A Origem Energia tem se destacado no setor com um crescimento acelerado. Em apenas quatro anos, a empresa de Alagoas saltou de um investimento inicial de R$ 30 mil para um EBITDA projetado que pode chegar a US$ 150 milhões.
“Estamos desenvolvendo o primeiro negócio do país de armazenamento de gás natural subterrâneo em terra justamente para poder balancear oferta e demanda dos diferentes ciclos energéticos, que no Brasil ainda são muito conectados ao regime de chuvas”, destacou Luiz Felipe Coutinho, CEO da Origem Energia, homenageado na categoria Master da 28ª edição do programa EOY - Empreendedor do Ano. “São soluções energéticas por meio do estímulo ao empreendedorismo local que nunca haviam sido pensadas”, completou.
Leia abaixo a entrevista na íntegra.
1) A que você atribui essa homenagem na categoria Master?
LUIZ: Acredito que isso se deve principalmente por se tratar de uma empresa com impacto e crescimento acentuados no Nordeste, uma região carente do país. Saímos de R$ 30 mil de investimento inicial para um EBITDA projetado entre US$ 140 e US$ 150 milhões em 2025. Temos orgulho de construir uma organização com a cultura de cabeça de dono entre os colaboradores e suporte de capital de longo prazo, caminhando assim para ser a principal companhia de Alagoas. Estamos promovendo soluções energéticas inéditas por meio do desenvolvimento da mão de obra local.
Ao abrir esse mercado, percebemos um potencial energético completamente novo que está contribuindo para o desenvolvimento de Alagoas, um dos estados mais pobres do Brasil. Para isso, contamos com o empreendedor local, especialmente os pequenos e médios empresários. Ao juntar todos esses elementos da nossa história, e eu sou um mero porta-voz de todos que contribuem para esse sucesso, acredito que nossa trajetória chame a atenção. É uma história muito bonita que tem contribuído para que Alagoas perceba o enorme potencial dos seus recursos naturais.
2) O mundo passa por uma transição energética dos combustíveis fósseis para os renováveis, ainda que haja um longo caminho pela frente. Como você vê isso?
LUIZ: Esta década é efetivamente de evolução energética. Acho que o termo “transição” já ficou obsoleto para ilustrar efetivamente o momento que estamos passando. Começou de fato como uma transição devido a uma emergência climática. O mundo se deparou então com um outro problema, o de segurança energética, motivo pelo qual vem aprendendo como migrar da melhor forma para as renováveis. O cenário atual é de avanço da IA, que demanda ainda mais energia, o que exige também fontes firmes de potência que não são muitas vezes obtidas com as renováveis. Saímos então de uma transição para um momento de busca por segurança energética.
Estamos agora caminhando para uma terceira fase, que é a da soberania energética, com os países percebendo que depender integralmente de outros para suas fontes de energia pode ser um problema. Isso porque tivemos primeiro a Europa com a questão da guerra iniciada pela Rússia contra a Ucrânia. Temos agora as questões tarifárias prejudicando o multilateralismo com o desafio de entender como fazer seu planejamento energético em meio a essa situação complexa global.
3) Estudo recente da EY apontou que as empresas consideram três prioridades em termos de energia: custo, sustentabilidade e suprimento confiável. Como o gás natural se encaixa nesse contexto?
LUIZ: O gás natural é o combustível que melhor acomoda esses três pontos que você citou. Ele é uma fonte firme ou confiável, menos poluente do que o diesel e o petróleo e que consegue trazer confiabilidade para o sistema a um custo mais acessível – ainda mais ao considerar que as baterias têm um longo caminho tecnológico pela frente para competir em termos de custo com o gás natural. No entanto, para que o gás natural possa entregar esses três atributos, que são custo, sustentabilidade e confiabilidade, há necessidade de infraestrutura. E foi exatamente nisso que a Origem se posicionou.
Estamos desenvolvendo o primeiro negócio do país de armazenamento de gás subterrâneo em terra justamente para poder balancear oferta e demanda nos diferentes ciclos energéticos, que no Brasil são muito conectados ao regime de chuvas. A estocagem oferece diversos benefícios como segurança e estabilidade do armazenamento; flexibilidade de mercado; e alternativa à infraestrutura de transporte. Isso porque nesse último ponto reduz a necessidade de investimentos em novos gasodutos ou estações compressoras.
O Brasil está migrando para um modelo novo de termoelétrica que a enxerga como uma bateria. Ou seja, as termoelétricas não despacham mais na base, elas não são mais energia de base. Elas despacham somente quando o sistema precisa. Em momentos de pico, de alta demanda por energia entre cinco horas da tarde e oito horas da noite, quando não há mais a fonte solar, por exemplo, é preciso contar com uma fonte energética firme. É aí que entram as termoelétricas, que funcionam na prática como uma bateria para que o sistema brasileiro continue com sua vocação para as renováveis.
Nossa conta é a seguinte: a cada um megawatt investido em termoelétrica de potência, como é o caso das nossas, o Brasil libera sete megawatts de investimento em renováveis. Isso porque há necessidade dessa potência para os momentos nos quais as renováveis não conseguem entrar. Afinal de contas, não faz sol de noite, o regime de ventos é cíclico, com horários do dia registrando mais ventos do que outros, então você precisa compor com termoelétricas nesses momentos mais críticos do sistema.
4) O objetivo deve ser então administrar de forma eficiente as fontes energéticas para garantir a sustentabilidade do sistema. Concorda com isso?
LUIZ: Exatamente. Estamos falando de administrar da melhor forma possível o sistema nacional. No pico de energia, a termoelétrica entra com esse papel de garantir o suprimento maior. Ela funciona, portanto, como uma garantia de potência e segurança para o sistema. Se ela não entrar, o país apaga e aí você tem o pior cenário.
Uma outra questão que precisamos levar em consideração é a soberania energética. O Brasil já está onde o mundo gostaria: sua matriz elétrica já é 92% renovável. Precisamos lembrar que demanda por energia é desenvolvimento econômico. Temos que aprender a balancear nossa matriz energética de acordo com as nossas vocações. No nosso caso, nossa vocação são as renováveis. Ao prover potência para o sistema com o gás natural, liberaremos a continuidade da evolução em renováveis gerando crescimento econômico com segurança energética proveniente de matrizes majoritariamente limpas. É isso que vai permitir inclusive que nossa população tenha acesso a maior desenvolvimento econômico, especialmente do Norte e Nordeste, sem abrir mão efetivamente da economia de baixo carbono.
A região Norte hoje importa combustível majoritariamente de São Paulo, o que faz com que a área mais pobre pague a energia mais cara do país por falta de produção própria. Isso é um detrator de desenvolvimento gigantesco. Temos recursos que podem mudar a trajetória social a partir de uma indústria com cultura de segurança centenária. A atividade de extração de petróleo e gás – altamente tecnológica – já se mostrou segura. Não podemos perder a oportunidade de dar uma agenda desenvolvimentista a essa população dos estados do Norte e Nordeste.
Nova edição do EOY
Idealizado e promovido pela EY desde 1998 no Brasil, o programa Empreendedor do Ano reconhece líderes empresariais de setores e mercados distintos que, com sua visão de futuro, têm algo em comum: a vontade de transformar a realidade do país, deixando seu legado e contribuindo para a construção de um mundo de negócios melhor.
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Este conteúdo faz parte da série da Agência EY com representantes homenageados da edição 2025 do programa EOY - Empreendedor do Ano. Leia as entrevistas anteriores:
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