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Em meio à concorrência global por investimentos, o que mais a Europa pode fazer?

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Os formuladores de políticas podem aumentar a atratividade da Europa para investidores estrangeiros concentrando-se em nove áreas críticas.

Em resumo

  • De acordo com a pesquisa da EY, o investimento estrangeiro direto (IED) na Europa diminuiu 4% em 2023, a primeira desaceleração anual desde 202
  • Os formuladores de políticas podem principalmente impulsionar a competitividade da Europa melhorando o equilíbrio regulatório entre proteção e inovação.
  • O IED poderia ser aumentado mantendo a competitividade da indústria e criando um ambiente fértil para a inovação.

AEuropa deve ser um catalisador para os IED. É o lar de 500 milhões de consumidores e representa a terceira maior economia do mundo, atrás da China e dos EUA. Tem uma base industrial bem diversificada, infraestrutura robusta, algumas das principais instituições acadêmicas e de pesquisa do mundo e uma força de trabalho de ótima formação educacional e altamente qualificada. De acordo com a Pesquisa de Atratividade da EY Europe deste ano, 62% das empresas com e sem operações na Europa acreditam que o continente supera outras regiões na disponibilidade de profissionais com habilidades avançadas, como cientistas, engenheiros e analistas de dados.

Contudo, um volume cada vez maior de dados demonstra que a Europa precisa repensar a forma como estimula o crescimento econômico e atrai IED. A participação da Europa na produção industrial global diminuiu de 21% para menos de 15% entre 2001 e 2021. Mais recentemente, a Conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) estima que o valor do IED novo na Europa diminuiu 20% em 2023. No mesmo período, o investimento aumentou 2% nos EUA, 8% na China e 17% na Ásia como um todo. Além disso, a Pesquisa de Atratividade da EY Europe deste ano descobriu que o número de investimentos na Europa caiu 4% ao ano — o primeiro declínio desde 2020.


A causa dessa desaceleração é uma combinação entre crescimento econômico lento, inflação persistentemente alta, preços elevados de energia, incerteza geopolítica e queda na demanda por escritórios. Grandes pacotes de estímulo em outras partes do mundo também podem ter desviado o curso dos investimentos para fora da Europa. A Lei de Redução da Inflação dos EUA, por exemplo, é creditada por mobilizar 98 bilhões de dólares em investimentos e criar mais de 80.000 empregos.

Alguns desses desafios parecem estar diminuindo, mas os formuladores de políticas não podem simplesmente aguardar e ficar na esperança de que o investimento vai voltar a crescer quando as condições econômicas se recuperarem. Para as empresas participantes da pesquisa, o risco número um para a atratividade da Europa é uma questão de longo prazo: o aumento da carga regulatória. 


“A recente queda no IED na Europa, juntamente com o enorme estímulo em outras partes do mundo, principalmente nos EUA, é um alerta para os formuladores de políticas europeus”, diz Julie Linn Teigland, sócia-diretora da área da EY EMEIA. “Muitos reconhecem que se faz necessária uma ação urgente. Agora é a hora de entregar.”

As eleições para o parlamento europeu em junho de 2024 são uma oportunidade para lançar um novo olhar em como aumentar a atratividade da Europa. A pesquisa da EY revela que os formuladores de políticas poderiam se concentrar em nove áreas, que dividimos em três grupos com base no grau de urgência e na escala da intervenção necessária.   

Precisamos de uma narrativa europeia voltada para o futuro que lembre os investidores do poder da Europa – sua força coletiva, acima e além dos interesses econômicos individuais de nações, regiões ou cidades.

Baixe a 23ª EY Europe Attractiveness Survey

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Chapter 1

Addressing three urgent areas: regulation, manufacturing and innovation

Europe’s direction of travel on the green and digital transitions is right, but policymakers must adapt to an ever-changing playing field.

1. Encontrar um equilíbrio regulatório entre proteção e inovação

Em nossa pesquisa, as empresas afirmam que o aumento da carga regulatória é o principal risco para a atratividade da Europa nos próximos três anos. Quarenta e um por cento classificam isso como um dos três principais riscos, o que é significativamente mais do que os 33% que mencionam energia e instabilidade política, que ocupam, juntos, a segunda posição. As empresas dos setores industrial e de alta tecnologia correm maior risco.

A Europa se orgulha de introduzir uma regulamentação que protege os cidadãos mais rapidamente do que em qualquer outro lugar.

As preocupações com a nova regulamentação estão aumentando devido à introdução de novas leis, como o Mecanismo de Ajuste da Fronteira de Carbono, a Lei de IA da UE, a triagem de Investimentos Externos Diretos (IED) e a regulamentação de produtos em setores específicos. É provável que os investidores também fiquem frustrados com a crescente disparidade de regulamentação entre os países europeus e mesmo dentro deles.  

“A Europa se orgulha de introduzir uma regulamentação que protege os cidadãos mais rapidamente do que em qualquer outro lugar”, diz Marc Lhermitte, sócio da EY Consulting, líder global da FDI & Attractiveness. “Isso é positivo, mas as empresas estão pedindo um equilíbrio mais pragmático entre proteger os cidadãos e ajudar a viabilizar o investimento e a inovação.” 

Como os formuladores de políticas europeus podem aliviar essas preocupações? 

  • Harmonizar a regulamentação: os formuladores de políticas devem buscar harmonizar a regulamentação no mercado único. A introdução de novas leis por meio de regulamentação, em vez de diretivas, reduziria a possibilidade de os Estados-Membros divergirem da legislação da UE. Para limitar a divergência regulatória, os formuladores também devem exercer sua influência em jurisdições fora da UE.
  • Reconsiderar o ritmo de introdução de novas regulamentações: a UE normalmente é pioneira em áreas regulatórias como proteção de dados, IA e sustentabilidade. Uma abordagem mais gradual pode ser melhor, pois dá às indústrias emergentes mais tempo para amadurecer e para que os riscos se materializem. As empresas pesquisadas concordam. Quando perguntadas sobre em que pontos a Europa deveria concentrar seus esforços para manter sua posição competitiva na economia global, classificam “permitir que a regulamentação acompanhe o ritmo das rupturas tecnológicas e outras” em quarto lugar em uma lista de 15 iniciativas.
  • Revogar leis antigas: as leis antigas devem ser revogadas quando novos regulamentos são introduzidos. Quando isso não acontece, as empresas podem ficar sobrecarregadas com a necessidade de cumprir regulamentações que parecem se sobrepor.

2. Manter a competitividade da indústria

O IED em projetos vinculados à indústria na Europa tem demonstrado resiliência. O número de projetos anunciados em 2023 caiu apenas 1% em relação a 2022 e 2% em relação a 2020, mas ainda foi maior do que a média anual entre 2013 e 2022. 

No entanto, não há espaço para complacência. A demanda doméstica por produtos industrializados pode diminuir devido às mudanças demográficas. E outro aumento nos preços da energia aumentaria os custos de fabricação. A Europa é particularmente vulnerável a esses choques porque os países europeus exportam mais de seus produtos manufaturados do que outros países.  

A grande escala das políticas de estímulo industrial em todo o mundo significa que a Europa deve expandir suas próprias políticas que incentivam a industrialização, como a Lei da Indústria Zero Carbono (Net-zero). Os formuladores de políticas também poderiam impulsionar a indústria europeia das seguintes maneiras:  

  • Aumentar o fornecimento de componentes vitais: sejam microchips usados para produtos digitais avançados ou materiais de terras raras utilizados em baterias de veículos elétricos, há uma escassez global de materiais e componentes necessários para apoiar indústrias de alto crescimento. Por muitos anos, a China investiu para garantir que seus negócios tenham acesso a materiais e componentes vitais. Mais recentemente, os EUA tomaram medidas para proteger sua indústria de chips com a Lei de CHIPS e Ciência. A Europa respondeu com sua Lei de Matérias-Primas Críticas, que estabelece metas para a mineração, reciclagem e processamento domésticos de matérias-primas específicas. Mas a Europa ainda precisará importar grandes quantidades de matérias-primas vitais, por isso precisa de uma nova estratégia de longo prazo — especialmente quando todos os grandes países industrializados não europeus estão fazendo o mesmo. 
  • Permitir que as empresas alcancem relevância global: os formuladores de políticas devem remover as barreiras à criação de grandes empresas em toda a Europa que possam rivalizar com a escala das dos EUA e da Ásia. Atenuar as leis de concorrência para permitir fusões ajudaria, assim como harmonizar a regulamentação nos países europeus. 

3. Criar um ambiente fértil para a inovação

Questionados sobre em que pontos a Europa deveria concentrar seus esforços para manter sua posição competitiva na economia global, os investidores colocam “apoiar indústrias de alta tecnologia e inovação” em primeiro lugar.


Empresas de alto crescimento e habilitadas por IA se beneficiariam de muitas das iniciativas deste plano de nove tópicos, incluindo o ajuste do equilíbrio regulatório da proteção à inovação, o incentivo à IA, o desbloqueio dos mercados de capitais e o aprimoramento de habilidades. 

As empresas classificam o ambiente para investimento, desenvolvimento e uso da IA como o quarto fator mais importante relacionado à tecnologia que determina onde investem. A pesquisa da EY revela que quase todos os CEOs europeus estão fazendo ou planejando investimentos significativos em IA generativa (GenAI), então essa questão passa a tornar-se mais importante. Apenas 44% dos executivos pesquisados, no entanto, apontam que a Europa tem um desempenho melhor do que outras regiões nisso.

 

Como os formuladores de políticas podem ajudar a Europa a recuperar o atraso?

  • Impulsionar as habilidades digitais: os executivos destacam que a disponibilidade de uma força de trabalho com habilidades tecnológicas (por exemplo, cientistas, engenheiros e analistas de dados) é o principal fator relacionado à tecnologia que determina onde investem. Portanto, a Europa precisa de programas que se baseiem em seus pontos fortes existentes e aprimorem as capacidades existentes.
  • Estar preparado para adotar a Lei de IA da UE: A UE tem um histórico de adaptação muito lenta da regulamentação depois de implantada. Isso não é possível com a IA porque a tecnologia e seus aplicativos evoluem rapidamente. Os reguladores precisarão ser ágeis e estabelecer equilíbrio entre a necessidade de incentivar a inovação e a proteção dos cidadãos. 
  • Reduzir a burocracia: altos níveis de burocracia em comparação com os EUA impedem alguns empreendedores de tecnologia de realizar operações na Europa. As pequenas e médias empresas (PME) que estão desenvolvendo tecnologia baseada em IA precisarão de acesso ao financiamento da UE e de ajuda para demonstrar a conformidade regulatória, para não ficarem sobrecarregadas.
Roller Coaster, Salou, Spain.
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Chapter 2

How to accelerate existing work in energy, capital markets and trade

Policymakers could boost initiatives’ efforts to address areas of immediate concern for foreign investors.

4. Restaurar a confiança nos preços e no fornecimento de energia  

O segundo maior risco dos investidores para a atratividade da Europa nos próximos três anos são os “preços voláteis da energia e os problemas de fornecimento desse item”. No entanto, os preços da energia diminuíram drasticamente desde seu pico em 2022 e, em alguns países, agora estão abaixo dos níveis pré-pandêmicos. Então, por que os investidores estão preocupados? 

Um dos motivos pode ser choques futuros que poderiam mergulhar a Europa em outra crise energética. Isso diminui a confiança na atratividade da Europa porque destinos concorrentes, como os EUA, dependem menos da energia importada e não tiveram aumentos de preços comparáveis aos da Europa nos últimos dois anos. E a necessidade da Europa de reduzir sua dependência de energia importada e descarbonizar a geração de energia pode impactar os preços futuros.  

A UE e alguns países já tomaram medidas drásticas. Os subsídios energéticos da UE aumentaram de €177 bilhões em 2015 para €216 bilhões em 2021 e para €390 bilhões em 2022. Também houve uma série de iniciativas destinadas a acelerar a transição de baixo carbono do setor energético da Europa — principalmente, o pacote EU Fit For 55.

Como os formuladores de políticas podem ajudar a restaurar a confiança na energia?

  • Financiar e desenvolver infraestruturas: ativos como redes e interconectores poderiam ser financiados no âmbito da Europa. As interconexões são cruciais para integrar o mercado energético europeu, o que reduzirá os custos e trará melhorias à resiliência. Os interconectores precisam de planejamento e financiamento coordenados, o que é muito complexo para um único país gerenciar sozinho.  
  • Investir na transição energética da Europa: cerca de 600 bilhões de euros são necessários para a transição energética da Europa. Isso aumenta a importância de concluir a união dos mercados de capitais.

5. Liberar o investimento privado com uma união completa dos mercados de capitais

Para investidores, o acesso ao capital é vital. Trinta e dois por cento dos executivos afirmam que “a liquidez dos mercados financeiros e a disponibilidade de capital” são um dos três principais fatores que determinam onde investem — um aumento de 28% em 2023 e 25% em 2022.  


As altas taxas de juros aumentaram a importância da disponibilidade de capital. E as enormes somas necessárias para a transição energética e digital da Europa passaram a atribuir mais importância à liquidez de mercados financeiros .

Aproposta de Enrico Letta de criar uma associação de poupança e investimento é importante. Ajudaria a direcionar os 300 bilhões de euros das poupanças individuais dos europeus, atualmente alocadas fora da Europa, para o financiamento dos objetivos estratégicos da UE. A associação deve basear-se numa união de mercados de capitais totalmente integrada, que permita aos fundos de pensões e seguros, e a outros investidores institucionais, investir em toda a Europa em grande escala. 

Infelizmente, houve um progresso mínimo em direção a uma associação dos mercados de capitais. Isso deve mudar. O Eurogrupo recomendou formas de promovê-lo nos próximos cinco anos, incluindo o desenvolvimento de um mercado de securitização da UE, a melhoria da supervisão dos mercados de capitais com um livro de regras atualizado e a redução dos encargos regulatórios. 

6. Unificar para responder com rapidez às guerras comerciais globais 

Os investidores acreditam que os riscos políticos podem prejudicar a atratividade da Europa nos próximos três anos. Ressaltam que “a instabilidade política na Europa (incluindo as próximas eleições, populismo e polarização)”, juntamente com os preços voláteis da energia, constitui a segunda maior ameaça à atratividade da Europa. A tensão e o conflito geopolíticos representam a quinta maior ameaça.  

Recentemente, grandes eventos geopolíticos destacaram as interdependências entre os rivais geopolíticos, seja a dependência da Europa do gás russo ou o uso extensivo pelos EUA de chips fabricados na China. Como resultado, muitos países lançaram iniciativas destinadas a reduzir o risco de interdependências globais.  

Em meio à crescente divisão e discórdia em todo o mundo, os formuladores de políticas precisam agir com unidade e urgência para aumentar a atratividade da Europa para investidores estrangeiros.

Os formuladores de políticas europeus precisam estar cientes de que existem compensações entre reduzir o risco de países como a China, atingir metas líquidas zero e restaurar a competitividade econômica. Por exemplo, restringir as importações de tecnologia limpa da China reduzirá a dependência econômica, mas potencialmente aumentará os preços e, portanto, diminuirá a taxa de transição energética.

À medida que as tensões geopolíticas e comerciais globais se intensificam, os formuladores de políticas europeus precisam ser capazes de responder de forma decisiva. Isso significa que os Estados-Membros devem se alinhar em áreas fundamentais. Quais indústrias precisam ser protegidas? Quais países representam uma ameaça estratégica? A atratividade de cada Estado-Membro depende, em parte, da atratividade de todo o continente.  

 “Em meio à crescente divisão e discórdia em todo o mundo, os formuladores de políticas precisam agir com unidade e urgência para aumentar a atratividade da Europa para investidores estrangeiros”, diz Hanne Jesca Bax, líder de Mercados e Contas da EY EMEIA. 

Group of tourists silhouettes walks with backpacks in mountains
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Chapter 3

How to maintain Europe’s leading position on sustainability, skills and tax

Policymakers should take action to preserve Europe’s competitive advantage.

7. Concentrar-se nos benefícios econômicos da sustentabilidade 

A abordagem dos países à sustentabilidade pode ajudá-los a garantir investimentos. As empresas classificam a “abordagem política dos países às mudanças climáticas” como o quinto fator mais importante que influencia onde investem.

A Europa já figura como líder em sustentabilidade: 67% dos investidores dizem que a Europa é melhor do que outras regiões em ajudar seus negócios a alcançar seus planos de sustentabilidade. Declaram que, na Europa, a Suíça, a França e a Alemanha estão mais bem aparelhadas para fazer isso. E os investidores querem que a Europa mantenha esse ímpeto. Classificam “políticas e atitudes ambientais encorajadoras” como a sexta forma mais importante de melhorar a atratividade da Europa. 


Como os formuladores de políticas podem manter o status da Europa como líder em sustentabilidade?  

  • Liberar financiamento para projetos de sustentabilidade: apenas 42% dos executivos pesquisados dizem que a Europa supera outras regiões no nível de financiamento para projetos de sustentabilidade. 
  • Encontrar equilíbrio entre a regulamentação ambiental com a facilidade de fazer negócios: os formuladores de políticas precisarão ter cuidado para que qualquer nova regulamentação não sufoque a atividade comercial e impeça outras ambições estratégicas da Europa.

8. Aumentar a produtividade da força de trabalho e promover as competências críticas da Europa  

A presença de uma força de trabalho altamente qualificada é um fator importante para se determinar onde as empresas localizam as operações. Quando perguntamos às empresas que planejam investir na Europa este ano sobre suas motivações, “habilidades de acesso” ficou em segundo lugar, perdendo apenas para “reduzir custos”. E os investidores classificaram “habilidades e disponibilidade da força de trabalho” em quarto lugar em uma lista de 15 fatores que influenciam onde eles investem.

Aqui, a Europa está indo bem. Por exemplo, 62% dos investidores declaram que a Europa supera os concorrentes na disponibilidade de habilidades tecnológicas, como ciência, engenharia e análise de dados. Mas não se pode ser complacente. Relatórios do Centro Europeu para o Desenvolvimento da Formação Profissional e da Superintendência Europeia do Trabalho mostram que o continente tem escassez de habilidades específicas nos setores de saúde, software, construção, hotelaria e engenharia. 

A UE começou com iniciativas para preencher futuras lacunas de habilidades, inclusive o Pacto por Competências e o pacote de mobilidade de habilidades e talentos. É vital que os formuladores de políticas, empresas e instituições acadêmicas continuem colaborando para identificar os tipos de habilidades que as empresas precisam no futuro.

9. Encontrar um equilíbrio entre a competitividade fiscal e o crescimento da receita 

Os governos europeus estão tentando aumentar a receita para maiores gastos e, ao mesmo tempo, manter alíquotas de impostos competitivas. Esse é um ato de equilíbrio difícil.

Impostos são apenas um dos muitos fatores que influenciam onde as empresas localizam suas operações, mas as autoridades devem resistir a medidas draconianas que podem prejudicar a atratividade da Europa. Os investidores da pesquisa afirmam que a flexibilidade e o pragmatismo das autoridades fiscais são um dos fatores mais importantes relacionados a impostos que influenciam onde elas investem. Particularmente, esses investidores valorizam os processos cooperativos de conformidade e auxílio na identificação e entendimento das regras locais.

A introdução na Europa de um imposto mínimo global de 15% sobre empresas com receita superior a 750 milhões de euros inevitavelmente fará com que as jurisdições compitam para encontrar novas formas de oferecer incentivos fiscais às empresas. Países como Irlanda, Luxemburgo e Suíça, que historicamente praticavam alíquotas mais baixas de imposto sobre a pessoa jurídica, estão inscritos na nova alíquota. Mas a posição de outras grandes economias, como os EUA, é menos clara, o que poderia lhes dar uma vantagem — especialmente se o governo Trump optar por não participar.     

Embora as implicações do imposto mínimo global relativas à receita ainda não tenham sido verificadas, os especialistas esperam que as reformas transfiram a concorrência tributária entre jurisdições para créditos, subsídios e subvenções. No ano passado, a OCDE confirmou que fornecerá um tratamento mais favorável para certos créditos fiscais, como os contidos na Lei de Redução da Inflação dos EUA. 

Como a Europa pode abrir as torneiras do investimento estrangeiro?

Mergulhe mais fundo na 23ª EY Europe Attractiveness Survey

Sumário

O declínio do IED na Europa, juntamente com a intervenção direcionada em países concorrentes, cria o ímpeto para que os formuladores de políticas ajam. Os dados da nossa pesquisa indicam que eles devem se concentrar nas nove áreas apresentadas neste relatório. O sucesso exige colaboração entre países europeus e entre políticos e empresas. Eles devem aproveitar o espírito de urgência e unidade que a Europa demonstrou em resposta às duas crises mais recentes — a pandemia da COVID-19 e a guerra na Ucrânia — para restaurar a competitividade da Europa no cenário mundial. 

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