produtividade.

Em resumo

  • 98% das empresas no Brasil já iniciaram ou planejam começar uma transformação empresarial nos próximos 12 meses.
  • 96% dos líderes ajustaram os seus planos de investimento estratégico em resposta ao atual cenário geopolítico.
  • 94% dos CEOs afirmam que a Inteligência Artificial está cumprindo ou superando as expectativas de geração de valor.
  • 80% dos executivos preveem um aumento nos custos operacionais durante o ano de 2026.
  • 82% planeiam procurar parcerias ou joint ventures, superando largamente os 40% que pretendem realizar fusões e aquisições (M&A) tradicionais.

O cenário econômico e geopolítico global continua volátil e incerto, ainda mais do que já estava há um ano. E o aumento das instabilidades tem levado os líderes brasileiros de negócios a focar em ações de curto prazo e em estabelecer um grau mais elevado de flexibilidade em suas operações.

A mais recente edição da pesquisa CEO Outlook Survey, conduzida pela EY-Parthenon com 50 CEOs do mercado brasileiro entre novembro e dezembro de 2025, revela um cenário de pragmatismo rigoroso para o futuro próximo. O pessimismo observado no mercado está fundamentado em pressões financeiras diretas: 80% dos CEOs no Brasil preveem um aumento real nos custos operacionais ao longo de 2026.

Esse dado faz com que a busca por resiliência deixe de ser um conceito abstrato para se tornar uma estratégia de sobrevivência imediata. O foco, neste ano, estará na priorização da proteção das margens contra a inflação de insumos e uma volatilidade econômica persistente.

Para enfrentar esse cenário sem comprometer o balanço patrimonial, as empresas estão redesenhando suas táticas de crescimento e alocação de capital. Diante da escassez de capital e da instabilidade geopolítica, que já forçaram 96% dos líderes locais a reconfigurar seus planos de investimento, houve um deslocamento massivo para modelos de expansão inorgânica menos onerosos.

Enquanto apenas 40% dos CEOs pretendem realizar fusões e aquisições (M&A) tradicionais, 82% planejam focar em parcerias estratégicas e joint ventures. Essa escolha reflete uma preferência clara pelo compartilhamento de riscos e recursos em um ambiente de alta incerteza.

Nesse contexto, a transformação empresarial deixou de ser um projeto de longo prazo para se tornar o principal motor de produtividade, com 98% das organizações brasileiras já em processo de mudança. O pilar central dessa evolução é a Inteligência Artificial, que já entrega resultados tangíveis: 94% dos CEOs afirmam que a tecnologia está cumprindo ou superando as expectativas de geração de valor.

Assim, a IA surge não apenas como uma ferramenta de inovação, mas como a alavanca matemática necessária para compensar a escalada dos custos operacionais, garantindo competitividade em um mercado que exige cada vez mais eficiência.

O desafio dos custos e do capital

O otimismo que costumava caracterizar os líderes brasileiros deu lugar a uma postura mais neutra e, em alguns casos, pessimista. Essa mudança de sentimento é impulsionada principalmente pela intensificação das pressões sobre os custos de insumos e pela dificuldade em repassar esses aumentos aos consumidores.

A confiança no acesso aos mercados de capitais registou o declínio mais acentuado. Como resultado, as empresas ampliam seu foco na disciplina financeira e na eficiência operacional para preservar a rentabilidade.

IA como motor de valor real

Ao contrário de ciclos tecnológicos anteriores, a Inteligência Artificial já vem entregando resultados tangíveis nas organizações brasileiras. Para 94% dos CEOs entrevistados, a IA atende ou excede (em 60% dos casos) o retorno esperado. Por conta disso, 86% dos executivos projetam que a tecnologia terá um impacto significativo ou transformador no seu modelo de negócios nos próximos dois anos.

Para que esse impacto se viabilize, as empresas pretendem atrair novos talentos especializados, sendo que apenas 6% projetam uma redução do quadro de funcionários em virtude de um uso mais intenso da IA. Para 66% dos CEOs, a tecnologia muda o perfil de colaboradores, mas não a necessidade de realizar contratações. Machine Learning (61%) e IA Generativa (43%) são as capacidades que mais deverão impulsionar as mudanças organizacionais.

Transformação e realocação de capital

A transformação não é mais uma opção, mas uma realidade em curso para 98% das empresas. Os objetivos centrais destas iniciativas são o fortalecimento do relacionamento com o cliente e o aumento da produtividade por meio da digitalização dos negócios. Entretanto, os líderes admitem ter menos confiança na rapidez com que conseguirão reduzir custos através dessas transformações.

No campo estratégico, a geopolítica tornou-se um fator determinante. O estudo mostra que 96% dos CEOs reconfiguraram seus investimentos devido a incertezas globais e políticas comerciais. Essa cautela reflete-se na forma como as empresas planeiam crescer: as parcerias estratégicas e as joint ventures (82%) ganharam preferência sobre as aquisições tradicionais (40%), uma forma de partilhar riscos e recursos em um cenário de capital mais escasso.

Estratégias e recomendações para 2026

Para navegar em um 2026 de custos elevados, a pesquisa aponta que as ações mais importantes para os CEOs serão o investimento contínuo em IA e iniciativas digitais, a gestão rigorosa de custos e o aprofundamento de parcerias estratégicas.

A resiliência das empresas brasileiras será testada pela sua capacidade de converter a tecnologia em produtividade e de adaptar as suas cadeias de suprimento e estruturas de capital a um mundo fragmentado. Aqueles que conseguirem equilibrar a disciplina operacional com a inovação em IA estarão mais bem posicionados para liderar o mercado nos próximos dois anos.

Conclusão

A pesquisa CEO Outlook Survey 2026 mostra que, diante do aumento dos custos operacionais e da volatilidade geopolítica, os líderes empresariais no Brasil estão focando em ações de curto prazo que aumentem a produtividade, com 98% das empresas já em transformação digital e 94% dos CEOs reconhecendo a inteligência artificial como motor essencial de valor. Para enfrentar o cenário desafiador, 82% dos executivos preferem parcerias estratégicas e joint ventures em vez de fusões e aquisições tradicionais, buscando compartilhar riscos e otimizar recursos. A disciplina financeira, o investimento contínuo em IA e a adaptação das operações serão cruciais para garantir resiliência e competitividade no mercado em 2026.

Resumo

Em um contexto de elevada volatilidade econômica e geopolítica, o CEO Outlook Survey 2026 aponta que os líderes empresariais no Brasil adotam uma postura mais pragmática, com foco direto em produtividade, eficiência operacional e preservação de margens. A pesquisa mostra que a pressão por custos mais altos e a restrição de capital estão redefinindo prioridades estratégicas, levando empresas a acelerar a transformação digital e a recorrer mais intensamente à Inteligência Artificial como fonte concreta de valor. Ao mesmo tempo, ganha força a preferência por parcerias estratégicas e joint ventures, vistas como caminhos mais flexíveis e menos arriscados para sustentar o crescimento em um ambiente marcado pela incerteza.

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