Os líderes não esperam que essa volatilidade diminua em um futuro próximo. Mais da metade (57%) espera que a incerteza geopolítica e econômica dure mais de um ano, com quase um quarto (24%) prevendo mais de três anos, de acordo com a pesquisa realizada pela EY-Parthenon em setembro de 2025 sobre as perspectivas dos CEOs.
A infraestrutura crítica — serviços públicos, transporte, comunicações e energia — pode ser afetada pela volatilidade geopolítica quando for alvo de ataques cibernéticos promovidos pelo Estado. Esses ataques aumentam as tensões, mas não costumam levar a uma guerra convencional, o que os torna um método popular para pressionar um inimigo sem declarar guerra. Para as empresas, a interrupção da infraestrutura crítica pode levar à paralisação de fábricas, disrupções na cadeia de suprimentos e no transporte, danos a ativos físicos e muito mais.
Essas infraestruturas públicas também podem ser vítimas indiretas de ataques cibernéticos quando um terceirizado for o alvo. Os criminosos cibernéticos podem ser incentivados a visar empresas que dão suporte a partes importantes da infraestrutura, como aeroportos ou sistemas ferroviários, a fim de criar pressão pública para uma solução rápida, como o pagamento de resgate.
A volatilidade regulatória também afeta a segurança cibernética das organizações. "A política está se realinhando e se tornando mais polarizada, aumentando a probabilidade de oscilações significativas de uma eleição para outra", diz Catherine Friday, Líder Global do Setor de Governo e Infraestrutura da EY
Quando se trata de regulamentação, o espaço cibernético não tem fronteiras. Portanto, para as multinacionais, o quadro é especialmente complexo. Esse assunto está no centro das atenções atualmente, com a regulamentação da IA, que está em diferentes estágios em diferentes partes do mundo, resultando em uma colcha de retalhos de políticas a serem cumpridas.
"As empresas multinacionais enfrentam regulamentações complexas de segurança cibernética, IA, dados e outras tecnologias de várias jurisdições", diz Piotr Ciepiela, Líder Global de Governo e Infraestrutura Cibernética da EY. "As empresas mais inteligentes incorporam a conformidade em sua tecnologia, para que possam responder à volatilidade regulatória com ajustes, e não com revisões."
4. Interconectado
As organizações prosperam quando formam parcerias sólidas com os fornecedores. O crime cibernético prospera em grandes superfícies de ataque, como as formadas por um ecossistema interconectado de terceiros com níveis variados de maturidade em termos de segurança cibernética.
Ao criarem áreas internas de IA, a maioria das organizações depende de terceiros no que se refere a grandes modelos de linguagem (LLMs), já que a criação de LLMs do zero é cara e requer recursos de computação substanciais.
Essa abordagem híbrida ao desenvolvimento da IA — desenvolvimento rápido de ferramentas internas usando recursos externos — não é diferente do desenvolvimento de outras tecnologias internas. Mas a contrapartida é o aumento do risco de segurança cibernética. De acordo com a Pesquisa Global de Gestão de Risco de Terceiros realizada pela EY em 2025, os programas de TPRM verificam o risco de segurança cibernética com mais frequência do que qualquer outro risco.
A complexidade organizacional também está aumentando. "Em um mundo em que as organizações estão se tornando mais complexas e interconectadas, em um cenário cibernético em constante mudança, os riscos para os CISOs são maiores. Eles precisam não só garantir que as iniciativas de IA em toda a empresa sejam seguras, mas também proteger seu ecossistema em colaboração com terceiros", diz Rudrani Djwalapersad, Líder Global de Risco Cibernético e Resiliência Cibernética da EY.
Somente na área de segurança cibernética, as organizações usam uma média de 47 ferramentas, de acordo com a pesquisa da EY. Em um nível ainda mais granular, os colaboradores reconhecem os riscos em suas experiências com a IA: a pesquisa da EY (via ey.com EUA) constatou que 39% não estão confiantes em usar a IA de forma responsável.