“O alimento da população virá cada vez mais do mar”, diz Thiago De Luca, da Frescatto

19 jan. 2026

O empreendedor homenageado na última edição do EOY alerta que, embora a curva de consumo dos pescados dependa de decisões estratégicas e políticas, ela vai crescer, considerando que o mundo atingirá dez bilhões de pessoas em 30 anos
“O alimento da população virá cada vez mais do mar”, diz Thiago De Luca, da Frescatto Thiago De Luca, da Frescatto, homenageado na 28ª edição do EOY

À frente de uma empresa de abrangência global que atende mais de 15 mil clientes e que está em sua terceira geração familiar, Thiago De Luca, CEO da Frescatto, destaca, em entrevista à Agência EY, os desafios enfrentados pela indústria de pescados, como a informalidade e a carga tributária. Ainda assim, o empreendedor considera que essa proteína tem enorme potencial para os próximos anos. 

“O mundo tem uma projeção de atingir quase dez bilhões de pessoas em 30 anos, e, como 70% do planeta é coberto por água, o alimento da população virá cada vez mais do mar. A curva de consumo depende de decisões estratégicas e políticas dos países, mas não tenho dúvida de que ela vai crescer”, afirma o empresário homenageado na 28ª edição do programa EOY – Empreendedor do Ano.

Leia abaixo a entrevista na íntegra.

1) Como você descreve a estrutura da Frescatto, quais são as prioridades e como enxerga o mercado para os próximos anos?

THIAGO: A Frescatto, que está completando 81 anos, é uma empresa do ramo de alimentos focada em pescados. Essa longa história foi iniciada pelo meu avô, passada para meu pai e meus tios e agora entra na terceira geração familiar. Atuamos na captação de pescados no mundo inteiro, comprando, processando, industrializando e distribuindo. Nosso negócio é muito pulverizado: temos mais de 15 mil clientes, sendo que 80% deles são do food service, como bares, hotéis e restaurantes. Nosso objetivo é levar cada vez mais o pescado, que é uma proteína sensacional, para a mesa dos brasileiros, seja em casa, seja fora de casa.

Somos apaixonados por pescados e temos certeza de que, embora ainda pouco valorizada no Brasil, essa proteína terá um crescimento exponencial nos próximos anos. O mundo tem uma projeção de atingir quase dez bilhões de pessoas em 30 anos, e, como 70% do planeta é coberto por água, o alimento da população virá cada vez mais do mar. A curva de consumo depende de decisões estratégicas e políticas dos países, mas não tenho dúvida de que ela vai crescer. Países que estimulam os pescados já têm um consumo per capita enorme, considerando as imensas oportunidades de negócio oferecidas por essa proteína, mas o Brasil ainda não explora todo esse potencial.

2) Quais são os principais desafios que o setor enfrenta?

THIAGO: Estão entre eles os de ordem tributária. A ração para produzir porcos e aves é isenta de PIS/COFINS, mas há incidência desses tributos na ração voltada para produção de pescado. Além disso, na reforma tributária que entrou em vigor neste ano, o pescado não foi priorizado. Isso porque foi retirada a desoneração de salmão, atum e bacalhau, que são justamente os peixes que difundem o consumo no Brasil. O resultado é que esses produtos passam a ter uma carga de 27% de imposto, enquanto carnes nobres como picanha e o Wagyu japonês não sofrem incidência de tributos. Isso desestimula o consumo da população, já que o preço final do pescado fica mais caro.

3) Como você enxerga a Frescatto no contexto das mudanças climáticas?

THIAGO: O peixe é a proteína animal mais sustentável no setor de produção de alimentos. Para produzir um quilo de peixe, são retirados poucos recursos do meio ambiente, com pouco uso de água, menos ração – em comparação com outros tipos de proteína – e menor poluição gerada. 

O setor formal e regulamentado é verde, com muita geração de riqueza para todos os envolvidos na cadeia de produção. No entanto, ainda temos uma cultura que não estimula a formalização. Os órgãos regulatórios não combatem a informalidade para tornar a atividade mais sustentável. O governo federal precisa colocar o peixe como prioridade, por meio de políticas públicas que valorizem os pescados, criando melhores condições para o desenvolvimento da indústria.

4) Você foi homenageado na categoria Master do EOY. A que você atribui esse reconhecimento?

THIAGO: Atribuo à nossa história e ao trabalho bacana que realizamos. Conseguimos implementar uma cultura na qual o processo para chegar aos objetivos é muito mais importante do que os objetivos em si. Quando se tem amor pelos processos, os resultados vêm de forma consistente por muitos anos. Temos resultados positivos porque nos dedicamos a um processo executado perto da excelência – nunca nela, pois sempre há espaço para melhorias. 

O crescimento constante da empresa e o trabalho de difundir o pescado junto a outras empresas do segmento nos dão essa visibilidade. É algo que nos deixa orgulhosos de tudo que está sendo construído desde a época do meu avô.

Nova edição do EOY

Idealizado e promovido pela EY desde 1998 no Brasil, o programa Empreendedor do Ano reconhece líderes empresariais de setores e mercados distintos que, com sua visão de futuro, têm algo em comum: a vontade de transformar a realidade do país, deixando seu legado e contribuindo para a construção de um mundo de negócios melhor. 

As inscrições já estão abertas para a 29ª edição. Inscreva-se neste link

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Este conteúdo faz parte da série da Agência EY com representantes homenageados da edição 2025 do programa EOY - Empreendedor do Ano. Leia as entrevistas anteriores:

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